Criptaremos

CRIPTAREMOS – Sinestesia

Boa noite amigos que necessitam de tocar para conversar com alguém.

O conto de hoje fala sobre uma das minhas moiores raivas: os Sinestésicos. Não existe coisa mais odiosa que aquela pessoa que precisa constantemente tocar em você enquanto conversa.
Já passei raiva e já causei constrangimento alheio quando me enfezei e pedi para não ser tocado, no meu caso a antipatia aos sinestésicos é pura chatice, mas não é o caso do André.

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

SINESTÉSICO

Era mais uma terça chuvosa no colégio Santo Agostinho, logo após o intervalo quase todos os alunos voltaram para suas salas deixando para trás o pátio silencioso e sujo, quase todos os alunos. Cláudia esperou todos voltarem para as salas e foi para o lugar a que todos chamavam de “Corredor da Maria Fumaça” o local é a passagem entre o pátio e a biblioteca, o local ganhou esse nome porque costumeiramente uma adolescente cheia de piercings  usava aquele espaço para fumar, não preciso dizer quem era a Maria Fumaça.

Assim como nas semanas anteriores, naquela terça, Cláudia foi para o lugar de costume realizar o seu ritual prejudicial à saúde, a própria saúde. Quando estava na metade do cigarro, vigiando as extremidades do corredor tomando cuidado para não ser flagrada, ela vê alguém através da fumaça vindo em sua direção.

Alguém saia da biblioteca – Quem usaria biblioteca em pleno 2017? – murmurou Cláudia enquanto apagava o cigarro e abanava o ar para dissipar aquela neblina artificial.

Na ponta do corredor saindo da biblioteca vem André, usando óculos e andando rapidamente, encurvado com uma blusa ajeitada dentro da calça e luvas, carrega consigo alguns livros. Quando se aproxima, Cláudia nota que o garoto tem uma série de cicatrizes no rosto, algumas tem queloides bem visíveis, e ao passar pela garota sua nuca se destaca por ser a única parte lisa do corpo.

Se escondendo atrás dos livros, André acaba tropeçando e deixa cair tudo. O rapaz assustado se abaixa para pegar. Ele pega alguns e a Cláudia, entediada, vai em ajuda ao rapaz. André estica um dos braços para pegar uma folha e deixa o pulso à mostra, nele há uma estranha cicatriz circular com padrões, algo como uma escarificação.

– Nossa o que é isso? – pergunta Cláudia enquanto se aproxima e toca a cicatriz de André

-NÃO! – Grita o garoto, logo após levanta aflito e cobre a cicatriz com a outra mão, ele repete algumas vezes em volume de voz alto – Não, Não, Não…você não sabe o que você fez!

Cláudia com medo de que aquele grito chame a atenção balança a cabeça negativamente – Eu não tenho medo de cicatriz – diz para tentar acalma-lo enquanto levanta a blusa um pouco e mostra a cicatriz de apendicite.

– Dessa você deveria ter! – responde rispidamente, logo após ele começa a se coçar incontrolavelmente, a cicatriz em seu braço começa a ficar mais clara, e emite uma luz avermelhada, Cláudia olha espantada, André grita – AAAAAAAAHHHHH- e num instante tudo fica calmo, os livros no chão e André com tristeza suspira, volta a recolher o livros no chão, ao ir embora ele coça uma nova cicatriz que está na nuca.

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