5 Músicas

5MÚSICAS: Não entre em pânico!

Dia da Toalha, queridos leitores! Caso seus navegadores já não tenham sido bombardeados por essa informação, trago-lhes ela e mais um post especial para esse dia tão aclamado pelos fãs de Douglas Adams. Com alguma pesquisa selecionei 5 músicas que tem tudo a ver com o Guia do Mochileiro das Galáxias e/ou com o mestre dessa obra. Não entre em pânico!

Começando

Pra quem não tá entendendo nada do que eu disse, esse texto é parcialmente pra você. Se você não sabe quem foi Douglas Adams, o que é Guia do Mochileiro das Galáxias, quem é Zaphod Beeblebrox, qual o estilo da Disaster Area ou pra que serve um sensormático subeta, eu só posso dizer que é uma pena, mas que tem solução. Pra quem sabe o que estou dizendo, espero poder adicionar mais alguns fatos desconhecidos para você.

O livro

O Guia do Mochileiro das Galáxias é uma coleção de 5 livros (o quinto meio controverso segundo o próprio autor) que retrata o que acontece após um infeliz incidente com nosso querido planeta, que não é simplesmente um planeta. A história toda é requintada e cheia de detalhes que mostram toda a genialidade de Adams ao criar uma ficção que consegue compreender filosofia, física, psicologia, improbabilidade infinita e humor em uma série de páginas tão bem escritas, que quem termina de ler gostaria que houvessem mais volumes.

O cara

Douglas Adams era, pois faleceu em 2001 aos 49 anos (e por isso a data do Dia da Toalha em sua homenagem), um autor britânico que escreveu esquetes para Monty Python (onde inclusive atuou), escreveu roteiros para Doctor Who e a incrível obra do Guia, que foi série de rádio, tornou-se uma série de televisão, de livros e também um video game em 1984, além do filme no recente 2005. Adams era um defensor do meio ambiente, era um ativista e escreveu uma série de rádio de não-ficção intitulada “Last Chance to See”, que posteriormente tornou-se livro, e falava sobre animais em extinção e as circunstâncias que os levaram a este status. Ele também era apaixonado por carros e inovações tecnológicas além de ser um ateu radical, que dizia ser radical no sentido mais energético da palavra para que tornasse tudo mais fácil de explicar: “estou convencido que deus não existe”.

E tudo mais

No Guia do Mochileiro das Galáxias, Adams ‘responde’ todo um universo de dúvidas que temos em nossa existência como raça humana, com o mais fino humor britânico que existe, usando raças alienígenas para explicar comportamentos humanos da maneira mais irônica possível para que o leitor se questione “será que somos assim mesmo?”, como por exemplo, os vogons, que são uma raça extremamente burocrática e sem graça (dentre outras coisas) e são uma paródia perfeita de toda a burocracia e papelada que a era pré-popularização dos computadores tinha. No primeiro livro da série ele diz que os vogons

“seriam incapazes de levantar um dedo para salvarem suas próprias avós da Terrível Besta Voraz de Traal sem antes receberem ordens expressas através de um formulário em três vias, enviá-lo, devolvê-lo, pedi-lo de volta, perdê-lo, encontrá-lo de novo, abrir um inquérito a respeito, perdê-lo de novo e finalmente deixá-lo três meses sob um monte de turfa, para depois reciclá-lo como papel para acender fogo”.

Ele tinha muitas maneiras de satirizar as atitudes humanas perante diversas situações que percebemos, depois de ler os livros, como são banais e que complicamos por simples instinto humano de querer complicar as coisas ao invés de simplesmente resolvê-las. Sem dar muito de fã enlouquecido do trabalho do cara, vou parar de escrever e deixar algumas recomendações, as músicas e os motivos para escolha delas, e uma citação dele que sempre gostei.

Recomendações

  • Leia a série Guia do Mochileiro das Galáxias – São 5 livros que quem gosta de ler termina em 1 mês facilmente. Além disso tem o Salmão da Dúvida, que é um livro que foi publicado posterior à morte de Adams mas que contém muito material dele, além de textos não acabados e é praticamente uma biografia póstuma dele. Confesso que comecei a gostar de ler por causa do Guia.
  • Assista essa palestra dele no You Tube – Para assistir, é necessário que você entenda de inglês, mas vale cada segundo dessa quase uma hora e meia de vídeo, em que ele fala sobre tudo, mas principalmente, você consegue perceber cada um dos detalhes da sua vida: o humor, a causa dos animais ameaçados de extinção, o ateísmo, etc.

Motivos de escolha das músicas

Journey of The Sorcerer – Eagles

Essa música era a abertura da série original da rádio BBC. Foi escolhida pelo próprio Douglas Adams por causa da sua ‘psicodelia’ e uso de alguns sons que remetessem ao conceito de espaço. A música foi usada também no filme de 2005 numa versão cover para que os valores de direitos sobre a canção não encarecessem o filme que contava com Martin Freeman (Sherlock, O Hobbit) e Zoey Deschanel (New Girl, 500 dias com ela) dentre outros grandes atores.

Tunnel of Love – Dire Straits

No quarto livro da série, prévio a um dos poucos momentos de romance que encontramos na obra inteira, o protagonista, Arthur Dent, coloca um disco do Dire Straits pra tocar e Adams descreve:

“Mark Knopfler tem um talento extraordinário para fazer a guitarra Schecter Custom Stratocaster cantar e uivar como anjos no sábado à noite, exaustos de serem bonzinhos a semana toda e precisando de uma cerveja bem forte”

A cena vai além disso e ele fala que não ficaria com um cronometro cuidando meticulosamente em que ponto do álbum as personagens estariam para saber qual música seria para acontecer cada ação. Ele também não cita especificamente qual álbum, por isso nos deixa a liberdade de imaginar qual seria. Em fóruns e discussões sobre esse trecho especifico do livro, algumas pessoas citam a música escolhida, que coincidentemente é uma das minhas favoritas da banda, e caracteriza bem o que ele falou no paragrafo que citei antes.

Paranoid Android – Radiohead

O nome da música é uma referência a Marvin, o androide paranóide, personagem da série do Guia. A música em si, trata de uma situação acontecida com o vocalista do Radiohead e não tem muito a ver com a personagem, além do tom melodramático que a música tem e que lembra muito bem o androide da série, que tinha como padrão de comportamento ser depressivo perante toda e qualquer situação mesmo tendo “o cérebro maior que alguns planetas”. No filme de 2005 a voz do androide foi feita por ninguém menos que Alan Rickman, o eterno Professor Snape dos filme da saga de Harry Potter.

Brain Damage – Pink Floyd

Adams era muito amigo de David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd. Gilmour prestou algumas homenagens ao amigo após sua morte. Mas enquanto vivo, o escritor ganhou de presente de aniversário de 42 anos a participação em um show do Pink Floyd como guitarrista em duas músicas: Brain Damage e Eclipse. Adams era guitarrista por hobbie, canhoto e tinha uma coleção de 24 guitarras (todas para canhotos). Douglas Adams ainda foi quem escolheu o nome do álbum Division Bell de 1994. Além disso, durante a série, é dito que Marvin escuta uma versão de Shine On You Crazy Diamond, a banda Disaster Area que aparece no segundo livro é uma referência ao Pink Floyd e a biografia de Adams leva o título Wish You Were Here.

GRAND HOTEL – Procol Harum

A ideia para o segundo livro da série veio enquanto Adams ouvia GRAND HOTEL da banda Procol Harum. Ele explica:

“De repente, no meio da música tinha esse climax de uma orquestra enorme que veio do nada e não parecia ser sobre nada. Eu fiquei imaginando o ‘que poderia ser esse grande espetáculo acontecendo no fundo?’ e eventualmente eu pensei ‘parece que está acontecendo um tipo de evento’. Algo enorme e extraordinário, como, bom, como o fim do universo.”

Uma citação

“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável * Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”

Terminando

Era isso, pessoas! Espero que gostem, desculpe por me prolongar e tomar tanto tempo do que deveria ser uma leitura rápida, mas espero que tenham gostado da seleção de músicas e desse breve resumo de um fã. Tentei abordar coisas um pouco menos citadas sobre Adams e o Guia, porém todo o conjunto da obra dele é infinitamente maior que isso, mas pode ser facilmente encontrado com uma pesquisa rápida. Além do mais, também quis deixar muitas referências e informações faltantes (por que Dia da Toalha?) para que desperte a curiosidade de quem ainda não conhece essa obra magnifica. Até mais e obrigado pelos peixes!

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