Criptaremos

CRIPTAREMOS – Presságio

Boa noite,

 

Presságio

substantivo masculino
  1. 1.
    fato ou sinal pelo qual se julga adivinhar o futuro; prenúncio, agouro.
  2. 2.
    indício de algo que está para acontecer.

 

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

PRESSÁGIO

Um casal está na sala de espera, a decoração do ambiente é toda esotérica, olhos gregos e espelhos espalhados pelos 4 cantos, as únicas áreas onde não há espelhos é a passagem para o hall de entrada e uma grande porta de madeira bem escura, com muitos detalhes entalhados, o vermelho predomina nas paredes e cortinas no centro uma pequena mesa.

A mulher é Sofia, ela está aflita, ansiosa por aquele atendimento, se ajeita na cadeira a todo o momento. Puxa o vestido para baixo toda hora, já que cada vez que ela se mexe, o vestido sobe, em suas mãos um grande envelope branco com um emblema azul ao centro e sua bolsa na cadeira ao lado.

Juntamente com ela, na cadeira ao lado, está Rivaldo. Exatamente o oposto de Sofia, ele está tranquilo, está com uma revista na mão mas a foleia desinteressado, não vê a hora desse circo acabar.

Num dado momento ele fecha a revista de uma vez, se vira para a esposa e diz – Sério, mesmo que você vai gastar dinheiro com isso…denovo?

Sofia revira os olhos e brava responde – Não vou entrar nessa discussão com você…denovo!

Rivaldo resmunga – Não sei como você me convenceu a vir aqui.

Algum tempo depois, a grade porta de madeira se abre sozinha e lá de dentro uma voz – Por favor entrem!

Ambos se levantam, Sofia ajeita novamente o vestido e pega a bolsa enquanto Rivaldo olha para o relógio mais por reflexo do que para saber a hora, eles passam pela grande porta e entram em um ambiente escuro, cortinas e véus cercam o ambiente e nenhuma janela é vista, não se sabe se não existem ou se as cortinas são tão grossas que não deixam transpassar a luz, no centro do ambiente está uma grande mesa redonda, em cima dela um objeto esférico translúcido.

A grande porta fecha-se sozinha logo após ambos passarem. O casal senta-se nas cadeias que estavam próximas a mesa e uma música instrumental começa a tocar. Uma parede cortinas se abre e no centro de costas está ela, Madame Zafira, um longo vestido florido ´´e só o que se consegue ver com toda a fumaça que apareceu misteriosamente.

– Bem vinda Sra. Andrade

Sofia está impressionada, sua boca está levemente aberta, Rivaldo por outro lado, cruza os braços e olha pra cima enfadado.

Madame Zafira se vira, uma ultima lufada de fumaça sai pelas laterais, ela se aproxima mas seu rosto está coberto por um véu, suas mãos  cheias de anéis, que só perdem em quantidade para as pulseiras que estão em seus braços.

Sofia, empolgada – Olá Madame Zafira! Como vai? Este é meu ma…..- Zafira interrompe e vira-se para Rivaldo – Bem vindo também Sr. Rivaldo Andrade.

Sofia olha para o marido e dá uma cutucada -Ta vendo, nem precisei te apresentar, ela já sabia seu nome.

Rivaldo balança a cabeça em negação -Você não preencheu a ficha na primeira vez que você esteve aqui?

Zafira arqueia a sobrancelha e faz uma cara feia mas que é logo encoberta por um sorriso falso – Que bom que estão todos aqui!

Após as devidas apresentações Madame Zafira senta-se, puxa a bola de cristal para si, movimenta as mãos por cima dela – Vamos a nossa sessão!

– Senhora Sofia, vamos continuar? – Pergunta Zafira e Sofia responde prontamente – Sim!

– Primeiro deixe-me concentrar – Zafira leva as mãos a cabeça e balbucia algumas palavras. – Aubidici antoviena ritorucci nomoedá – as luzes do ambientes diminuem.

Rivaldo balança a cabeça em negação e ao ver as luzes diminuírem pega o celular e o acende. Madame Zafira o fuzila com os olhar enquanto continua seu mantra, Sofia bate no ombro de Rivaldo que olha com estranheza de volta, Sofia aponta para o celular e Rivaldo acaba cedendo e guardando o aparelho novamente.

Sofia com o envelope em mãos – Sabe Madame Zafira, vim aqui hoje pois….

– ESPERE! – interrompe madame Zafira – Os espíritos falam comigo, eles me dizem que a senhora….a senhora está doente? – pergunta surpresa

Sofia surpresa, se vira para Rivaldo e arqueia a sobrancelhas – Sim…sim…- Mas ela se dá conta e começa a retificar – Bem não…eu nã…

– ESPERE! – Interrompe novamente a cigana.

Rivaldo revira os olhos.

– A senhora não…alguém próximo….muito próximo. Estou com dificuldades de ouvir os espíritos hoje – Diz Zafira levando a mão a cabeça

Sofia com o envelope em mãos – Bem não sei se estou doente, esses são alguns exames que fiz….estava em dúvida em abri-los, mas agora estou com medo!…A única coisa que me conforta é que agora meu marido não tem como negar que a madame já sabia!

Rivaldo balança a cabeça e irônico – Claro, um grande envelope branco com o emblema do maior hospital da cidade no centro… fico me perguntando realmente como será que ela adivinhou? – Rivaldo se levanta e olha envolta – Aliás será que tem um café aqui?

O silêncio toma conta da sala.

Madame Zafira quebre o silêncio, com um sorriso amarelo aponta para o canto direito – Atrás daquelas cortinas ali sr. Andrade – seu sorriso desaparece logo após Rivaldo passa por ela.

Zafira e Sofia conversam enquanto Rivaldo pega uma xícara de café turco, quente, forte, ele toma vagarosamente até ver a borra ao fundo. Após a primeira xícara acabar ele enche a outra vez e volta para a mesa e escuta sua mulher lamuriando

Sofia – Mas será que devo abrir? será boas ou má notícias?

Madame Zarifa – Não serão boas e nem más notícias, serão só notícias. O que você fará em seguida é que definirá quem você deve ser.

Rivaldo – Disse tudo e não disse nada típico do efeito Barnum.

Madame Zafira se vira rapidamente, esbara na xícara e derruba do todo café no homem.

– Oh meu Deus, me desculpe Sr. Andrade, não sabia que o senhor estava tão perto – Diz com um leve tom de ironia a cigana.

Rivaldo percebe e retruca – É realmente, acho que não era só isso que a Madame não sabe!

Os dois se encaram com um sorriso malicioso.

Sofia interrompe a troca de olhares de ambos – Madame Zafira, acho melhor pararmos por aqui! – Os 2 se viram para Sofia – Eu volto um outro dia… sozinha – completa olhando para o Marido.

– Não me oporei a essa sugestão, vamos marcar uma outra hora…realmente hoje os espíritos estão quase que incomunicáveis.

Rivaldo só balança a cabeça negativamente, enquanto passa a mão em sua camisa com a grande mancha de café.

Sofia entrega o grande envelope à Rivaldo que ainda segura a xícara na mão, pega a bolsa e a abre, mexe um pouco nela como se procurasse algo e resmunga – Ai, acho que deixei no carro.

– Madame Zafira, me desculpe…acho que deixei o talão de cheque no carro eu vou pegá-lo.

Ao ouvir sobre o talão a cigana volta a abrir um largo sorriso – Sim claro Sra. Andrade, por aqui – completa apontando para a grande porta que o casal havia entrado anteriormente.

Na recepção, Rivaldo vê alguns lenços de papel que estavam na mesa de centro, deixa a xícara, pega alguns e tenta secar o café de sua camisa.

Sofia – Amor, espere aqui enquanto eu pego o talão….acho que há uma camisa sua jogada dentro do carro.

Ela sai tocando os sinos da porta. A cartomante mantém o sorriso até a sra. Andrade sair, assim que o barulho dos sinos é ouvido ela se vira irritada para Rivaldo

– Ok sr. Abílio minha paciência com o senhor se esgotou, o senhor tem suas crenças e eu tenho as minhas, por favor um pouco mais de respeito!

– Eu sou uma pessoa estudada, o que a senhora faz é explorar a fé dos outros, não passa de crendice popular!

A cartomante abre um sorriso malicioso – Não acredita? Ok! eu não costumo falar essas coisas… Sou de uma família muito antiga de ciganos, tarô, i-ching e a quiromancia são habilidades que faço com o pé nas costas…mas minha especialidade e a leitura de borras de café, já ouviu falar? – diz a cigana enquanto pega a xícara que está em cima da mesa de centro.

Ela encara a xícara por um certo tempo, até que arregala os olhos e solta a xícara das mãos. Ela acompanha a xícara cair lentamente e se espatifar no chão. Cobre a boca com uma das mãos.

– Senhor Andrade….o senhor….o senhor…lhe resta pouco tempo.

Rivaldo ri.

A cartomante em choque continua – Não será um fim pacífico…

Abílio continua rindo

A cartomante olha confusa e diz para si – Não foi isso que eu vi…. era diferente…suas roupas…..não, suas roupas não são essas que eu vi, então há tempo, então há tempo.

O homem olha com estranheza para a quiromante – Não são essas? Então como será a minha morte?

– Essa calça, parece muito com essa calça mas a camisa… a camisa não era essa…era…era preta e um desenho de alguns coqueiros, palmeiras…. algo assim.

A cartomante fica mais aflita – Vá…. o senhor tem que ir agora….vá embora, não quero mais seu dinheiro…. vá!

O sino da porta volta a tocar e a sra. Andrade chega balançando o talão com uma mão – Aqui está! na outra mão uma camisa preta, ela arremessa para Abílio que a pega no ar…. Ele encara a camisa e a cartomante, que olha em choque a camisa nas mãos de Rivaldo que ao esticar a camisa há uma estampa com dois coqueiros.

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