Capinaremos FC

CapinaFC – Precisamos falar sobre… #1 – ESTADUAIS

 

 

 

 

 

Saaalve, salve, garela!

Andei sumido, muito mais do que eu gostaria, espero que vocês tenham sentido um pouco de falta – mas aquela saudade gostosa, sem me xingar por conta disso – da melhor coluna de futebol do Capina!

E hoje eu tô de volta mas pra falar de um assunto um pouco mais sério, um tema um pouco mais pesado e com menos ousadia&alegria do nosso querido esporte.

Aproveitando que a maioria deles tão chegando nas suas fases finais, hoje é dia de falar dos Campeonatos Estaduais. Mas não é pra falar sobre resultados, competitividade, grandes clássicos nem nada. Hoje é pra discutir a que ponto que chegaram os estaduais.

Eu sei que tá triste mas não precisa chorar.

 

Hoje é pra falar porque eu acho que já passou da hora deles acabarem. Então senta que lá vem textão.

É difícil até pensar por onde começar a expor o raciocínio. Então, tentando facilitar, vou quebrar em alguns tópicos e tentar conectá-los pra ficar uma ideia mais fechada.

 

1. Os clubes (grandes)

As equipes maiores geralmente encerram as atividades de uma temporada no início de dezembro, quando acaba o Brasileirão e daí todo mundo entra de férias, 1 mês de férias pra descansar e reapresentação lá por 10 de janeiro. Juntamente, é nesse período que mais entram peças novas nas equipes, incluindo em certos casos treinadores, que não estão nem um pouco adaptados na equipe nova. E depois de 15 dias de “””pré-temporada”””, os times já começam a se degolar no Estadual.

Daí, pros times grandes, vão acontecer 3 ou 4 jogos realmente importantes (não pra competição e/ou pra eles, mas só pelo valor simbólico), que são os clássicos. Em todos os outros jogos, o time vai com obrigação de vencer do time pequeno, acaba sendo obrigado a colocar o elenco principal em campo, gerando possibilidade de lesões graves pra equipe que podem atormentar mais do que só o Estadual. Caso recente que ficou bem evidenciado foi o do Moisés, no Palmeiras, durante o Paulista 2017. Ou será que a torcida alviverde acha que os 6 meses que ele vai ficar parado pelo rompimento de ligamento do joelho um tempo razoável, que ele não é uma peça tão importante no elenco palestrino?

Começar a jogar partidas sérias com tão pouco tempo de preparação de uma equipe nova (ainda usando o exemplo do Palmeiras, que manteve grande parte do elenco e só reforçou, mas teve a mudança de técnico) faz com que o clube ainda se arrisque a atrapalhar o início dos trabalhos dessa nova equipe e de jogar todo um planejamento de médio prazo no lixo, porque já vai haver pressão da torcida por resultados, ainda mais contra clubes de menor expressão – sem contar os clássicos, que quando perde já pode separar o dinheiro de tinta e de segurança extra, porque o muro vai amanhecer pixado e vai ter “torcedor” querendo invadir treino.

E partindo daí pro lado financeiro, outra questão surge: qual o interesse de um time grande em jogar um campeonato inteiro, gastar recursos que poderiam ser investidos de outras formas em jogos que terão público que não garantirão nem que ele tenha lucro 0 na partida? Qual um interesse em jogar um campeonato que suga dinheiro dos caixas?

Matéria do Estadão.

 

Aproveitando que entrei no Carioca, vamos dar uma olhada no fator público de jogos do Estadual 2017, na página da Wikipédia do Carioca:

Mas que m**** de campeonato é esse que só 5 jogos, em mais de 60 disputados, tiveram público maior que 10.000 pessoas? Que m**** de campeonato é esse que uma SEMIFINAL tem menos de 2000 PESSOAS ASSISTINDO O JOGO?

“Ah, Caio, mas isso aí é coisa do Carioca, em outros lugares não é assim!”

Realmente, o Mineiro tá melhor que o Carioca, mas o Cruzeiro tem uma média de público pagante de 7.273 espectadores. E não estamos falando de um time conhecido só no estado ou no país, é o Cruzeiro, finalista de Mundial Interclubes.

Acho que me fiz entender porque acho que não há o menor nível de incentivo pros clubes grandes em disputar o Estadual, além do que, na maioria das vezes, não existe nem a menor comparação deles contra os times de menor expressão. Um campeonato que ainda tem uma igualdade melhor é o Paulista, de vez em quando um menor surpreende, mas ainda assim, esse ano por exemplo temos os 5 times de série A entre os 8 finalistas. Chance matemática de 5/8 de eles levarem o título e futebolística de quase 100%. Imagina nos outros Estaduais que a discrepância é maior.

Mas deixa os grandes de lado, tem mais gente envolvida nessa história.

 

2. Os clubes (pequenos)

Os pequenos, pra mim, são o maior charme dos estaduais.

Não é todo dia que a gente tem a chance de ver o Bangu jogando, a Ferroviária, o Tricordiano, o Cruzeiro-RS. E é EXATAMENTE ESSE O PROBLEMA. Infelizmente a gente não vê todo dia esses clubes jogarem, eles não criam uma sequência de jogos e o calendário oficial anual deles se resume basicamente à disputa do Estadual, no qual dificilmente eles serão protagonistas, terão cota de TV pra auxiliar o caixa, lotarão estádio (SE tiverem estádio pra jogar sem necessidade de aluguel) etc. E pra piorar, pensando no material humano ao qual esses clubes recorrem: quando eles saem do campeonato, na maioria das vezes na primeira fase, o que acontece? Contrato encerrado, jogadores no olho da rua. Agora me diz, como um clube consegue se manter, a não ser por imenso amor das pessoas que o sustentam pela instituição e pelo esporte, ao longo do tempo? E esses jogadores? 3 meses como futebolistas e os outros 9 em outra profissão? O sonho de ser jogador virou um bico temporário?

E nessa cascata catastrófica, sabe quem acaba perdendo? Você, torcedor do time de menor expressão e que não tem condição de ver futebol na sua cidade, nem de acompanhar seu time o ano todo. E isso faz com que cada vez menos pessoas acompanhem o time ao longo do tempo.

Então, você, torcedor, que tá lendo esse texto e quer ver seu time lá em cima de novo, quer ver ele disputando no alto: VÁ AO ESTÁDIO! Não deixe de ir, de apoiar, de gerar renda ao time pra ajudá-lo a crescer. Eu tenho um exemplo da minha cidade (Juiz de Fora – MG), que agora tem dois times jogando no profissional. O Tupi, ano passado jogou a Série B e acabou caindo, mas teve média de público de só 1.161 pessoas. O Tupynambás subiu da segunda divisão do Mineiro ano passado e tá jogando a fase final do Módulo II agora, e o público continua inferior a 1.000 pessoas. Você, torcedor, não só do Galão e do Baeta, VÁ AO ESTÁDIO! Vai ver o time da sua cidade, vai ajudar, vai torcer! Pare de ficar reclamando que o time é ruim, que o time não presta e que nunca vai conseguir, se é você que pode ajudar ele!

E você, prezado diretor de marketing do clube: pense no seu torcedor, pensa em promoção de ingressos, no preço do ingresso que também precisa estar de acordo com o campeonato a ser disputado.

Mas existe uma terceira parte nessa história que pra mim é a mais suja.

 

3. As Federações

Pra que uma federação estadual (e até a nossa confederação nacional) serve? Principalmente, dar apoio e suporte ao desenvolvimento do esporte em nosso país, em todos os níveis – e talvez, com mais importância, nos níveis mais baixos onde a dependência externa é maior em relação aos clubes e competições de maior visibilidade no país. Mas daí eu te pergunto, caro leitor, isso aqui é estimular o futebol?

Você, amigo pernambucano, acha que o futebol estadual tem crescido por conta da FPF?

E você, amigo gaúcho?

Amigo cearense, sua vez.

Daqui.

Daqui.

Daqui.

Você que é do RJ ainda confia na federação de futebol estadual?

Pessoal de MG não fica muito atrás também não.

E, pra mim, a situação mais absurda possível:

Matéria completa aqui.

Qual o papel de uma federação? Auxiliar os times que não têm condição plena de se manter a disputar as competições ou aplicar sanções incabíveis e praticamente extorquir um clube pequeno, que disputaria o MÓDULO II DO CAMPEONATO MINEIRO (2ª divisão local) e, por falta de situação interna, decidiu desistir do campeonato? Fica parecendo que é a segunda opção, já que a FMF decidiu aplicar uma multa de 100.000 REAIS ao clube e ainda baniu sua participação por dois anos de competições estaduais. Eu espero estar errado, mas aposto dinheiro que o Formiga não aparece nem na segunda divisão (3ª local) por um bom tempo. Infelizmente.

Federações estaduais, vocês são nojentas.

 

“Ai Caio, mas você só reclama, reclama, e não dá solução nenhuma pra resolver! ”

 

4. A solução

Não é “A” solução, mas uma possível. Olhe pra organização do futebol inglês.

Numa ilha menor que o estado de São Paulo, existem mais de 700 times que disputam uma única competição nacional (FA Cup), num mata-mata que faz com haja jogos que nunca se imaginaria, como mais recentemente Sutton United vs. Arsenal, na casa do Sutton, um estádio com capacidade pra pouco mais de 7.000 pessoas.

Além disso, o futebol lá é estruturado da seguinte forma: até a National League (5ª divisão), o campeonato é realmente nacional; a partir da 6ª, os clubes vão se dividindo em competições mais regionalizadas, até a 11ª DIVISÃO (sim, amigo, 11ª), na qual os clubes jogam praticamente um estadual brasileiro, mas mais organizado, durante uma temporada toda e com times do mesmo nível. A 11ª é a última em que os clubes participantes são parte da FA Cup, mas para por aí? Não, claro que não. A pirâmide continua e os níveis vão se dividindo até o vigésimo-fucking-segundo. Sim, 22º. As ligas menores são praticamente amadoras, mas todos jogam um campeonato fixo e têm a chance de ir crescendo. Além disso, o campeonato continua tendo patrocínio, dinheiro entrando pra auxiliar os clubes e interesse de disputa dos participantes, bem diferente dos locais daqui.

A minha concepção do que se deveria fazer em relação aos clubes menores é exatamente essa, criando essas divisões menores e cada vez mais regionalizadas que vão crescendo e exibindo cada vez mais o clube a nível nacional, mas incentivando o clube a se manter pela temporada inteira na ativa, atraindo torcedores, verba e visibilidade, criando disputas saudáveis entre equipes menores, inclusive de estados diferentes, podendo ver jogos entre times clássicos de alguns estados, como Juventus-SP vs. Bangu-RJ, etc etc. Parte do que eu digo tá muito bem falado no vídeo do Bate Bola, da ESPN.

Desculpa, leitor, o site da ESPN não permite o compartilhamento dos vídeos deles dessa forma aqui. Mas pro vídeo completo é só clicar AQUI!

Não é apenas pelo fato de que o início da temporada nacional é triste pelos jogos que acontecem que eu acho que os estaduais já tiveram sua hora e deviam acabar, mas mais triste é ver o nosso futebol interno se deteriorando e criando espaço real pra apenas as três elites nacionais. Se seu clube não tá nesse bolo, sinto muito, vai ser surreal tentar se manter vivo.

O Brasil tem muito mais times do que apenas esses 60, e olhar só pra eles é de uma ingratidão sem fim, já que é indo pro estádio, vendo e sofrendo com o time da cidade que a gente aprende como é gostar de futebol, é assim que a gente vê aquela paixão crescer.

 

Se quiserem me xingar, o @obacaio tá aberto a disposição e o melhor grupo do Facebook também!

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Valeu, garela, até a próxima!

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