Egocentrismo

O dia em que o Capinaremos foi parar no Fantástico.

Esse texto não tem relação com o outro texto que fiz no sábado, referente ao Capinaremos ter sido citado no The New York Times. Talvez só um pouquinho.

Se dissessem pro Zanfa de 2007, ainda no ensino médio, que haveria no futuro um belo final de semana onde ele seria citado num dos maiores jornais do mundo e também apareceria em uma matéria do Fantástico, um dos programas de maior audiência no horário nobre dominical brasileiro, com certeza ele imaginaria que estaria sendo trollado.

Para ser honesto, se você falar isso para mim agora, o Zanfa de hoje, talvez ele também ainda não acredite.

Muitos de vocês conhecem a história do Capinaremos, alguns de vocês visitavam o blog há muitos anos e pensaram que ele havia morrido e com certeza muitos de vocês nunca ouviram falar e estão até agora entender quem é esse cara que apareceu como um suposto “criador de memes” na Rede Globo no último domingo.

Então, aqui vai um breve resumo do que nos trouxe até aqui: nascido em setembro de 2007, entre milhares de blogs que nasciam a cada dia, o Capinaremos apostou em uma mecânica de ‘agregador de conteúdo’, ou seja, literalmente capinávamos a internet em busca de boas postagens, fazendo as traduções e adaptações conforme necessário.

E assim foi durante muito tempo. O blog começou a tomar notoriedade e uma quantidade significativa de visitantes, atingindo seu “ápice” em 2009/2010. Foi nessa época que começamos a nos tornar referência em memes com os ‘rage comics‘, ou parafraseando nosso querido Cauê Moura, os bando de carinhas. Foi nessa época também que surgiram outros grandes blogs de humor, como o Le Ninja, o Trollando e o Ah Negão.

Era a “época de ouro” dos blogs, as pessoas tinham vários blogs nos favoritos dos seus navegadores e acessavam religiosamente todos os dias em busca de novos posts. Os blogueiros eram procurados para fazerem propagandas, os anúncios e banners nos espaços disponíveis eram disputados e tudo ia bem.

E então surgiu o Facebook. No começo ele apareceu como uma forma de ajudar a divulgar os blogs, afinal todo mundo estava naquela rede e as postagens do blog alcançavam quantidades de pessoas nunca antes vistas. Contudo, pouco a pouco e depois rapidamente, as pessoas passaram a não visitar mais os blogs, preferindo ficar apenas no Facebook, afinal já estava tudo lá. Além disso, o algoritmo de alcance do Facebook que sempre nos ajudou, foi sendo alterado gradativamente até chegar a níveis ridículos, como são os atuais. Ou seja, as pessoas pararam de sair do Facebook e a maioria das nossas postagens não mais chegavam até a timeline das pessoas.

Nessa época, algo em torno de 2013/2014, tivemos duas reações importantes por parte dos blogueiros: uma grande quantidade desistiu e acabou com seus blogs e uma outra parte decidiu migrar para o YouTube, uma ferramenta que começava a dar uma visibilidade interessante e também algum dinheiro para seus criadores.

Outros, mais teimosos, como este que vos fala, continuaram com seus blogs. Não se enganem, já pensei em parar com essa loucura muitas e muitas vezes. Mas continuei, agendando e procurando posts diariamente, para um público cada vez menor, mas um público fiel. Sei que muitos de vocês acompanham o Capinaremos há muitos anos e também minha trajetória que foi contada nas tags no decorrer dos anos, como quando conheci minha esposa, quando nasceu minha filha, meus perrengues no trabalho e na faculdade, minha formatura e minhas promoções. Enfim, sou muito grato a todos vocês e também ao ato de “blogar”, mais que um hobbie, uma verdadeira terapia.

Mas não parei no tempo, busquei adaptar o conteúdo do blog e adaptar também alguns formatos de divulgação. Uma importante aposta que fizemos foi focar na ferramenta de grupos do Facebook, que se mostrou uma forma excelente de interação com o público, bem como de fidelização dos leitores. Que devo dizer, em pouco tempo deixaram de ser leitores e se tornaram de fato amigos, muitos deles tive o prazer de conhecer pessoalmente e receber em minha casa.

O grupo do Facebook do Capinaremos se tornou uma massiva fonte de conteúdo, principalmente para a nossa página do Facebook, que teve um crescimento exponencial quando começamos a manter um nível bacana de quantidade e qualidade de postagens. Na virada de 2015 para 2016 e no decorrer do ano passado, saímos de cerca de 100 mil “curtidores” para quase 800 mil.

O que nos leva ao ponto-chave deste post: Como fomos parar no Fantástico.

Em novembro de 2016, seguindo um modelo já bem sucedido e que tínhamos experiência em lidar, criamos a Capina Meme Factory, um grupo onde reuniríamos todos criadores de memes e entusiastas do Capinaremos. Seria um grupo única e exclusivamente dedicado a criação de conteúdo de qualidade, para munir também nossa página e demais redes com conteúdo próprio e inédito.

O sucesso do formato foi praticamente imediato, devido a um simples fato: temos o privilégio em ter um seleto grupo de seguidores e amigos. Gente genial mesmo, com ideias sensacionais, com um timing perfeito, que entendem e aplicam as referências e que gostam do Capinaremos. Então, se me perguntarem “como você foi parar no Fantástico?”, a minha resposta só pode ser uma: por causa da gente FODA que me acompanha.

É simples assim, se eu tive uma sorte ou um dom nessa vida, foi o de atrair e trazer pra perto de mim pessoas fantásticas. Pessoas que seguem o Capina há muito tempo, que apoiaram financeiramente quando eu mais precisei e que sentem prazer em fazer parte dessa família, seja criando, seja comentando ou seja apenas rindo e se divertindo.

Em cerca de 6 meses de vida da Capina Meme Factory, praticamente dobramos o tamanho da nossa página, saindo de 700 mil likes para quase 1 milhão e 300 mil. O conteúdo da página, desde que criamos o grupo, é praticamente gerado exclusivamente pela CMF, são centenas de memes criados todos os dias que também acabam sendo aproveitados em outras redes.

É importante também citar que a organização do grupo se tornou um diferencial para seu crescimento e evolução. E por isso aqui agradeço os moderadores que me ajudam nesse trabalho na CMF: Nelson, Menossi, Andrei, Guilherme e Roque. São incansáveis no controle de qualidade e no auxílio aos mememakers, muito obrigado mesmo.

Foi através desses dois fatores, memes de qualidade e organização, que em pouco tempo e com poucos recursos, nos tornamos referência nessa “terra sem lei” que é a esfera de criação de memes na internet. Talvez jogue uma pitada de sorte na jogada, um empurrãozinho do Temer e pronto, chegamos na Globo.

A reportagem, para quem não viu, está disponível aqui embaixo:

Não faço ideia de qual será o nosso próximo passo, por enquanto estou satisfeito em simplesmente continuar trabalhando, aumentando nosso alcance e fazendo cada vez mais pessoas darem risada. Seguimos em frente, sempre nos adaptando e espero que você leitor também esteja por aqui para ver aonde isso tudo vai dar.

Carinhosamente,
Sandro Sanfelice
Vulgo Zanfa

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