Egocentrismo

O Desiluminado – Parte II

Para cada problema, uma solução.


Na parte I, paramos com a chegada da penumbra da noite e todos os problemas que ela traz, pra quem não tem luz. Mas como diz o título dessa segunda parte, para cada problema, uma solução. Não temos luz para jantar? Jantaremos romanticamente a luz de velas. Não temos televisão para assistir? Dormiremos cedo para repor as energias. Tudo no freezer/geladeira está apodrecendo? Cozinharemos tudo e comeremos. Afinal, se tudo vai mal, o estômago não tem culpa.

Sorte minha que tenho curso a noite. Deixo a família iluminada pelo poste da rua a tomar chimarrão e me dirijo para aquele prédio iluminado, muitas luzes ofuscantes, que até fazem doer os olhos. Volto cerca de 23hrs, não o horário que dormiria normalmente, mas já sim cansado suficientemente para pegar no sono. O trajeto de volta para casa era aonde eu conseguia notícias do blog e do Grêmio, um ao oposto do outro. O blog em apogeu e o Grêmio…

Um herói desse período negro foi o meu incrível celular. Enquanto todas as outras baterias iam terminando, o meu continuava firme e forte, iluminando as urinadas noturnas, iluminando as subidas e descidas da escada tortuosa que dá para o meu quarto e, sobretudo, iluminando o buraco da fechadura que dificilmente acerto quando há luz, imaginem sem ela. Por isso, meu celular – que serve apenas de despertador e relógio e que nunca soube o que era crédito – eu o agradeço.

Sem perder as esperanças de luz no amanhã, não tomei banho gelado na noite de quarta-feira. Tasquei-lhe desodorante e perfume e fui-me embora. Com medo que não voltasse a luz na quinta-feira, retirei um livro na biblioteca, Quincas Borba. E realmente quinta foi o dia em que tive de encarar o banho gelado e o Machado de Assis.

Entre quinta e sexta li todo livro. Eis um resumo: Quincas Borba, homônimo a seu cão, era um velho filósofo rico que ficou maluco e morreu, deixando toda sua fortuna para seu criado Rubião. Que por sua vez foi ao Rio de Janeiro, gastou toda grana do Quincas, ficou louco também e morreu. Linda história.

E depois de um ataque térmico e o início de uma pneumonia grave por conta do banho glacial, tudo correu naturalmente. Tirando as goteiras no meu quarto, que são um problema e parece que não tem solução. E que agora, não mais caem do lado da minha cama, e sim no meu travesseiro e por sua vez, na minha cara. Viva!

E aguardem o final dessa emocionante história, amanhã, aqui, no seu querido blog.

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