Criptaremos

CRIPTAREMOS – Vermelho como o fogo

Boa noite.

 

Os ruivos naturais representam entre 1% e 2% da população mundial (de 70 milhões a 140 milhões de pessoas), mas nascer com essas características não é coincidência, muito menos uma mistura entre cabelos escuros e loiros. Trata-se de uma mutação genética promovida por um gene recessivo.

O conto de hoje é em homenagem ao nosso querido Marcos Ghesla colunista do Pouparemos

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

Vermelho como Fogo

Noite quente de verão, Jefferson está parado no meio da rua e com uma das mãos em forma de pinça segura no alto uma aliança dourada, ele olha catatônico através do orifício da aliança sua casa, um belo sobrado localizado no subúrbio, arder em chamas. As labaredas iluminam o baixo relevo do anel onde lé-se 19/12/2016 – Michaela.

Uma lágrima escorre pelo seu rosto enegrecido pela fuligem. Sua outra mão está fechada firmemente, por onde escorrem algumas gotas de sangue.

– E pensar que até agora pouco você estava comigo – Diz para si mesmo

– Porque? Porque? Porque isso foi acontecer?

– Você era tudo o que eu queria!

Jefferson abaixa a mão e a cabeça, começa a chorar copiosamente. Nesse momento vem a sua cabeça as visões de minutos atrás, quando ele estava em sua casa admirando sua mulher que havia adormecido no sofá. Enquanto a encarava, pensava
por, como é bela a mulher que ele escolheu.
Em sua mente flashs dos momentos mais importantes que viveram, para ele principalmente, já que ele considerava Michaela a coisa mais importante da sua vida.

No dia em que a viu pela primeira vez, aquela linda mulher com pele extremamente clara, onde eram visíveis até a menor das veias, um corpo modesto sem muitas curvas se comparado há grande maioria, mas na medida certa, um rosto fino e cheio de pequenas sardas, olhos de um negro profundo se destacavam com toda aquela claridade em volta, mas de tudo o que mais chamava a atenção, principalmente para Jefferson, eram seus cabelos: madeixas vermelhas claras, brilhavam como fogo vivo sob a luz do sol. Jefferson soube ali, naquele momento, em que o mundo em volta parou e uma luz celestial pairava sob ela, que ela era a mulher de sua vida.

Ainda chorando no meio da rua Jefferson se perguntava – Por que? Por que? – A tristeza dele era um misto de raiva e remorso, já que antes dela adormecer no sofá ele discutiram, o motivo era extremamente bobo como quase todas as brigas de casais, ela havia pintado o cabelo de moreno e Jefferson não gostou muito no novo visual da esposa, ele amava os cabelos ruivos dela, amava muito. Ambos discutiram, ele por querer que ela voltasse com a cor escarlate nos cabelos e ela por não querer pintar de novo. Ele se trancou no quarto como uma criança mimada e ela chorou, chorou até pegar no sono no sofá.

Enquanto a admirava, foi quando ele decidiu que ele teria de volta os cabelos vermelhos.

Ao se lembrar disso, no meio da rua, foi quando Jefferson parou de chorar, ergueu a cabeça, fez uma careta carrancuda e brava e deixou a caixa de fósforo que estava em sua outra mão, cair no chão.

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