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PROBLEMATIZAREMOS – Mãe solteira não é estado civil

Mãe solteira é apenas um rótulo imposto à uma moça que possui filho(s), mas que não possui um relacionamento. Isso porque muitas pessoas costumam associar o fato de uma moça com filhos e sem um homem ao seu lado, com uma situação degradante para a mulher. Como se ser mãe solteira fosse algo incomum, ou pior, algo que desabone a conduta de uma mulher.

Devemos inicialmente destacar que uma pequena parcela é mãe solteira por opção. Por alguma razão essas mulheres resolveram ter um filho sozinha, seja por inseminação ou não. Por algum motivo essas mulheres optaram por não querer um pai para seu(s) filho(s), o que é uma atitude muito corajosa por parte dessas mulheres.

Porém, mais corajosas ainda são as moças que criam seus filhos sozinhas, com pais presente ou ausente, mas que assumem para si a grande responsabilidade e missão de ser mães de filhos que não pediram para serem abandonados por seus genitores, e que por essa razão, merecem tudo de melhor que uma família (mesmo que uma família de dois) possa oferecer.

Diferente das mães que optam por uma gravidez independente, muitas mulheres passam pela experiência da separação. Muitas separam depois de anos de relacionamento, enquanto outras são, por vezes, abandonadas antes mesmo do parto, carregando o rótulo de mãe solteira desde a sua gestação. E quando essa separação acontece, a responsabilidade do filho recai, inevitavelmente, sobre sua mãe.

Acontece que ninguém planeja ter um filho e depois se separar, ou até mesmo ser abandonada durante a gravidez. Ainda que haja um descuido que acarrete em uma gravidez indesejável, quem leva o rótulo é sempre a mulher e jamais o homem, pois, nesse caso, sendo os dois solteiros, não seria justo que o homem recebesse também esse estigma?

 

SIGNIFICADOS DISTINTOS

Mãe solteira e pai solteiro tem, nesse momento na nossa sociedade, significados totalmente distintos. Um homem considerado pai solteiro é aquele que cria o filho sozinho, sem a ajuda da mãe da criança, e é sempre visto como um herói, enquanto que uma mulher que cria seu filho sozinha ganha o rótulo de mãe solteira, e este rótulo tem sempre o significado mais pejorativo possível.

Enquanto um pai solteiro é visto como um homem exemplar na sociedade, mãe solteira é sinônimo de promiscuidade, irresponsabilidade, mulher “para comer“. Enquanto na Índia mulheres viúvas (acontecimento que foge totalmente a sua vontade) são condenadas a isolarem-se da sociedade pelo simples estado de viuvez, aqui vemos muitas vezes homens, e até mesmo mulheres, isolando moças solteiras e com filhos de um relacionamento sério, criando polos onde encontramos as “mulheres para casar” e “mulheres para comer“, inserindo as solteiras com filhos no segundo polo.

Tratam a mulher solteira com filhos com indigna de respeito pelo simples fato de ser solteira e possuir um herdeiro, desconsiderando que mulheres se separam de maridos/noivos/namorados/ficantes, mas não se separam de seus filhos. Tratam a mulher solteira e com filhos com indigna de um relacionamento sólido, mas esquecem que para aquela mãe ter um filho, ela precisou da ajuda de um homem. Então porque esse homem não é tão indigno quanto essa mãe solteira?

Mãe solteira não é estado civil. Estado civil é apenas ser solteira. Nenhuma mãe é rotulada por ser “mãe casada“. Mães solteiras são apenas moças que não tiveram sorte no relacionamento anterior e que, embora todas as adversidades vividas por seres humanos em geral, quer seguir em frente. E as vezes dar seguir em frente é ter também uma relação. É ter um amor. É ter um amigo, confidente e parceiro. É ter um cúmplice na vida.

Mães solteiras são solteiras por opção ou acaso, mas nada disso impede que elas não possam deixar de ser solteiras. Mães tem o direito de tentar de novo, de ser feliz e principalmente de serem respeitadas. Uma mãe solteira não tem como objetivo “buscar um pai” para o seu filho. Ela somente quer ser tratada como qualquer outro ser humano que anda por aí em busca da sua felicidade.


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