Imaginaremos

Imaginaremos #32: Seu Apelão!

Capa Imaginaremos32

Ah… Mas esse talento trespassar combado com ataque poderoso tá apelão demais. Que personagenzinho mais sem personalidade o seu!

Mas… Eu escrevi cinco páginas de background, explicando como meu guerreiro alcançou tamanha maestria nessas técnicas e…

Não quero saber. Duvido que tenha sido a primeira ideia. São apenas justificativas falhas… Apelão é f@#! viu…

É meus amigos e amigas roladores de dados, estamos de volta. E hoje, vamos discutir um pouco mais sobre PODER e como elucidar situações problemáticas como essa acima em sua campanha. Sejam bem-vindos ao Imaginaremos!


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Vamos começar pela parte mais simples e que a maioria das pessoas entende errado. Não tem nada de errado com um personagem poderoso. Ok… Talvez algumas coisas possam atrapalhar a campanha mas isso não quer dizer que ele não foi bem escrito!

Encarar poder e interpretação como fatores antagônicos é uma ideia batida, e já faz tempo. Basta olhar para personagens famosos da literatura. Aragorn, Merlin, Thor, Darth Vader… Existem centenas de exemplos de personagens poderosos e eximiamente escritos, com personalidades e necessidades bem desenvolvidas. É claro, uma ficha de personagem deles seria composta por combos e mais combos, mas isso não os faz personagens menores.

Grande maioria acredita que existe algum mérito em criar um personagem propositalmente fraco. Talvez pensem que seja mais bonito encarar os obstáculos de uma maneira mais árdua. Mas não precisamos ir tão longe para perceber o óbvio. Algumas coisas vem para necessidade. Um guerreiro seria bem mais útil em combate com uma especialização focada em dano do que uma perícia puramente interpretativa. Não é apenas pela escolha mecânica, esse tipo de decisão pode justificar pontos específicos na pré-história do aventureiro.

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Seu personagem pode ter hobbies. Isso acrescenta um flavor a mais para ele e o torna único perante os demais, porém… Pense de uma maneira realista. No nosso cotidiano, devemos nos esforçar para obter recompensas que desejamos. Alguém que deseja tornar-se um atleta olímpico irá se dedicar ao esporte em primeiro lugar, e em seguida a leitura de como construir uma casa na árvore (a menos que seja o Rodrigo Hilbert). Dedicamos nosso tempo a hobbies e passatempos, porém em geral usamos a maior parte de nosso tempo e habilidades com focos específicos. O mesmo vale para seu personagem.

the_paladin_of_arton_by_caiomm-d6j9xtyE vai por mim, isso não vai deixar seu personagem genérico. Quaisquer adições de habilidades secundárias estarão presentes no jogo, na forma de interpretação. Nem tudo sobre seu personagem precisa estar escrito na ficha.

Ok, mas não vamos ser cegos aqui. É claro que existem os “jogadores” (Não confundir com o Power Player Saudável, por favor). Querendo dominar o jogo, zoando NPCs que nunca fizeram mal a uma galinha, controlando outros personagens. Mas veja bem, nada disso tem a ver com poder. Isso tem a ver com o jogador.

Você, Mestre, não deve se sentir intimidado por um jogador. Diabos, você reuniu essa galera para ter algumas horas de diversão, não é mesmo? Então, se seu jogador está abusando do poder, basta você dizer Não. Lembre-se, você ainda é a autoridade suprema na mesa.

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Aqui entra algo importante em qualquer mesa. Responsabilidade. Se você, jogador, é capaz de criar uma máquina de destruição, compartilhe isso com a mesa. Converse com seu mestre. Explique para ele como você destrinchou os mais obscuros segredos da ficha de jogador e mostre-o como fazer do clérigo mequetrefe um tanque de guerra de lâminas e socos. Da mesma forma, ofereça-se para auxiliar seus amigos jogadores. Seja um bom colega de jogo, ajude o coleguinha.

Mas você, Mestre Incauto, deve estar quebrando a cabeça para tentar descobrir por que esses malditos jogadores gostam tanto de poder?!

A resposta pra isso é bem simples, meu caro. Todo mundo sonha em alcançar a glória do 20º nível, brilhando que nem uma árvore de natal e com a espada cortadora de mundos em suas mãos. Personagens de RPG nasceram para serem heróis (ou quase isso…). Heróis nasceram pra triunfar (mesmo que precisem penar MUITO pra isso). Lembre-se que o senso de heroísmo só é justificável quando as ameaças são realmente perigosas.

Em um RPG, temos a chance de nos tornar diferentes, únicos. A menos que a proposta seja genial, ninguém quer passar o resto da campanha como um camponês.

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E sim, isso também vale para você amiguinho, futuro escritor. Personagens poderosos oferecem ao público a chance de se identificar com alguém que não está preso aos limites mundanos que conhecemos. Que tal após um dia de frustração, você descer o cacete em todo mundo que nem o Conan? Ou então salvar uma galáxia da extinção como o (a) Doutor (a)?

Mas lembre-se. Nem sempre poder é algo desejável. Pode ser fascinante observar a ascensão de um personagem medíocre contra obstáculos improváveis e até mesmo impossíveis. Observar como ele aprende com suas derrotas e então torna-se mais forte.

Não há nada de errado com isso. Existem infinitos tipos de histórias a serem contadas e nem todas elas exigem alguém capaz de chutar a bunda de um minotauro por quatro constelações inteiras. A questão é que a ausência desse poder deve ser uma escolha do grupo como um todo e não somente uma imposição do Mestre/Autor. Uma campanha deD5MOqcC - Imgur horror funcionará muito bem com personagens miseráveis, mas somente se os jogadores quiserem jogar uma campanha de horror. Não tente impor essas restrições no campo da fantasia heroica, só dá dor de cabeça.

RPG é algo imenso, aberto para tudo. Desde camponeses almejando a libertação da escravidão imposta pelo Lorde Demônio, até mesmo Deuses guerreando em suas batalhas épicas. Experimente tudo, afinal, o objetivo disso é a diversão.


Como sempre, boa semana e boas rolagens pessoal!

Fechamento

Texto adaptado da coluna GameDesign, de Leonel Caldela. Grande mestre, obrigado.
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