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Imaginaremos #18: Um baita de um BLOQUEIO!

Sejam bem-vindos ao Imaginaremos, a coluna de RPG do Capinaremos! Hoje sobre Bloqueio Criativo!

Primeiramente, gostaria de me desculpar com os leitores desta amada coluna. Faz praticamente duas semanas que não sai nenhuma matéria e existe um motivo chato para isso.

Estamos enfrentando um bloqueio criativo. Então, para aniquilar esse bloqueio e de quebra ganhar algum exp, decidi escrever justamente sobre isso.

Mas o que é esse tal de bloqueio criativo? Como ele vem? Bem, esse é um problema que atormenta muita gente que trabalha com criação. Você quer mestrar, escrever ou mesmo desenhar algo. Então abre sua estação de trabalho e… Branco. Absolutamente nada.

Sua cabeça está vazia. Teias de aranha se espalham pela sua mente, abandonadas. Nenhuma ideia, nenhum desafio, não consegue nem mesmo elaborar a mais simples das tramas para uma aventura de uma sessão. E é aí que o pânico começa a tomar conta. No caso de mestrar um jogo, o dia da sessão parece cada vez mais com uma sentença de morte e o que antes era agradável de se trabalhar, torna-se um trabalho ingrato. Pelo lado contrário, distrações rotineiras, como a mesa de bar com amigos ou videogames se tornam extremamente atraentes e as horas passam cada vez mais rápido. Quando você percebeu, o prazo acabou e você não tem nada em mãos.

É, mi amigo, você está sem inspiração. Mais uma vítima desse assassino de inspiração chamado “bloqueio criativo”. Mas o que fazer?

 

O bloqueio é quando o criador não faz ideia de como começar (ou continuar) uma história, aventura ou o que quer que ele esteja desenvolvendo. O criador não se encontra indeciso entre vários caminhos, não é como se houvessem múltiplas opções para prosseguir. O bloqueio é uma parede sólida, maciça, intransponível à primeira vista. Sua imaginação simplesmente não funciona e qualquer esforço satura sua mente. Mesmo quando se esforça demais, a produção fica insossa, insatisfatória. Aventuras que transformam-se em combates sem fim contra monstros aleatórios, textos viram pura enrolação, diálogos sem nexo começam a surgir apenas para preencher espaço.

Para tentar solucionar esse problema ancestral, vamos começar com alguns palpites básicos:

A alternativa mais óbvia. Você está cansado. A criatividade nem sempre responde à necessidade. Se você é o único mestre do seu grupo, isso acontece mais cedo ou mais tarde. Ficar exausto das mesmas histórias, das mesmas batalhas é comum. Se você é escritor e faz isso o dia inteiro, nunca tirando nem mesmo um dia de folga (você não conta Sr. King), é natural que acabe se desgastando. Muitos grupos acham que o mestre não tem vida fora do jogo e não dão um descanso ao pobre coitado.

Mas talvez você não esteja exausto, pode ser que outra pessoa alterne os jogos com você na narração. Mas seu grupo só joga fantasia medieval. Após algum tempo, você não aguenta mais ouvir falar de masmorras e dragões, de fantasmas e carniçais. Parece que todas as histórias para o gênero já foram usadas de alguma forma e você está em um beco sem saída, morto de tédio enquanto seus jogadores fazem torres de dados. Você até tem ideias legais sobre super-heróis no espaço, mas nem a pau que seus jogadores irão abrir mão de seus personagens épicos. Essa repetição faz com que sua imaginação desvaneça.

Pode ser também que você esteja ocupado. Alguém te dá um livro hoje, e espera que você tenha algo pronto para mestrar na noite seguinte. Ou então, você mesmo se impõe um prazo impossível… Mas quem sabe você simplesmente não queira mestrar, mas seus jogadores te encaram com aqueles olhinhos de filhote abandonado. Difícil ter coragem pra negar, né? Difícil também é arrancar boas ideias de uma cabeça que não está nem um pouco interessada.

Existem uma tonelada de causas para o que pode estar causando seu bloqueio. Se você se identificou com alguma, vamos elaborar agora o que fazer quando a inspiração não surge…

Opa, Inspiração!

 

Em primeiro lugar, a criação não surge do “nada”. Você pode estar realizando uma tarefa ordinária do dia a dia quando de repente, um mundo novo brota de sua mente, cada detalhe tão vivo como se existisse de verdade. Pessoas, monstros, vegetação… Incrível né? Você até mesmo procura um significado para tamanha sorte de obter uma inspiração enquanto lavava seu prato de louça suja. Afinal, você não estava nem mesmo pensando nisso…. Erra
do.

Você estava pensando nisso, porém não de forma consciente. Ao longo do dia, você absorve todas as informações que vê, ouve, cheira e prova. Seu cérebro processa isso constantemente e às vezes, algumas coisas se juntam e formam uma ideia.

A sensação é incrível, mas para que ela aconteça você deve entender que ela começa a partir de você mesmo. Estude, leia. Procure histórias e métodos de seus ídolos. Pesquise também sobre os artistas que você não admira. Expanda seus horizontes, saia da caixa. Fazendo isso tudo, você estará angariando combustível para seu processo criativo. Quando for a hora de montar os acontecimentos da história, todo esse material vai surgir de maneira espontânea.

O Sr. King tem o costume de dizer que às vezes é preciso “deixar o pessoal do porão trabalhar”. Se contratar uma equipe de pedreiros para reformar sua casa e ficar arrumando alterações para eles a cada cinco minutos, o trabalho nunca sairá do lugar. Mas, se você deixá-los quietos, em algum momento a tarefa será cumprida. Não force a barra consigo mesmo, não tente extrair ideias a força. Deixe o pessoal do porão trabalhar por você e logo verá que aquela aventura emocionante estará na ponta da sua língua.

 

Mas as vezes o bloqueio é ainda mais profundo. O tédio se alastrou de tal maneira em sua rotina que o simples fato de pensar no assunto se torna uma injúria. Nesse caso, hora de tentar algumas técnicas-chave:

Fique um tempo longe do assunto. Se está bloqueado em fantasia medieval, evite filmes e histórias que envolvem esse tema. Faça o possível para não ter contato. O tempo necessário pode variar de dias a alguns meses, em casos extremos. Mas também não espere que as ideias caíam do céu. Após algum tempo afastado, repita os passos do processo criativo.

Mergulhe de cabeça no assunto. Sim, exatamente o oposto do anterior. Fique imerso no assunto do bloqueio, veja filmes, leia livros e contos, assista animes sobre o tema. Tente não forçar a barra ou ficará estafado. A ideia é tornar o assunto parte integral do seu cotidiano. Se der certo, escrever ou mestrar sobre isso será tão natural quanto falar sobre o tempo ruim da semana.

Todo mundo precisa de um pouco de variedade, então quebre a rotina. Aqui não estou falando de alternar entre histórias de terror e de aventura. Não há cérebro que resista a tanto tempo passado entre criação e estudos. Se seu trabalho envolve concentração mental e você tem como lazer atividades que envolvem concentração mental, é provável que seu cérebro esteja condicionado a encarar o lazer como uma atividade de trabalho, tornando o processo a longo prazo, cansativo. Faça coisas diferentes, desconecte-se.

Rotina invariável também prejudica e muito a criação. Se possível, tente mudar de ares. Viaje, fique um tempo longe de velhos ambientes. Sair da sua zona de conforto pode clarear sua mente.

Converse com alguém. Consiga alguém para papear sobre sua história. O objetivo aqui não é exatamente usar as ideias de outra pessoa, mas sim dialogar e analisar suas opiniões. É extremamente comum que as coisas se tornem mais claras uma vez que ditas em voz alta.

Todos esses métodos e irão “ativar” seu cérebro, fazendo o processo criativo destravar. Lembre-se: fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente todas as vezes é insanidade. Não seja maluco. Saia da caixa!

Por Murilo Lamegal, Designer, empresário meio amalucado, uma preguiça humanóide e nerd em tempo integral.

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