Pouparemos

Pouparemos: Como organizar suas contas

Então finalmente vamos a um assunto de interesse geral: como diabos eu organizo a minha conta do banco, o dinheiro da minha carteira (ou a falta dele), as moedas do meu cofrinho de porco e minha dívida do cartão de crédito? Como eu sei se pago a conta do boteco ou o fiado do mercado? Como que eu posso ignorar meu extrato do banco e não me preocupar com comprar uma brusinha diferente? Pessoas que organizam suas contas, onde vivem? O que comem? Hoje, no Capina Reporter.

Não é novidade pra ninguém que cuidar das contas é um pé no saco algo bem complicado: anotar todos os gastos pra saber onde foram parar aqueles R$ 21,85 que você tinha na carteira até final de semana passado e no final do mês ver que a carteira foi o menor dos problemas, já que o cartão de crédito pode não ter estourado, mas a fatura dele está prestes a estourar uma bela dor de cabeça em você.

Sim, controlar varias contas é um problema pra maioria das pessoas. Mesmo pra quem gosta do assunto fica difícil saber onde vai cada centavo. Mas com alguns conceitos, essa tarefa se torna bem mais fácil e, quem sabe, você passa a gostar desse empenho constante pra fazer o dinheiro deixar de ser um stress constante da sua vida, independente de quanto você ganha.

O QUE É DINHEIRO?

É um pedaço de papel com um número. Próxima pergunta!

Mentira, dinheiro deixou de ser simplesmente isso já faz algum tempo. Vamos tratar dinheiro como tudo aquilo que representa seu poder aquisitivo e não somente os pedaços de papel que você enxerga. Antigamente, quando as moedas eram feitas de ouro, prata e outros metais, o valor era dado pelo peso de tais materiais, mas você deve imaginar que, uma moeda de um centavo deve custar bem mais que um centavo para ser fabricada. Ou seja, o próprio dinheiro físico, não vale realmente o valor que ele carrega escrito. O dinheiro físico é uma representação do seu poder aquisitivo, assim como um número na sua conta do banco, no seu extrato do cartão de crédito e como são Bitcoins e outras moedas digitais (que não vou entrar em detalhes).

Nenhum desses itens tem valor físico, mas representam o que você pode obter/fazer fisicamente ao trocá-los. Outro exemplo, se você recebe seu salário ou pagamento por algum serviço via depósito bancário e depois usa seu cartão de débito para comprar uma peça de roupa, você não viu a cor desse dinheiro e lhe garanto que nenhum duende carregou esse dinheiro em notas da sua conta do banco até a conta da loja.

Isso que é o dinheiro é hoje: uma informação.

E por que isso é importante? Porque assim sabemos que podemos organizar TODAS as nossas contas da mesma forma, sem complicações e com regras em comum que tornam tudo mais fácil até pra transitar dinheiro entre elas.

QUAIS SÃO AS MINHAS CONTAS?

Você pode tratar todos os locais que você tem dinheiro como contas, sejam elas físicas ou digitais. O modo que você vai gerenciar as informações entre elas vai ser o mesmo, podendo fazer transferências e destinar dinheiro recebido entre elas. Alguns exemplos práticos:

Contas físicas:

  • Carteira;
  • Cofrinho;
  • Dinheiro debaixo do colchão.

Contas digitais:

  • Conta em bancos (conta corrente, salário);
  • Cartão de crédito;
  • Poupança e aplicações;
  • Dinheiro emprestado (sim, isso mesmo).

Para exemplificar uma transferência entre contas físicas e digitais, pense quando você saca dinheiro em um caixa eletrônico. Você está fazendo uma transferência da sua conta corrente para sua carteira. Quando você deposita uma quantia, você está fazendo o processo contrário, transferindo da sua carteira para a conta corrente. Quando você paga um almoço pro seu colega que ‘acidentalmente’ e convenientemente esqueceu a carteira, você está fazendo uma transferência da sua carteira para uma conta digital chamada ‘empréstimo para fulano’.

As movimentações possíveis de qualquer conta são apenas 3: entradas, saídas e transferências. Considerando que você esteja lidando apenas entre contas suas, você aumenta seu poder aquisitivo apenas com entradas, diminui ele apenas com saídas e as transferências devem manter você na mesma, apenas movendo dinheiro entre duas contas suas.

QUAL MEU PODER AQUISITIVO?

Para saber seu poder aquisitivo, você deve simplesmente somar todos os valores positivos que você tem em todas as suas contas e descontar os seus débitos. Exemplo:

ContaValor positivoValor negativo
Conta corrente banco 1R$ 180,00
Conta corrente banco 2R$ 25,00
Poupança / aplicaçãoR$ 620,00
Carteira R$ 15,00
Dinheiro embaixo do colchão R$ 80,00
Dinheiro emprestado para um fulanoR$ 30,00
Dinheiro que devo para outro fulanoR$ 20,00
Cartão de créditoR$ 400,00
Total R$ 925,00 R$ 445,00

Poder aquisitivo (R$ 925R$ 445)

R$ 480,00

Isso significa que o que você pode gastar efetivamente, não são os R$ 925, pois parte dele já está comprometida com o cartão de crédito (R$ 400), parte que você deve para alguém (R$ 20) e  parte que está negativo na conta do Banco 2 (R$ 25).

COMO SEPARO MEU DINHEIRO?

Agora que você sabe quanto dinheiro você efetivamente tem, você pode organizá-lo.

Como uma boa prática, já bem conhecida e defendida pela maioria das pessoas que tem um orçamento familiar / finanças pessoais bem organizado, é categorizar e destinar seu dinheiro. “Como assim?”

Destine seu dinheiro para categorias que você tem de despesas no mês: diversão, mercado, aluguel, contas da casa, contas do bar, etc. Você tem que conhecer seus gastos antes de criar essas categorias, já que cada pessoa entende pra onde vai seu dinheiro.

Depois que você tiver conhecimento das categorias, comece a distribuir seu dinheiro. Por experiência, eu sugiro destinar cada centavo para alguma categoria e tentar se ater ao máximo a cumprir suas metas. Para as contas mensais é mais fácil destinar, pois você sabe quanto vai gastar. Para contas variáveis é um pouco mais complicado: pra saber o valor que vai pra essa categoria, você precisa pensar com antecedência quanto dinheiro você vai precisar. Pra isso temos o próximo assunto.

COMO PRIORIZAR OS PAGAMENTOS DAS MINHAS DÍVIDAS E O DESTINAMENTO DO MEU DINHEIRO?

Sobre dívidas, primeiramente: o assunto é delicado, pois o ideal seria não ter dívidas, mas somos brasileiros e temos 60 milhões que não pagam suas contas em dia e isso deve ser tratado com cuidado. Não tenho como saber quais são suas dívidas, os valores, juros, prazos… são muitas variáveis e eu não vou te dizer “pague esta conta e depois esta”. Para isso você vai precisar de uma dose de bom senso e de algumas dicas (em ordem de prioridade):

1 – Dívidas que tem juros diários

Uma conta com juros diários está aumentando o valor que você deve todo dia, ou seja, se você decidir pagar amanhã, já é mais dinheiro que você está devendo.

2 – Dívidas que você não consegue negociar

Os bancos vendem a ideia de que você consegue negociar suas dívidas, mas convenhamos, entre você negociar um dinheiro emprestado com uma instituição que existe pra ganhar seu dinheiro oferecendo muitos serviços que você não precisa ou com um conhecido, tenho quase certeza absoluta que o banco vai ser o menos flexível. Pague o banco antes e converse com o conhecido (se ele não for um agiota, claro).

3 – Dívidas recorrentes

Seu aluguel, sua conta de água, luz e telefone, são contas que você terá mensalmente. Sendo assim, você deve destinar dinheiro pra elas fixamente. Normalmente, você já sabe o valor médio (para contas de luz, por exemplo) ou fixo por um ano, até um novo reajuste (para aluguéis).

4 – Todas as outras categorias / dívidas

Por último você deve se preocupar com as categorias “supérfluas”. No começo, se você tem muitas dívidas antigas, pode sobrar pouco para o lazer e a diversão. Mas conforme você for eliminando as contas antigas (seguindo a prioridade desse texto), você vai conseguir reorganizar suas contas e vai sobrar mais dinheiro para essas categorias.

COMO ESCOLHER UM MÉTODO EFICAZ DE CONTROLAR TUDO ISSO?

ANOTE! Não tem outra maneira. Controle através de uma planilha, de um caderno, de um rascunho de papel, mas escreva. Se você enxergar os valores e não ficar com eles apenas na cabeça, você vai ver como é mais fácil de se ater ao plano principal. Por muito tempo controlei meu saldo no banco só no lembrol e não deu muito certo, sempre faltava dinheiro no final do mês.

Uma planilha de Excel, um aplicativo ou qualquer meio digital que você possa carregar pra lá ou pra cá no celular são muito bons, pois não tem essa desculpa de ter se passado com os gastos do mês. Se você anotar o que você faz, não tem erro! Tenho intenção de liberar daqui algum tempo não muito distante uma planilha bem bonitona pros nossos leitores, pra terem pelo menos um guia de como criar a sua própria planilha, que sirva para suas necessidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se você não tem nenhuma organização das suas contas, começar é um grande passo, e quitar suas dívidas antigas antes de gastar com a diversão e lazer chega a ser doloroso, pois ficamos na dúvida se estamos vivendo ou apenas pagando boletos. É triste, pode ser verídico em alguns casos, mas com as contas organizadas, isso deixa de ser verdade. Se você organizar suas contas e seguir algumas outras dicas, você vai ver que pagar boletos não é um estilo de vida, mas apenas uma transição normal da vida adulta, onde a tranquilidade financeira é o estágio final, independente do seu salário e de como você gasta seu dinheiro.

Como eu sempre defendo nas publicações do Pouparemos, não existem regras. O que serve para uma pessoa, pode não servir pra outras, mas conforme você aprende com seus gastos, você pode aperfeiçoar e chegar num consenso sobre qual o melhor método de organizar suas contas. Pra quem quer começar de alguma maneira, as dicas que apresentamos aqui são um bom guia, mas também não são absolutas, afinal, o caminho até chegar na tranquilidade financeira é demorado, mas, com certeza, recompensador.

Você tem alguma dica de como organizar as contas? Tem um jeito diferente de ver seu dinheiro e suas dívidas? Divide com a gente, pra podermos ajudar mais gente a sair do inferno astral da bola de neve das dívidas.

Comentários

Populares

Topo