Imaginaremos

Imaginaremos #19: Todo Mundo Mente!

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Sejam bem-vindos ao Imaginaremos, a coluna de RPG do Capinaremos! Hoje, com um guia prático de como enganar seus jogadores!

Como é bom ser enganado. Você pode até dizer que não, mas a satisfação de não conseguir prever o final é sempre maior, não é? Quando você, leitor, assistiu Os Outros ou então Clube da Luta e a grande revelação mostrou-se no final, aposto que um sorriso de satisfação brotou em seu rosto. É sobre isso que falaremos hoje. Mentiras, trapaças e enganação.

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Não me leve a mal, mas é muito bom ver personagens sendo enganados. Em filmes clássicos de zumbis, os protagonistas estão sempre despreparados para a ameaça dos mortos-vivos. Mas o espectador está! Em Vampiro: A Máscara, sabemos que somos mortais a princípio, mas aquela ficha é um indicativo do que está por vir. Fingimos ser enganados. Interpretamos a ignorância que não existe de verdade.

Mas é claro que você quer mais. Quer ver o olhar de surpresa dos seus jogadores, quer eles ficando tensos nas cadeiras, esperando pela próxima cena. Você precisa mentir.


Falso Heroísmo

A forma mais básica de mentir para alguém é através de um “Vilão Secreto”. Alguém que ajuda os heróis, parece ser uma boa pessoa, porém no fundo é aquele que está manipulando as cordas. Saruman é um excelente exemplo desse tipo de recurso e quase todo mestre de jogo já pensou em incluir um npc que apadrinha os heróis apenas para trai-los mais tarde.

Mas é claro que isso não é fácil. Jogadores são criaturas egoístas e desconfiadas por natureza e logo suspeitam de qualquer personagem “altruísta” demais. Não caia na tentação de tornar o personagem “bonzinho” demais. Quando mais descarado for que o personagem é alguém bom, pior será.

Para entender o que é um falso herói, primeiro é preciso estabelecer um padrão para o verdadeiro heroísmo. Nos jogos, muitas vezes os personagens seguem o padrão “pé na porta, soco na cara” do herói, onde matam todos que não sejam o velhinho da taverna e a princesa que precisa ser resgatada. Para que os jogadores não desconfiem dos personagens que irão traí-los, primeiro é necessário que se acostumem com sua presença. Não é preciso nenhum segredo sinistro, nenhuma cicatriz suspeita.

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Além disso, o traidor deve ter alguma função na trama. Personagens que existem somente para ajudar os jogadores logo levantam suspeitas das suas verdadeiras motivações. É importante que o traidor preencha um vazio de relativa importância na trama. Acima de tudo isso, não trate o NPC de maneira especial. Qualquer atenção demasiada pode levar os jogadores a suspeitar do traidor.


Falsa Vilania

O oposto também é válido e talvez seja até mais prático. Pelo motivo que esses personagens raramente interagem com os jogadores, a farsa se sustenta com mais facilidade. Pelo lado ruim, o tiro pode sair pela culatra, pois o ódio é o melhor combustível de um combate… E jogadores adoram um combate.

Entenda que não falo aqui do Vilão Honrado, um inimigo com seus motivos. Para fazer de um vilão, um herói, é necessário entender seus motivos. Uma boa ideia é descartar massacres e tortura. Mesmo que o herói incompreendido tenha suas razões, os jogadores raramente perdoam esses atos e você pode acabar com um Vilão relutante… mas ainda um Vilão.

Use outros clichês do gênero para tornar o herói mais humanizado. Pactos com entidades obscuras, roubo de artefatos. Indo um passo além, trabalhe com propaganda ideológica, a maneira mais saborosa de lidar com falsos vilões. Talvez o vilão tenha cometido massacres… disse o velhinho da taverna. O vilão é um tirano… segundo o Rei Bondoso… Entende? Às vezes basta o comentário certo para que o ódio se alastre.

Jogue com as expectativas dos seus jogadores. Em uma fantasia medieval, todos aceitam que hajam servos, fome e senhores feudais, mas o que pensarão quando se depararem com um reino “maligno” repleto de igualdade e democracia? Onde está seu tirano agora?


Misdirection

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Agora que já falamos sobre falsos heróis e vilões, hora de arregaçar as mangas e explodir a mente dos seus jogadores com falsos objetivos e cenários. O grande segredo para que o objetivo falso funcione é que ele precisa ser plausível. Anunciar a campanha como “A Busca pela Caveira de Cristal Perdida” e encontrar o objeto na primeira sessão de jogo dará aos jogadores a certeza que o objeto é falso.

The_Apocalypse_Stone_(D&D_module)Você precisará de um objetivo real, para que os heróis não fiquem perdidos ao descobrir a farsa. Em geral, envolva vingança e reparação dos próprios atos. Uma boa campanha com essa EXATA temática foi lançada no fechamento de AD&D. O objetivo da aventura consistia no grupo procurando por uma joia através de uma missão recebida por um fantasma a muito falecido em um calabouço. O fantasma pede que os aventureiros resgarem a joia em seu antigo castelo, agora guardado pelas criaturas mais poderosas do cenário. Dragões, lichs, beholders infestam o lugar e dão trabalho para os jogadores. Ao receber a pedra, o fantasma demonstra contentamento e recompensa os heróis com tesouros incríveis! Mas tem algo errado com o mundo…

Ou melhor, tem algo de errado com os outros mundos. Os magos descobrem que certas magias ligadas a outros planos não funcionam mais. Clérigos e Paladinos já não sentem mais a presença de seus deuses, perdendo seus poderes dia após dia. Aumenta a incidência de zumbis e esqueletos e seres extraplanares que antes estavam visitando a dimensão agora se encontram presos aqui. A campanha é planejada para causar um fim do mundo. O fantasma na verdade é um traidor e a joia é a semente de toda a criação. Claro que tudo isso é revelado gradativamente e os jogadores acabam sendo levados pela campanha épica.


A verdade

Nem sempre é essencial criar farsas elaboradas. Às vezes, a cumplicidade do público basta para que, com um pouco de esforço, a imersão da obra se concretize. O jogador não ficará entediado nas cenas que se sentir confuso pois… seu personagem está confuso! É uma forma excelente de criar um laço forte entre os jogadores e seus personagens.

Acredite em mim… Eu nunca mentiria para você… 😉

Texto adaptado da coluna de Leonel Caldela na DragonSlayer. Obrigado Caldela, por ser um cara incrível!

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Por Murilo Lamegal, escritor, preguiça ambulante, mestre de RPG e destruidor de sonhos.

Mas peraí… Não acabou ainda…

Que? Como assim Murilo? Acabou sim! Você até colocou seus créditos e tudo mais…

Não, não acabou. Acontece o seguinte, meus caros leitores. Eu estou me sentindo bonzinho, muito bonzinho na verdade e quero compartilhar essa bondade com o mundo. Dessa forma, decidi que fazer um torneio para que digladiem entre si em busca do prêmio. um concurso seria a melhor forma de presentar meus queridos leitores. Para isso, decidi optar pela ferramenta de formulário do Google Drive. Assim, posso obter facilmente o contato de cada um que participar e sortear o presente será mais fácil. São duas perguntinhas bem simples que já te fazem um participante do concurso.

O presente, no caso, é um pequeno agrado da minha parte. Trata-se do Starter Set de D&D 5ª Edição. A inscrição no sorteio rolará até o fim de abril, então todos tem muito tempo de entrar e responder as perguntas. O concurso é aberto a todos!

https://goo.gl/forms/Nm02kaf2USIxGd1m2

Grande abraço a todos, tudo de melhor sempre. Boas rolagens e até mais ;D

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