Criptaremos

CRIPTAREMOS – Doação

Boa noite querinhos,

 

Hoje rolou uma parada muito legal no 2.0, foi o #memedobem, e em homenagem segue um conto com esse tema.

 

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

 

DOAÇÃO

Um cego anda em uma rua da periferia da cidade, boné, bengala, óculos escuros, uma camisa de manga comprida e uma calça, é começo de tarde, ele para na beira da calçada para atravessar, fica ali alguns segundos.

-Tem alguém por aí? – Indaga ele

Mas ele não escuta nada, nem mesmo barulho de carros, ele bata a bengala no chão para sentir o degrau da calçada, pensa um pouco e inicia a travessia, de repente ele sente algo o pegar pelo braço e puxar com força para trás logo após o som de uma freada curta seguido de uma buzinada.

– Filho da puta – grita o dono do carro que quase o atropelou, saindo do local rapidamente cantando pneu deixando para trás só o cheiro de borracha queimada.

O cego demorou um pouco para entender o que estava acontecendo e logo após virou-se em direção da mão que segurava em seu braço.

– Obrigado…muito obrigado…não sei direito o que aconteceu…mas imagino que você tenha salvo minha vida.

O salvador nada diz, e com um toque e um leve empurrão indica para que ambos atravessem a rua.

– Senhor…ou senhora…realmente muito obrigado – diz o cego, mas não consegue resposta de seu ajudante.

– Você tem um nome? – Novamente o silêncio, o clima estranho só é interrompido pelo empurrar que o cego leva, para que ambos atravessem mais rápido. Ao final do percurso o cego se vira para agradecer e comenta – Você é muito quieto…quieta, não sei quem você é mas mesmo assim mui….

– Desculpe senhor, não consegui responder naquele momento – interrompe uma voz feminina.

Laura, uma jovem moça, está com um shorts pequeno, ela é um pouco acima do peso e tem um sorriso muito simpático

– Ó ela fala, qual seu nome criança? – responde sorrindo “devolta” o cego.

– Me chamo Laura…- enquanto estende a mão na direção do cego e continua -…mas não consegui te responder na hora, porque…porquê… bem eu estou um pouco zonza, acabei de sair do banco de sangue e ainda mais com esse susto…desculpe não responder.

Laura fica com a mão estendida no ar por alguns segundos.

– Vejo que você é uma salvadora de vidas, considere hoje seu dia de sorte – o cego estende a mão e cumprimenta Laura.

– Tá bom – Responde ela sem entender – Gostaria de ficar mais, mas tenho que ir, adeus senhor! – Laura solta a mão do cego, sente a mão oleosa e a esfrega, mas não liga para isso e vai embora.

O cego, com a mão no ar em direção a Laura, o sol ainda é brilha e um pequeno sinal de fumaça sai da mão dele, ele faz uma careta, pega um pote que traz no bolso, FPS +50 está escrito em vermelho no rótulo, ele passa um pouco nas mãos e volta a ficar na beira da rua para atravessar de volta.

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