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CapinaLemos – As Crônicas de Artur

 

Salve CapinaLeitores!!!

Estamos de volta com a coluna do CapinaLemos!!! Depois de um ano atípico na produção, iremos iniciar 2018 a todo vapor!

E para isso, nada melhor do que encerrar 2017 com um post, para já ir tirando a ferrugem daqui.

E a Coluna de hoje será sobre uma das minhas trilogias preferidas na literatura. Uma obra que já  li, reli e acho que ainda não foi o suficiente. Hoje é dia de falar de As Crônicas do Senhor da Guerra, ou As Crônicas de Artur, como ficou conhecido no Brasil.

As Crônicas de Artur

A trilogia conta a já inúmeras vezes contadas história do Rei Artur, mas dois pontos me chamaram atenção para ler essa obra:

1 – O Autor é Bernard Cornwell, um dos meus autores preferidos no quesito histórias medievais e sem sombra de dúvida o melhor autor para descrever batalhas medievais (George R. R. Martin concorda).

2 – O personagem principal da história não é Artur e sim Derfel, um dos “Cavaleiros da Távola Redonda” o que torna a história ainda mais incrível, pois parte de uma perspectiva única em relação aos fatos.

Os Livros acompanham a história de Derfel desde pequeno, quando o mesmo sobrevive após ser jogado em um “Poço da Morte” e é levado para ser criado por Merlin, que o considera um favorito dos Deuses. Com isso, temos a premissa para a juventude de Derfel ao lado de Merlin e do reino de Camelot (Caer Cadarn) e o desenvolvimento desse personagem até se tornar um guerreiro de Artur.

“O rei Gundleus, de Silúria, liderava o ataque. Minha mãe, que, pelo que imagino, se parecia um pouco com Sebile, foi estuprada enquanto eu era levado ao poço da morte onde Tanaburs, o druída de Silúria, sacrificou uma dúzia de cativos como agradecimento ao Grande Deus Bel pelo enorme butim proporcionado pelo ataque. Santo Deus, Como me lembro daquela noite. Os incêndios, os gritos, os estupradores bêbados, a dança louca, e de estacas afiadas. Sobrevivi, intocado, e saí do poço da morte tão calmamente como Nimue tinha saído do mar assassino, e Merlin, encontrando-me, me chamou de filho de Bel. Deu-me o nome de Derfel, deu-me um lar, e me deixou crescer livre.”

O Rei do Inverno, pág. 32

Cornwell nos entrega uma história completa, com personagens bem desenvolvidos, diálogos inteligentes e lutas memoráveis. Como em outras obras do autor, ao final de cada livro temos uma nota histórica explicando os pontos no livro que de fato são reais, sejam eles locais, existência de personagens ou acontecimentos. Contudo, não tem como falar da saga sem citar o quão bem feitas são as narrativas das batalhas. Você facilmente vai se pegar ouvindo os tambores de guerra que incentivam seus exércitos, as lanças batendo nos escudos para intimidar os seus inimigos, a formação da parede de escudos e a importância dessa disciplina em batalha e o cheiro de sangue e merda no campo de batalha durante toda a luta.

” – Use a ponta, garoto. Use sempre a ponta. Mata mais rápido. – Ele estocou, fazendo-me apará-lo desesperadamente. – Se você está usando o gume da espada significa que está em campo aberto. A parede de escudos foi rompida, e se a parede de escudos que foi rompida é a sua, então você é um homem morto, não importa que seja bom com a espada. Mas se a parede de escudos se mantém firme isso significa que você está de pé ombro a ombro e não tem espaço para girar a espada, só para estocar.”

O Rei do Inverno, Pág. 147.

Mas não é só carnificina que as Crônicas nos entregam. Temos Wyrd, um conceito da cultura Anglo-Saxônica que corresponde ao Destino. O conceito existe em outras culturas, inclusive no livro somos levados mais a cultura nórdica por trás dele. Nos livros, ele mostra como passado, presente e futuro estão entrelaçados e que não importa quais decisões ou caminhos os personagens tomem, para algumas coisas “wyrd bið ful aræd”, o Destino é Inexorável e chega até você de qualquer maneira, pois os Deuses amam o caos.

“- Merlin ama o caos, mas a maioria de nós o teme, e é por isso que tentamos fazer a ordem. – Pensei na pilha de ossos cuidadosamente montada. – Mas quando você tem ordem, você não precisa dos Deuses.

Quando tudo está bem ordenado e disciplinado, nada é inesperado. Se você entende tudo – falei cautelosamente – , não resta espaço para a magia.

Só quando está perdido, apavorado e no escuro é que você chama os Deuses, e eles gostam de ser chamados. Isso os torna poderosos, e é por isso que gostam de que vivamos no caos.”

O Inimigo de Deus – Pag. 73

E por fim, mas não menos importante, temos o desenvolvimento dos personagens de maneira espetacular. Artur, Lancelot, Guinevere e Merlin são os mais conhecidos do público e todos tem suas histórias extremamente em desenvolvidas. Outros personagens famosos para quem conhece a história também são bem retratados, como Uther, Mordred, Morgana, Nimue e Galahad entre tantos outros. Mas a história de nosso protagonista é igualmente interessante e intrigante, pois Derfel passa por todos os sentimentos, situações e desfechos de vida possíveis no decorrer da série, que nos entrega um final agridoce, mas extremamente justo. O leitor por sua vez viverá todos esses sentimentos junto a saga e é fácil se emocionar em vários momentos, tamanha a imersão na história.

“Mesmo agora, de olhos fechados, algumas vezes vejo aquela criança vinda do mar, o rosto sorrindo, o corpo magro delineado do vestido branco grudado, e as mãos se estendendo para o amante. Não posso ouvir o grito de uma gaivota sem vê-la, porque ela me assombrará até o dia em que eu morrer, e depois da morte, aonde quer que minha alma vá, estará ela; uma criança morta para um soberano, de acordo com a lei, em Camelot.”

O inimigo de Deus, pág. 336

E com isso, encerramos a coluna de hoje. Vou evitar me prolongar e me aprofundar nos livros devido a Spoilers, mas vale muito a pena.

Se você é fã de livros, vem para nossa página no face!

CapinaLemos – Casa dos Livros.

Lá podemos discutir mais sobre essa fodendo trilogia que como deu para notar eu tanto gosto.

Um grande abraço e até a próxima coluna!

Padilha

 

 

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