Criptaremos

CRIPTAREMOS – Premonição

Boa noite leitores de jornais.

 

O que você faria de soubesse com antecedência o que vai acontecer?

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

Premonição

 

SAIA DAQUI! – disse o delegado, enquanto fazia um gesto para que os dois policiais que estavam na sala me tirassem arrastado de lá.

Mas você tem que acreditar, hoje a noite, por volta da meia-noite uma pessoa será assassinada na Praça dos Patos, perto dos….– José é interrompido pela porta da sala do delegado batendo, enquanto era arrastado delegacia afora.

Esse foi apenas mais uma das vezes em que José foi expulso de uma delegacia e a terceira vez só dessa em específico. O roteiro já era mais do que conhecido por ele, afinal não é qualquer um que acredita em premonições. As premonições sempre começavam com alguns sonhos estranhos, que aos poucos iam se juntando e terminavam com uma discussão entre ele e o delegado, detetive ou, algumas vezes, com o escrivão que se recusava a registrar o boletim de ocorrência com base em sonhos delirantes de um qualquer.

Por mais que José fosse enfático em afirmar o que ele previa, nunca foi levado a sério, bom pelo menos até esse dia.

Precisa de ajuda? – Diz uma voz masculina enquanto auxilia José a se levantar.

Obrigado, mas… -responde José enquanto bate a poeira das roupas – …quem precisa de ajuda é…bom isso não vem ao caso… – José já recomposto, se vira para a pessoa que o ajudou – Agora se me der licença, tenho alguns assuntos a tratar. José se vira para  seguir seu caminho

– Espere…. mas não pude deixar de notar… bom, desculpe primeiramente deixe eu me apresentar, sou Armando e sou jornalista – José se vira e olha melhor para o bom samaritano, um homem com aproximadamente 40 anos de idade, barba feita, cabelos e olhos negros, veste uma camisa e calças sociais.

– Desculpe, não quis parecer rude, realmente muito obrigado pela ajuda… – Responde José.

Não foi nada…– disse Armando -…mas não pude deixar de ouvir o que você disse lá dentro para o delegado, será que você poderia me dizer um pouco mais?

José olha com estranheza para Armando – Se você ouviu então não preciso te dizer certo?. Armando fica ressabiado com a resposta dura de José, que no mesmo instante percebe – Desculpe, não quis parecer rude, é que não é todo dia que alguém quer ouvir o que eu tenho a dizer.

Bom, em todo caso esse é meu trabalho e se o que eu ouvi for verdade, parece que o senhor tem uma boa história.

– Apesar desse ser um dos meus maiores desejos, não quero ver meu nome no jornal – Diz José de pronto

Minhas fontes são sempre bem protegidas e o anonimato poder ser sempre utilizado…senhor…?

José fica mudo.

– É como eu disse, sou Armando Casanova, jornalista do Jornal Cidade – que estende a mão – José, José Marcondes Milagres, prazer – diz estendendo devolta, onde ambos se cumprimentam.

Ambos saíram da frente da delegacia e foram em direção a padaria na próxima esquina, chegando lá entre um café e outro, José explicou a Armando o que ele fazia e, principalmente, como ele fazia. Armando pediu permissão para gravar a conversa. José disse que através de vários sonhos fragmentados, ele juntava as informações e conseguia concluir o que ia acontecer. Esse último por exemplo, o primeiro sonho foi com o disparo de uma arma, o segundo  uma placa com um nome parcial de uma rua, o terceiro uma parque com um pequeno lago no centro.

Armando era um jornalista experiente e apesar de achar crível o que o Sr. José dizia, pediu a ele uma prova daquilo que ele afirmava, a morte de uma pessoa naquela noite. Então ambos marcaram um local de encontro, Praça dos Patos as 22:30h, logo após tudo, acertaram, se despediram e esperaram até que o horário combinado chegou.

Já a noite, na Praça dos patos no horário combinado Armando foi o primeiro a chegar e ali esperou por um tempo. – Onde será que ele está? – dizia em voz alta enquanto andava de um lado para o outro e olhava o relógio no pulso que marcava 23:30h – Sabia que não deveria ter confiado em um louco!

A ultima vez em que olhou o relógio antes de ir ao local do crime, eram 23:56h – Vai acontecer a qualquer momento – pensou Armando que começou a andar mais rápido em direção ao lago do parque, seguindo exatamente as orientações que José havia lhe dado mais cedo naquele mesmo dia. Pouco antes de chegar, ouve um estrondo – BANG – seguido de um clarão – Minha nossa, ele está adiantado!- exclama para si enquanto inicia uma corrida.

Ao chegar no local de destino, Armando não encontra ninguém além de José.

– O que aconteceu? Que tiro foi esse? Alguém se machucou? – Pergunta alarmado Armando

– Não foi nada! – responde tranquilamente José

– Como assim nada? – Retruca Armando

– Simples, não aconteceu nada…-

– Você não disse que uma pessoa seria baleada hoje? – interrompe Armando

– …por enquanto – diz José que logo em seguida atira novamente – BANG.

A bala atinge a região do estômago de Armando, que sem entender tenta em vão estancar o sangramento com as mãos enquanto cai de joelhos.

– Como eu disse hoje de manhã, uma pessoa seria baleada hoje…. mas eu não disse quem…-

A camisa e a calça de Armando se encharcam com a cor bordô, um misto de dor e raiva passa por sua face enquanto alterna encarar José e olhar o ferimento na barriga.

José continua – …Sabe Armando cansei de ninguém me dar ouvidos, quem sabe agora aquele delegado imbecil comece a escutar o que eu tenho a falar e dar a atenção que eu mereço… – José guarda a arma na cintura e a cobre com a camiseta, pega o celular no bolso e disca. Após alguns toques a voz do outro lado da linha diz a introdução característica do número discado.

– boa noite, Polícia militar, Andreia falando em que posso ajudar?

José com uma voz aflita responde – Alô, é da polícia? Gostaria de fazer uma denúncia… escutei alguns tiros no parque dos Patos, próximo ao lago.

 

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