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Imaginaremos #36: Alinhamento

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Sejam bem-vindos ao Imaginaremos, a coluna de RPG do Capinaremos. O alinhamento de personagens sempre foi parte fundamental de alguns sistemas, desde sempre. Bom, neutro… Ou Mau? Hoje falaremos sobre como isso afeta seu personagem!

Você se lembra quando começou a jogar D&D? A vida era tão mais simples, não é mesmo? As regras eram mais simples, os personagens eram mais simples e tudo que você tinha que fazer era falar para seu Mestre o que seu personagem faria e rolar alguns dados e adicionar modificadores…

Algo que tem sido parte de discussões entre os autores de RPG são os alinhamentos de personagem, o bem e o mal e os tons de cinza que os permeiam. Você selecionava um entre nove alinhamentos e utilizava isso como uma bussola na maneira que interagia com o mundo. O objetivo disso é delimitar as encruzilhadas entre os alinhamentos morais (bem/neutro/mal) e éticos (caótico/neutro/leal) de cada personagem.

Um personagem leal é alguém que segue e encoraja as regras impostas pela sociedade. Alguém caótico prefere seguir a liberdade pessoal, adaptabilidade e flexibilidade acima de qualquer regra imposta pela sociedade. Um personagem bom é alguém que respeita e possui compaixão pelas coisas vivas, em contra partida de um personagem maligno, que age sem se importar ou considerar com outros seres existentes. Alguém neutro não é uma folha em branco. Ele permeia entre a bondade e a escuridão, entre a lealdade e o completo caos. Mas a grande verdade é que nenhum desses alinhamentos é uma caixa delimitadora e jogar seguindo cada um deles a risca pode ser… Bem frustrante. Fazer escolhas só por causa de seu alinhamento ao invés de utilizar o bom senso de seu personagem naquela situação ou matar algo só por que o “Chaotic/Evil” imperou acima da consideração dos outros na mesa pode resultar em uma morte prematura de personagem.

Uma opção para evitar uma cimentação de caráter é ter em mente que seu personagem está sempre em mudança, sempre aprendendo coisas novas e constantemente sendo contestado em suas convicções. Busque em seu jogo aplicar mais os tons de cinza que permeiam os alinhamentos, utilizando-os apenas como um ponta-pé inicial. Seu personagem pode ser tão mais rico emocionalmente do que um troglodita que chuta e bate e mata.

O mais importante para seu personagem é pensar como ele é para o grupo e para o mundo que o cerca de maneira geral. Para um exemplo rápido de como o entendimento dos tons de cinza no alinhamento é simples, pense na perspectiva de um bando de aventureiros famintos por glória e tesouros. Eles se aventuram dentro de uma caverna infestada de goblins saqueadores, derrotando os monstros e recuperando o tesouro… Claro, isso no ponto de vista deles. No ponto de vista dos Goblins, os personagens são um bando de assassinos saqueadores impiedosos. Tons de cinza pessoal, tons de cinza.

Semana que vem, discutiremos mais sobre como narrar para pequenos e grandes grupos e como se organizar melhor para sua primeira mesa!

Por Murilo Lamegal

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