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CapinaLemos – O Iluminado

Bem vindos ao CapinaLemos, a coluna que publica religiosamente todo ano bissexto! Venho trazer hoje a resenha de um clássico do terror, do mestre Stephen King – O Iluminado. Acabei de reler esse livro e fiquei tão hipnotizada que precisava dividir com alguém.

Vamos destrinchar um pouco essa obra: ela foi inicialmente publicada em 1977, o terceiro romance do gênero escrito por King, e foi o que realmente emplacou sua carreira, embora as outras duas obras (Carrie, a estranha e Salem/A Hora do Vampiro) também sejam espetaculares. Embora haja logo de cara um disclaimer dizendo que Hotel Overlook não se baseia em nenhum lugar real, é sabido hoje que o autor se inspirou sim em um hotel no Colorado, o Hotel Stanley. Ele também incluiu algumas de suas experiências pessoais, tal como a reabilitação do alcoolismo. O livro ganhou uma continuação em 2013 chamada Doutor Sono, para felicidade geral da nação, depois de muita insistência dos fãs.

Em 1980, Stanley Kubrick produziu e dirigiu um filme do mesmo título baseado na obra, com Jack Nicholson em um dos papéis principais. Isso gerou muita polêmica com os fãs de King e com o próprio autor, porque dizer que o filme é baseado no livro é um eufemismo; há muita diferença entre os dois, inclusive o próprio destino dos personagens. Mas isso não tira o mérito do longa-metragem, que é considerado um dos 10 filmes mais assustadores de todos os tempos e tem uma influência enorme na cultura pop. Vale reforçar que o livro e o filme são duas coisas completamente diferentes, principalmente na relação entre os personagens (alguns personagens do livro foram eliminados completamente) e nas nuances que caracterizam as entidades que assombram o Overlook (o livro detalha muito mais o que há por trás dos acontecimentos estranhos no hotel).

O enredo do livro é basicamente o seguinte: Jack Torrance é um professor/escritor falido que aceita um emprego como zelador de inverno em um hotel no Colorado. A função envolve ficar completamente isolado no Hotel Overlook durante a temporada, e ele resolve levar junto sua esposa Wendy e seu filho Danny, de cinco anos. A família está passando por um período turbulento: Danny é especial, vê coisas (como seu “amigo imaginário” Tony), isso fica explícito logo de cara; Jack está lidando com um problema de alcoolismo e como controlar sua raiva, e Wendy só quer ser feliz de novo.. Acompanhamos a estadia da família, e as coisas vão ficando um pouco…estranhas, pra dizer o mínimo.

 

Pra mim, o mais marcante do livro é a cadência com que os fatos são apresentados. King cria uma ambientação detalhada sem ser chata, focando mais nos processos mentais dos personagens que no que está acontecendo em volta deles. O resultado disso é que aprendemos a amar todos eles, as motivações envolvidas, e no meu caso eu cheguei até a debater mentalmente decisões que eram obviamente erradas, porque eu sentia carinho e preocupação por aquelas pessoas; é fácil se deixar envolver de verdade nas tramas do Stephen King, e esse livro faz isso com maestria. Sendo uma das muitas pessoas que viram o filme e depois leram o livro, eu fiquei muito surpresa com essa profundidade dos personagens, principalmente o Danny, que é um garotinho bem boboca no longa, mas acaba sendo uma criança incrivelmente inteligente e corajosa no livro. A Wendy do filme eu já odiava na primeira cena só de olhar pra cara da Shelley Duvall, mas também é uma personagem boa e completa no livro. Nesse aspecto, o filme fica muito pra trás.

O Iluminado está longe de ser uma obra de terror meia boca, e não usa recursos baratos pra assustar. Rola um investimento no medo a longo prazo, ou seja, as coisas aparentemente normais vão ficando assustadoras em um ritmo quase imperceptível. Quando você percebe, já está agarrando a borda da cadeira de tensão. É muito comum em obras de terror os acontecimentos se tornarem previsíveis, porém isso também não rola nesse livro; na maioria dos momentos decisivos, a gente sente que as coisas podem ir pra qualquer lado, e isso só aumenta a tensão – e gera um pouquinho de frustração também, o que eu considero fundamental em uma obra de suspense/terror. Porém, eu pelo menos não fiquei decepcionada com nenhum desfecho, e também não achei nenhuma ponta solta (outra coisa bem comum em obras de terror, especialmente se você é detalhista como eu).

Enfim, na minha opinião é fácil considerar O Iluminado uma das melhores obras do gênero, porque se não for pra ter vontade de colocar o livro no freezer, eu nem leio. Esse livro é um dos poucos que eu já li e realmente fiquei com medo de ir na cozinha buscar água no meio da noite.

Espero que vocês tenham gostado e que adicionem O Iluminado a sua lista de leitura – mesmo se já tiverem visto o filme. Aliás, principalmente se tiverem visto! Garanto que vale a pena!

Boa leitura 😉

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