Pouparemos

Pouparemos: Uma história e algumas dicas para começara a poupar

 

E aí, tudo certo? Eu sou o Marcos e hoje começa o Pouparemos! Aquela coluna pra quem quer ficar rico, famoso e bonito (resultados não comprovados). O Pouparemos será uma coluna sobre finanças pessoais para ajudar o pessoal do Capina a sair do vermelho, a ter noções de investimento e, principalmente, a despertar o interesse sobre a nobre arte de poupar. Não sou formado em economia e muito menos em finanças. Era exatamente como a maioria de vocês leitores: leigo, frustrado por não ter aprendido algo útil sobre finanças no colégio e por ter de encarar a economia e a dificuldade financeira da vida adulta praticamente cego e sem direção. Por isso pesquisei, estudei e aprendi diversas técnicas que vão ajudar a todos: desde quem acha que poupança é um bom investimento até quem já tem facilidade em lidar com suas contas.

Aqui vou acabar destruindo alguns conceitos que sempre ouvimos e até colocando em xeque algumas coisas que sempre acreditamos, mas tudo pensando em tornar sua vida mais tranquila em relação ao seu dinheiro.

Calma, é rapidinho

Um pouco de história: Como na minha casa as contas sempre foram na ponta do lápis, eu sempre tive medo de cheque especial mesmo sem saber o que era, cresci ouvindo que cartão de crédito era um bicho de sete cabeças e acreditava que poupança era o melhor lugar para manter um dinheiro para o futuro. Mesmo assim meus pais sempre tinham algum valor pendurado com o banco e quando eles diziam “estamos perto do limite” eu já sabia que a situação estava complicada. Meu primeiro salário era metade de um salário mínimo (na época R$310,00) e não tive cartão de crédito até pouco tempo atrás. Durante esse tempo, eu pagava minhas compras no débito e corria checar meu saldo no banco para saber quanto tinha sobrado para o resto do mês.

Eis que nos meus 22 anos eu consegui um emprego onde o salário era (digamos) mais atraente. Assim, eu me senti mais tranquilo para ter um cartão da perdição de crédito e me interessei pelo funcionamento desse artefato mágico. Afinal, você compra hoje e paga daqui um mês (ou mais). Isso tem que ser mágica! De onde vem esse dinheiro? Onde vive? O que come? Como que eu tenho dinheiro mesmo minha conta estando zerada?

Para minha frustração, descobri que o cartão não é mágico, tampouco maravilhoso.

Saiba o que você está pagando: Como sabemos que o velho Noel e o coelho da Páscoa não existem, o mesmo sentimento de desilusão vem ao sabermos que nós pagamos (e muito) por usar um cartão de crédito. Não bastasse a anuidade que assola 10 das nossas 12 faturas do ano, ao comprar com o cartão de crédito você está pagando o preço do produto definido pelo vendedor mais a taxa do cartão de crédito, que inclui a operadora, a bandeira e a emissora. Esse valor total é cobrado inclusive de quem paga em dinheiro, para que seja criada a ilusão de “sem juros” no cartão de crédito e para facilitar o manuseio de valores pelo vendedor.

A banca nunca perde e da mesma forma a companhia de cartão de crédito, por mais que receba somente após 30 dias da compra, sempre ganha. Nunca acredite na falsa ideia de que uma empresa lhe empresta dinheiro (por um mês que seja) e que não irá lhe cobrar por isso. “Isso non ecziste” (Padre Quevedo sobre compras “sem juros”) . O juro está sempre embutido no valor.

Muito bem, destruída essa fantasia, o que você pode fazer para contornar isso?

Cartão de crédito, aprenda a usá-lo ou quebre-o: O cartão de crédito é um saldo que você não tem e que será cobrado do saldo que você tem. Então, compre apenas quando tiver o saldo para comprar à vista e, sendo assim, dê preferência por pagar em dinheiro ou use-o apenas em compras online. O cartão de crédito foi desenvolvido pensando em dar a impressão de aumento do poder aquisitivo, fazendo com que você compre achando que pode pagar. Hoje o dinheiro em notas e moedas é apenas uma representação física do seu poder aquisitivo, assim como seu saldo no banco, ou na poupança, ou em qualquer meio digital (exceto nos cartões de crédito) são uma representação digital. O cartão de crédito não se inclui, pois o limite que você tem disponível não é seu, mas sim da empresa do cartão. Não interessa seu limite, ele só serve pra impedir que a empresa tenha muito prejuízo caso você compre um jatinho e use-o para fugir para as Ilhas Maurício.  Se você está afundado numa dívida com o seu cartão de crédito (não importa o tamanho), vou lhe mostrar como dar a volta nessa dívida e como gerenciar seus gastos nos próximos textos, até lá, evite usar o cartão.

Dá um desconto, vai

Barganhe: exatamente, pechinche. Se o vendedor te dá opção de pagar através do cartão de crédito, ele sabe que apenas parte do valor vai ser pago para ele e daqui 30 dias. Se você optar por pagar no dinheiro pode negociar, pois esse dinheiro vai integralmente para o vendedor e no momento que você entregar para ele. Olha que baita oportunidade você está dando para o vendedor! Para o vendedor, ter esse dinheiro disponível antes, significa que ele pode comprar do fornecedor à vista e também pode negociar. Todo mundo sai feliz nessa história! Dica psicológica: questione “quanto fica no dinheiro” e não se “tem desconto no dinheiro”. Perguntas sugestivas são mais efetivas do que perguntas de sim e não. Por mais que você não obtenha sucesso 100% das vezes, se você conseguir em algumas das compras que você faz, você já sentirá uma diferença no orçamento. Claro, essa dica varia muito de localidade e cultura ou até mesmo da sua extroversão, mas pode gerar resultados muito bons se obtiver sucesso.

 

Dito isso, gostaria que você tirasse um tempo para repensar suas atitudes financeiras, caso você não esteja contente com sua situação atual, e saiba que aqui você vai encontrar todas as dicas e o apoio para melhorar o que já está bom e reverter o que está ruim. Cuidar das suas finanças é uma habilidade útil e extremamente necessária pra quem quer dormir sem ter pesadelos com as contas pra pagar. Daqui pra frente vou dar exemplos práticos e fáceis de aplicar, que em pouco tempo você vai conseguir sentir diferença nas suas finanças.

Como estamos finalizando esse ano, espero que em 2017 nós consigamos ajudar bastante gente a se estabilizar financeiramente. Abraço e até logo!

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