Criptaremos

CRIPTAREMOS – Visão Infernal

Boa noite pessoal,

O bairro da liberdade em São Paulo é uma maiores colônias de imigrantes orientais, ruas e vielas são cheias de restaurantes e pequenas lojas e numa dessas pequenas lojas é que acontece nossa história de hoje. Por de trás de produtos baratos e de qualidade duvidosa há alguns tesouros que podem ser encontrados.

“A noite chega e é sempre mais escura pouco antes do amanhecer, isso é, se você sobreviver até lá.”

Abra sua mente, apague as luzes e se tranque no quarto, pois agora é a hora do terror.

VISÃO INFERNAL

Era mais uma segunda-feira pela manhã, quando Vitor, Marina e Bianca resolvem fazer o que faziam de melhor: Cabular aula. O colégio público localizado no bairro da Liberdade em São Paulo em que estudavam não era lá essas coisas quando o assunto era vigilância, mas mesmo assim a rotina para a escapada se resumia a esconder-se no banheiro feminino até o sinal do início das aulas e logo após alguns minutos ir com cuidado até o portão, escalar através do muro e assim pulando-o.

Além da chatice das aulas de matemática, havia um outro fator que influenciou na decisão de “sair mais cedo” naquele dia, o aniversário de Marina, então Vitor e Bianca já tinham combinado, no caminho Vitor ia distrair Bianca enquanto Marina escapava e ia até alguma lojinha da região (coisa que não falta ali) e ela iria comprar uma lembrancinha bem bobinha para fingir que era o presente, mas o verdadeiro era uma maquiagem que Bianca havia comprado na semana anterior.

Como de praxe, o trio perambula pelo bairro da liberdade, o caminho é o mesmo que das outras vezes indo em direção a Rua dos Estudantes usando a Rua da Glória. Calmamente e jogando conversa, Vitor para de repente

Meu Deus…. não acredito que caiu!

O que caiu? – Pergunta Bianca, já sabendo que aquela era sua deixa.

– Minha moeda da sorte, me ajudem a achar por favor!

Você nunca teve isso Vitor tá doido? – retruca Marina

Não tinha, mas agora eu tenho. Então fica quieta e me ajude a procurar!

Os três começam a procura pela tal moeda, Bianca olha para Vitor que acena com a cabeça, ela sai de fininho, vira na primeira travessa e se encontra numa pequena viela. Ela nunca tinha percebido ali, olha em volta, algumas fachadas de pequenas lojas, em sua maioria fechada, um morador sai de um portão e a encara antes de fechá-lo e seguir seu caminho, um gato passa correndo por ela e derruba alguma coisa pelo caminho, ela assustada olha para trás e vê uma das lojas abertas.

Essa loja não estava fechada? – Pensa Bianca

A fachada trazia a inscrição “偽造品” em letras vermelhas

Bianca entra, o sino que estava na porta balança mas não emite som pois não havia um badalo, a loja era mal iluminada, prateleiras de quinquilharias dos mais variados tipos, tiaras com enfeites de gosto duvidoso e muitos faltantes, óculos com molas, óculos de disfarce, armadilhas de dedos, enfeites de vidro, alguns potes com raízes tudo lado a lado sem aparente organização. Mais adentro o balcão da loja e atrás dele uma cortina de fios que dá ao fundo da loja.

Já disse que não sou seu empregado velha folgada – diz uma voz masculina nos fundos da loja. Algo em japonês é dito em resposta na forma de um grito mas Bianca não consegue identificar, até porque ela não sabe nada da língua oriental.

Não faço e pronto, agora dá licença que eu tenho mais o que fazer, velha folgada –  Diz um senhor de uns 47 anos de idade, com uma pinta no queixo um chapéu que mais parecia um quipá e um par de óculos sem lentes, após passar a cortina de fios, o homem toma um pequeno susto com a presença de Bianca.

– Droga de porta…- disse para sí e logo em seguida – Kon’nichiwa, kangei kodomo. – Cumprimenta com um sorriso amarelo

Oi, tudo bem? – Responde Bianca

Subete, nani ga watashi o tasukeru koto ga dekimasu ka?

Bianca olha com estranheza para o senhor, abre um sorriso sem graça mas continua.

Estou procurando uma lembrancinha, algo bem simples para uma amiga o que o senhor pode me indicar?

O homem olha Bianca de cima a baixo, sorri, faz um gesto para que ela espere e vai para os fundos da loja, volta um tempinho depois com o mesmo sorriso e algumas coisas, uma pulseira prateada, um par de brincos, tiaras enfeitadas, um pente japonês ornamentado.

Bianca acha aquilo uma beleza, mas ao pegar o pente na mão vê a etiqueta de preço $120, o número 1 estava numa cor de caneta diferente. Pegou uma tiara, $60, o número 6 estava rasurado era um 2 antes? Entendendo a situação ela dispara.

Não moço, muito caro quero algo mais simples e fale em português porque eu vi você falando com a velha folgada!

O sorriso do vendedor desaparece – Uma muquirana, hein? – diz desdenhando – Tem aquelas coisas ali em promoção – e aponta para um caixa com o número $5 escrito a caneta. Apesar da vontade de mandar o velho ir pastar, Bianca está com medo de Marina sentir falta dela então ela decide pegar qualquer coisa da caixa e sair dali o mais rápido possível. Após uma breve busca ela encontra uma armadilha para dedos, aquela que parece uma mangueirinha e você coloca os dois indicadores, um em cada lado tem que aproximar os dedos para soltar, porque se você puxar não consegue.

Ela volta até o caixa – Só isso? – pergunta o velho – – responde seca, pega uma nota de $50 e dá ao velho que a pega e ao abrir o caixa vê que está sem troco – Espere aqui, vou pegar seu troco.

Enquanto espera ela volta a olhar algumas coisas que estão no balcão, então Bianca vê algo que lhe chama a atenção, um óculos, o design é até que bonito, parece novo até bem diferente dos demais produtos da loja, a etiqueta de preço está em branco e ela pensa em Vitor ele ajudou a distrair Marina então o pega e nesse momento o velho volta.

Estou sem troco…. bom só tenho $35, logo você tem 2 opções, escolher outro produto ou ir embora.

Quanto esse óculos aqui?

O velho estranha a pergunta e principalmente a que óculos ela está se referindo, ele pega o óculo na mão e há uma inscrição na lateral “地獄の眼鏡”

Ji…Go…Ku… Jigoku…. No… Me…Ga…ne… jigoku no megane – Ele tenta se lembrar de onde ele tinha ouvido aquilo, quando finalmente se lembra – Ah sim….. isso está aqui? Nossa faz tempo que não o vejo.

Tá, mas quanto custa? – pergunta Bianca com pressa interrompendo o devaneio do velho

Olha isso aqui é bem velho é mais velho que essa loja…lembro que meu pai o trouxe do Japão….e o melhor não é um óculos normal, ele não tem só um valor único, meu pai me disse que ele tem um poder, tem o poder para dizer se você vai para Rakuen ou para o Jigoku.

Bianca achando que aquilo não passava de conversa fiada já logo interrompe – Me dê os $35 e fechamos negócio!

Aceito – respondeu de imediato o velho entregando o troco à Bianca que na pressa pega a mochila para guardar as coisas que comprou, mas ao se virar para ir embora esbarra com Marina e Vitor já dentro da loja.

Porque você tá se escondendo Bianca? Nossa que loja legal – diz Marina

Droga de porta – reclama para sí Bianca

Eu segurei o máximo que eu pude, mas você demorou – cochichou Vitor se explicando enquanto Marina olhava a loja

É, o velho aqui é enrolado – retruca Bianca – Vai leva ela ali pro fundo para eu guardar as coisas aqui e toma isso é para você – Então Bianca entrega o óculos para Vitor que o pega e vai a encontro de Marina.

Bianca pega a armadilha de dedo e guarda na mala, antes de sair ela se vira para o velho – E ai qual era o truque mesmo?.

Truque do quê? Da armadilha de dedo?

Não do óculos, você disse que ele te mostra se você vai pra num sei onde… – 

– Rakuen ou Jigoku… – Corrige o velho

Isso, o que é isso e como ele funciona?

Rakuen significa algo como o paraíso e Jigoku o inferno….quanto ao funcionamento se estiver perto do dia de sua morte é só você colocar que você verá o que te aguardo no pós-vida…– Diz o velho de forma sombria – Mas se realmente funcionasse eu não teria te vendido pelo preço que vendi…. hahahah

Enquanto o velho ri, Marina se aproxima do balcão e pergunta – Moço, tem outro óculos desse? Eu quero! Mó dahora eu coloquei ele e vi as coisas como se estivessem pegando fogo!

FIM

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