Problematizaremos

PROBLEMATIZAREMOS – Devemos calar a boca, eu, você, todo mundo

Vivemos tempos sombrios. Tempos esses, em que as pessoas sabem de tudo, ao mesmo tempo que não sabem de nada. Uma época em que todo mundo é mini-especialista em diversos assuntos sem entender direito sobre nenhum deles. Somos críticos de política sem nem mesmo sabermos as atribuições dos 3 poderes, somos especialistas em criminalística olhando apenas para duas fotos de uma reportagem mal escrita e somos doutores em psicologia a ponto de julgarmos os problemas de alguém como frescura ou besteira. Deixamos de ser apenas técnicos de futebol, quisemos abranger ainda mais assuntos e com isso damos opiniões até na economia da Indonésia e nas decisões tomadas por pessoas em uma realidade completamente diferente da nossa.

A internet tem se mostrado uma ótima ferramenta de informação para quem sabe usar ela, mas também faz um desserviço absurdo àquelas pessoas facilmente influenciáveis e que prendem suas opiniões baseadas no que leem. Quando leem, afinal, também é crescente o número de pessoas que se torna especialista de assuntos, lendo apenas manchetes e baseando suas crenças no que as letras destacadas de uma reportagem dizem.

Mas há motivos que colaboram para esse comportamento. Motivos que mesmo descarados, são ignorados e mantemos aquele pensamento firme e decidido de discutir sem ouvir e de não poder mudar de opinião. Porque a internet, além de fonte, serve muito bem como um escudo, onde conseguimos colocar nosso empenho em destruir e desmoralizar o outro, sem correr o risco físico da agressão ou até de mostrarmos nossa real reação quando lemos o que não gostamos. Temos uma infinidade de referências que pesquisamos em meio minuto e assim geramos uma resposta ridícula, sem fundamento e sem sequer intenção de tentar entender o que o outro diz. Porque precisamos ganhar, ferir e sair por cima de tudo.

Porque antes de ser ético, moral e correto — que são três conceitos que, aparentemente, se tornaram subjetivos — nós temos que ter uma opinião sobre tudo.

Sobre. Absolutamente. Tudo.

Parece que é vergonhoso dizermos “não sei opinar sobre isso”, pois assim estaremos abrindo mão do nosso direito de livre opinião, de livre expressão ou de sermos ouvidos. É prioridade entrarmos num assunto que desconhecemos por completo, apenas para gerarmos uma frase, duas linhas ou um parágrafo que seja, de uma opinião baseada apenas na nossa vivência, que não vai servir de nada de bom pra ninguém, além de aumentarmos nosso próprio ego.

Deveríamos nos abster de comentar ou entrar em discussões sem sentido antes de falar besteira ou de nos informarmos melhor. Mais que isso, devemos parar de acreditar que nossa opinião é suprema. Todos podemos mudar de opinião e aprender uns com os outros. Discussões são importantes, sim, desde que saibamos do que estamos falando. Mais importante que tudo: preconceito não é opinião! Se você não entende do assunto, da causa, não vive tal realidade ou não influencia na sua vida, não dê ‘opinião’.

Se restringirmos nossas discussões ao que entendemos, estivermos dispostos a aprender, verificarmos a veracidade de fontes, não tivermos preguiça de ler e soubermos conversar, ainda teremos muito que aprender. Se você concorda ou discorda com qualquer coisa que eu tenha dito nesse desabafo, venha falar comigo ou deixe um comentário. Te garanto que entender o que você acha é mais importante do que ser intransigente e achar que estou certo.

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