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Side Quest: O Menino e o Mundo – A animação que precisamos no Brasil, mas que não merecemos

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Quando os indicados ao Oscar 2016 foram anunciados, não fomos os únicos a ficar de boca aberta com a indicação completamente inesperada de O Menino e o Mundo, uma produção brasileira de 2013, completamente ignorada no País em seu lançamento (recebeu poucas salas de cinema e poucas sessões circuito limitado em que passou). Isso que já era vencedora de diversos prêmios em festivais internacionais. Infelizmente, precisou uma indicação ao Oscar para que todos os olhos se voltassem ao diretor Alê Abreu, que depois de quase 20 anos, colocou o Brasil em uma nova indicação ao prêmio de Melhor Filme (o último havia sido Central do Brasil de 1997. Cidade de Deus não levou a indicação a Melhor Filme Estrangeiro), nesse caso em uma categoria inédita no País, Melhor Filme de Animação. A animação ainda levou o prêmio de melhor animação estrangeira no Annie Awards deste ano, o Oscar do cinema animado.

O que nos resta fazer? Simplesmente lamentar nossa falta de coragem para acompanhar uma das obras mais sensíveis e inteligentes do cinema nacional, com qualidade que precisamos mais no País, mas não merecemos por simplesmente não darmos o necessário valor.

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A história…bem, melhor não contar muito. O Menino e o Mundo tem um título descritivo. O resto da história é muito melhor descobrir assistindo o filme. O que importa  é como os visuais fantásticos em animação 2D e uma trilha sonora extremamente rica contam tudo o que precisamos saber sobre o enredo sem utilizar uma única palavra. O que começa com uma série de riscos de giz de cera simples e sem cor…

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logo se torna uma abundância de cores dançantes e movimentos matematicamente calculados.

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As emoções do menino estão espalhadas pela composição simétrica de cada cena e o significado por trás de cada realidade que ele encontra. O filme tem seus momentos de pregação ideológica e da trama já conhecida do progresso vs a tradição, mas nada que incomode demais. O final surpreende o espectador quando ele menos espera. E é de cortar o coração. Não lembro na história do cinema nacional uma história tão emocionante contada de uma maneira tão complexa e ao mesmo tempo tão simples.

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Me entristece ainda mais pensar que estamos tão mal acostumados com as narrativas enlatadas do cinema norte-americano, que a ousadia narrativa de O Menino e o Mundo não vai encontrar espaço entre os fãs do gênero no País, muito menos (e isso é o mais assustador) no público infantil, que está sedado pela alienação fofa e vazia de Minions ou de seus pandas. Talvez as crianças mais jovens ainda tenham mais chance de descobrir no filme uma aventura colorida e musical que prenda sua atenção, mas para isso é necessário depender da boa vontade da distribuidora do filme (que nunca lançou o DVD em larga escala) ou do governo (que poderia muito bem levar o filme à grade curricular, mas dificilmente fará algo nesse sentido).

Como disse antes, é o impulso que precisamos para reconhecer a animação brasileira, que é destaque em outros países e nunca em sua terra natal. Mas não é a que merecemos, já que mesmo quando nos jogam na cara o erro que cometemos, preferimos virar pro lado e fingir que nada aconteceu.

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