Criptaremos

CRIPTAREMOS – Igual a Mamãe

Boa noite,

 

A pureza é a qualidade do que é puro (aquele ou aquilo que está livre e isento de qualquer mistura de outra coisa, que não inclui nenhuma condição, excepção ou restrição nem prazo ou que está isento de imperfeições morais). De tudo que possa se pensar é inegável afirmar que crianças são puras, mas o significado não tem apenas o lado bom.

 

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

IGUAL A MAMÃE

Naquela tarde de sábado Maicon anda com seu filho Douglas pela rua, em dado momento da caminhada o pai percebe que a criança está triste. Ele sabe bem o motivo da tristeza, ambos estão se dirigindo para o hospital São Cristóvão visitar Maria, mãe de Douglas. O pai pensa em tudo o que seu filho está passando naquela última semana, já que além de ter sua mãe seu filho também presenciou o motivo dela estar lá e tenta distraí-lo

– Filho, vem aqui. – a criança cabisbaixa vai até o pai, este se abaixa e levanta a cabeça da criança – Que tal se brincarmos?

Douglas olha para o pai e abre um sorriso – Tá bom, vamos brincar de…de….Não pisa na linha igual a mamãe? – Maicon abre um sorriso e anui –  Mas temos que nos apressar, ok? Vou te dar vantagem, VAI!

Maicon já conhecia aquela brincadeira, não por nada mas era a preferia de seu filho, ele a Maria costumavam sempre brincar assim. A brincadeira consistia simplesmente em andar ou correr olhando para o chão e pulando pelo caminho para não pisar na linhas que as rachaduras formavam.

Douglas mantém a dianteira por poucos metros, mas seu pai por ser maior acabando passando por ele. A criança ri, parece que quando começou a correr deixou para trás a tristeza que o acompanhava. Maicon um pouco mais a frente, poucos metros antes de  chegar a esquina vira-se de costa e diz alto – Eu vou chegar e ver a mamãe primeiro! – e volta a virar-se para frente.

A criança olha para os pés do pai que quando estava correndo de costas acaba pisando em uma das linhas da calçada e cessa a corrida, o sorriso que tinha no rosto se vai, dando lugar a tristeza que parece o ter alcançado novamente. Maicon olha por sobre os ombros e vê o filho triste, ele para na ponta da calçada antes do cimento cinza claro mudar de altura e para o piche negro que forma a rua, ali espera o filho alcançá-lo, a criança vem num ritmo lento e cabeça baixa.

Ao chegar perto o pai se abaixa e pergunta – O que foi filho?

Douglas exitante responde com os olhos marejados – A….a…a mamãe – o pai arqueia as sobrancelhas – Filho, estamos indo visitá-la. Ela vai ficar bem os médicos estão cuidando dela, não precisa ficar triste por causa disso!

O filho passa a mão no rosto para enxugar uma lágrima – Eu não to triste por causa disso! – Maicon pergunta – Então o que foi? Por que você falou da mamãe?

– É que o senhor fez igual a mamãe – responde – o pai retruca sorrindo – Fiz o que filho?

– Pisou na linha igual a mamãe – diz a criança enquanto aponta para trás o local onde o pai pisara. – E? – questiona novamente o adulto.

– O senhor perdeu, igual a mamãe! – O pai ainda sem entender – E você tá triste porque eu perdi?

– Não papai, quem pisa na linha não perde…

– …Quem pisa na linha…..morre, igual a mamãe!

O menino levanta a cabeça com um sorriso diabólico e empurra o pai que cai na rua, no exato momento que um ônibus se aproxima rapidamente, o som de freada e a batida seca ecoam junto com os gritos das pessoas que por ali passavam.

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