Criptaremos

CRIPTAREMOS – O Garraduende

Boa Noite meus queridos seres de baixa estatura e chapéu pontiagudo.

 

Hoje veremos a fascinante história da Jéssica, que fez uma típica viagem, para um típico lugar e comprou típicos souvenirs, o que ela não esperada é que um desses pequenos mimos não seria tão típico assim.

 

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

GARRADUENDE

 

“Sabe, ninguém vai a São Thomé das Letras pelas praias.”

Meu nome é Jéssica e estou aqui para falar uma parada muito doida que aconteceu comigo. Desde que meu tio disse essa frase pela primeira vez em um churrasco de família, fiquei imaginando o que ele queria dizer com isso e junto com essa curiosidade nasceu também uma imensa vontade de visitar essa tão mística cidade.

Depois de muito tempo, com afazeres da vida consegui finalmente reservar um espaço na agenda e visitar a cidade. Confesso que foi decepcionante quando descobri o motivo por trás da frase, estava esperando muito mais do que a livre transação de substâncias ilícitas, uma droga não? (literalmente). Mas não é por esse o motivo que estou aqui, conversando com vocês, nem por causa da minha decepção nem por causa da minha ida a cidade, na verdade tem mais a ver com a minha volta.

No caminho de volta, entrei em uma lojinha de bugigangas e afins pois, por mais decepcionante que a viagem foi em alguns aspectos com todo aquele verde e aquelas povo joia ou esquisito (dependendo de quem vê) gostei da cidade, então queria levar uma lembrancinha comigo.

Assim que entrei na loja meus olhos foram atraídos diretamente para ele ignorando tudo mais que havia ali, o Epaminondas, estranho como assim que eu o vi esse nome já me veio a mente, aquele serzinho enclausurado dentro daquela garrafa de vidro ornamentada com um saquinho de estopa e um laço. Senti-me atraída por ele, não pensei duas vezes peguei-o, levei até o caixa e paguei, seja lá o preço que aquela loja cobrou.

As coisas já começaram a ficar estranhas no mesmo dia que cheguei em casa e deixei o “Epa” (coloquei esse apelido nele) na mesa da sala, fui para o quarto e deixei minha mala e quando voltei para sala, a garrafa estava caída na mesa. Achei que eu tinha derrubado e não dei muita importância. Arrumei um lugar bem bacana para ele na rack, ajeitei os outros bonequinhos e para o lado e centralizei ele virado para mim e ele ficou lá o resto do dia.

Aquela noite foi estranha, lembro de ter sonhado com o Epa, ele estava se movendo dentro da garrafa, girando como um pequeno furacão, que logo para. O Epa olhava para mim com cara de bravo e dizia “-Abra, abra a garrafa”.

Na manhã seguinte, ainda impressionada pelo sonho (ou pesadelo), fui direto para sala e quando vi que o Epa ainda estava lá – UFA! – foi apenas um sonho e até então tudo normal, a não ser pelo fato de que aquele duende estava de costas estranhei e inocentemente virei a garrafa para posicioná-lo de frente, até que me dei conta que quando eu virei a garrafa o enfeite que fica na frente sumiu, achei por um momento que tinha caído e quando peguei a garrafa nas mão senti algo na palma e quando virei a garrafa o enfeite estava lá, nesse momento me dei conta que o Epaminondas tinha, de alguma forma, virado dentro da garrafa!

Assim se seguiu, durante as semanas seguintes. Virava e mexia, lá ia eu virar a garrafa pois o duende estava de costas, tentei não dar muita importância a isso pois lembro de ter visto uma vez, uma estátua num museu que se virava sozinha, depois descobriu-se que o local onde a estátua ficava tremia toda vez que um veículo de grande porta passava na frente do museu, achei que estava acontecendo a mesma coisa com o Epa. A única coisa que me incomodava de vez em quando era aquele mesmo sonho do Epa pedindo para que eu abrisse garrafa.

Na noite do 7º dia que o Epa chegou em casa, lembro de voltar a ter aquele sonho novamente. O inicio foi igual até o momento em que ele me pedia para abrir a garrafa, só que ao invés dele falar “Abra, abra a garrafa” a rolha da garrafa saia, o duende simplesmente sumia e uma gargalhada sinistra se propagava no ar. Levantei no meio da noite, assustada. Minha vontade era de me esconder debaixo das cobertas, mas te pergunto – Eu segui minha vontade? Não né! – Fui até a sala e para minha tranquilidade ele estava lá na garrafa, de costas, mas na garrafa. Voltei a dormir.

Depois desse 7º dia, os pesadelos que antes eram esporádicos tornaram-se diários, acordava todas as noites assustada e nas últimas comecei a acordar suando foi quando percebi que na garrafa do Epa também começou a “suar”, sim havia condensação na garrafa do Epa! Não sei como aconteceu, pode ser que a garrafa não estava tão bem lacrada mas  não aconteceu antes porquê?

O Epa já estava a quase um mês em casa, foi quando escutei durante o dia aquilo que eu só escutava em meus sonhos “Abra, abra…” poderia até ser que eu estivesse escutando alguém na rua, mas não com aquela entonação, não com aquela voz e não com aquele medo que essa frase me causou até agora. Me irritei, com aquele medo que eu sentia, com as noites que acordei assustada o que não conseguia dormir, criei coragem, peguei o Epa nas mãos e tirei aquela maldita rolha!

Nunca mais tive pesadelos.

 

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