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Imaginaremos #28: O método do caos

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Sejam bem-vindos a mais um Imaginaremos, a coluna semanal de RPG do Capinaremos! Hoje, trazendo a vocês algo de utilidade pública. Como criar personagens caóticos melhores!

Quem é você?

giphy-downsizedVamos encarar os fatos, ok? Causar desordem é legal, muito legal. Ser capaz de desligar sua moral ou arrebentar com o conformismo que estamos acostumados todos os dias é um poder tremendo dado aos jogadores em cenários de fantasia. Basta ver as vendas de Grand Theft Auto. De qualquer forma, jogando com personagens caóticos, é muito mais fácil focar nos atos de desordem aleatória que você provocará do que em quem seu personagens é de verdade. Seja você um anarquista passional, um bardo biruta ou um criminoso impiedoso, suas ações requerem contexto. E esse contexto vem diretamente das suas ações, história, personalidade e motivações.

Mas por que isso? Por que simplesmente não virar a mesa e esfaquear o taverneiro pelas costas pelo maior valor? Bem, justamente pela história. Uma história bem contada engaja mais audiência, ou no caso, seus amigos jogadores. Quando seus amigos perceberem que eles tem um personagem fantástico interpretado com maestria, eles investirão mais de suas interações durante o jogo com você.


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Além disso, delimitar os parâmetros de seu personagem dá mais flexibilidade às ações dele. Como um Mestre de Jogo e como Jogador, já me vi “esquecendo” as ações não-ortodoxas de um companheiro de aventura caótico, simplesmente por que existia uma justificativa sólida por detrás de suas ações. Quando você constrói um personagem baseado na narrativa, é muito mais fácil administrar o grupo e o foco da aventura se torna realmente a diversão (e não uma discussão desenfreada de regras).

4 paladinos e um assassino…

Tende a ser uma ideia ruim. Algumas vezes, mesmo o melhor jogador, jogando com o personagem mais dinâmico, amável e caótico pode não se enquadrar com o estilo do grupo ou o tipo de história que o Mestre de Jogo está tentando apresentar. Apesar de eu ser totalmente a favor de adaptar as campanhas narradas de acordo com seus jogadores, eu também sei que existem certos tipos de histórias que são simplesmente incompatíveis. Isso pode acontecer com qualquer alinhamento, mas sempre vejo mais 38bZoSkcasos de personagens caóticos (Leal/Bondoso está em segunda colocação nesse ranking).

Não existe solução rápida para isso, apenas um bando de perguntas que você deve responder enquanto jogador. Um assassinato violento se enquadra com um grupo de combatentes sagrados (Se sua resposta for Deus Vult, então sim)? Seu personagem realmente soma a essa campanha? Você está disposto a fazer seu personagem mudar para que ele se adeque mais a campanha jogada? Isso é com você, jogador. Um ladrão aloprado pode ser o centro das atenções dinâmicas entre jogadores e histórias, mas às vezes, jogar com um Chaotic/Evil em uma terra de Lawful/Goods vai te dar dor de cabeça, todos irão ficar irritados e o jogo não progredirá. Então pense bem se seu personagem se enquadra no tipo de aventura e pergunte ao seu Mestre de Jogo.

Caótico não quer dizer aleatório

Um grande número de pessoas tende a pensar que ser caótico é agir sem pensar e não haver lógica alguma por trás de suas ações. Embora isso seja divertido por um tempo, é apenas uma questão de tempo até que as ações desse personagem tornem seus companheiros apreensivos ou hostis. Além disso, ser constantemente randômico é exaustivo. Isso leva a suas ações tornarem-se repetitivas e logo, seu poço de criatividade torna-se seco ou então suas ações escalonam, em uma tentativa de manter as coisas giphyexcitantes e dramáticas. De qualquer forma… Não dá pra aguentar muito.

Pode parecer meio paradoxo, mas os melhores personagens caóticos são aqueles que os jogadores são mais consistentes em suas ações e a lógica por detrás das mesmas. E por ser consistente, entenda ser compreensível. Os outros jogadores e o mestre de jogo devem saber o que você irá fazer, para que assim possam saber como você reagirá às reações deles. Isso torna fácil para que eles antecipem, participem e colaborem com suas ações. Você facilmente pode criar um padrão limpo para sua conduta suja através de um comportamento consistente e uma personalidade bem definida para seu personagem.

Conflito vs. Cuzice

Personagens caóticos e personagens malignos compartilham uma linha tênue. É perfeitamente normal para um personagem discordar do que seus companheiros fazem. Trata-se do conflito narrativo e ele é essencial para o desenvolvimento da campanha. É de responsabilidade do Mestre de Jogo agir como juiz e manter o jogo progredindo, mas é esperado que todos os conflitos em-jogo sejam resolvidos em-jogo e tragam diversão a todos. Mas traições não-sancionadas pelo Mestre, ataques aos personagens-jogadores ou NPCs importantes ou mesmo um temperamento atrevido podem travestir-se de 9gQBCVWcomportamentos “caóticos” e dar nos nervos de toda party.

Uma excelente maneira de evitar ser um grandessíssimo cuzão é verificar se existem motivos para suas ações. Se você estiver agindo de acordo com o que seu personagem anseia, precisa, ou então baseado nos relacionamentos que ele cultivou, então está tudo bem. Mas se você estiver apenas causando confusão por causar, aí sim você ultrapassou a linha que separa um personagem carismático sendo um completo asshole de um completo asshole tentando ser um personagem carismático. Cuidado com isso. Um personagem caótico sempre tentará derrubar um líder politico poderoso por que ele acredita que assim fará do mundo um lugar mais pacífico. Um cuzão maltrata um NPC simplesmente pra encher a paciência do Mestre de Jogo e dos outros jogadores.

Seja caótico, não seja cuzão.

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Essas foram minhas dicas para a melhor construção de personagens caóticos. Se tiver alguma sugestão, compartilhe sua louca sabedoria nos comentários abaixo. Uma ótima semana e boas rolagens a todos!

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