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    Santa Clarita Diet (Netflix) – Vale a Pena Assistir?

    Uma sitcom de comédia sobre zumbis que tem Drew Barrymore como protagonista. Essa é Santa Clarita Diet, nova série original da Netflix que é a soma total do algoritmo da empresa de “série que vai agradar todo mundo”.

    Mas, mesmo com esse planejamento descarado e um primeiro episódio bem meia-boca, a série ganhou personalidade e rapidamente virou fenômeno em todo mundo. Ainda assim, vale a pena assistir?

  • CapinaLemos

    Capinalemos – O Conto da Aia

    o conto da aia

    O Conto da Aia é uma distopia (embora seja classificado como ficção científica, talvez por ter ganho o prêmio Arthur C. Clarke, que é dedicado a obras desse gênero) contada através das lembranças e vivências de Offred, uma mulher que viveu a transição de regime que transformou os Estados Unidos da América na República de Gilead.

    Neste novo país, calcado no fundamentalismo religioso e fundado sob preceitos do velho testamento, não existem mais livros, jornais, revistas ou filmes, universidades foram fechadas, mulheres perderam todos os direitos.

    o conto da aia

    Enquanto lia, me peguei questionando a possibilidade de um dia isso acontecer, me pareceu por demais absurdo: “Mas será possível que de um dia pro outro todas as mulheres do país sejam demitidas e ninguém faça nada? Não é possível que bloqueiem suas contas bancárias e passem a tutela de suas vidas para os maridos e tudo bem”.

    Mas claro que as coisas não aconteceram de um dia para o outro, as condições para isso foram estabelecidas antes, em ações que eram vistas com descrédito (lembram quanta gente riu da candidatura do Trump?) ou como de menor importância, até que um atentado coloca o país em estado de exceção, oferecendo o momento ideal para a consolidação de um golpe.

    Mulheres sala aula Afeganistao

    Se a premissa do livro te parece impossível, lembre-se que até a década de 70 mulheres frequentavam universidades no Afeganistão

    Quem não segue a religião oficial e não se converte ou não aceita o sistema é morto ou enviado para as colônias, locais similares a campos de concentração, onde as pessoas trabalham até a morte, o que não tarda, uma vez que que as condições são totalmente insalubres.

    A partir daí as mulheres são separadas em castas: esposas, aquelas eram casadas perante a igreja antes do novo regime ou que casaram sob as bênçãos do novo sistema; marthas, cujas uniões eram nulas perante a igreja e não podiam mais gerar filhos, sendo designadas para os trabalhos domésticos; salvadoras, espécies de freiras responsáveis pelo julgamento e punição das que infringiam alguma norma; tias, um outro tipo de freiras responsáveis pela educação das aias, e as próprias aias que eram mulheres cujos casamentos eram nulos, mas que ainda estavam em período fértil.

    o conto da aia

    Devido a uma série de fatores, a fertilidade foi prejudicada de forma alarmante no país, por isso as aias são enviadas às casas de comandantes cujas esposas não podem mais ter filhos, para servirem como reprodutoras, em relações sexuais supervisionadas, já que ninguém está ali pra romance ou prazer, a exemplo da história bíblica de Raquel, contada em Gênesis 30:1-5 “Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho.”

    o conto da aia

    Ao longo do livro vamos recebendo informações que ajudam a formar um panorama geral do sistema vigente, mas como só temos acesso ao que Offred sabe e lembra (daí o nome do livro, O Conto da Aia), nossa visão é tão limitada quanto a dela, o que é suficiente pra imaginar o quão desesperador é viver nesse mundo em que mulheres foram proibidas de ler, escrever, trabalhar, questionar, de ter acesso à informação, de pensar por conta própria. Elas perderam até mesmo seus nomes, sendo reduzidas a propriedade, já que Offred significa que ela é pertence ao Comandante Fred (Of Fred).

    O que a move é a esperança de talvez reencontrar a filha que lhe foi tomada para ser criada pelas salvadoras, e o marido, embora no fundo ela saiba que muito provavelmente ele esteja morto.

    A filha de Offred fará parte da primeira geração pós-democracia, que não terá lembranças como a sociedade era antes e, por isso, provavelmente aceitará como natural a nova configuração das coisas, pois o discurso das tias/salvadoras/comandantes prega que tudo está melhor agora do que na anarquia dos dias que antecederam a República de Gilead.

    Mais ao estilo 1984 de distopias, a leitura pode ser considerada arrastada, pois aqui não há mocinha/heroína/salvadora da pátria/mártir como em outras histórias do gênero, não há ação, luta, fugas espetaculares, apenas alguém contando sua história e tentando sobreviver.

    o conto da aia

    A autora afirmou em entrevista ao The Guardian que sua única regra para escrever este livro era não usar nenhum ato que o ser humano já não tenha praticado antes e não descrever nenhum tipo de tecnologia que não existisse na época, o que torna o enredo ainda mais verossímil e assustador.

    Existe uma adaptação cinematográfica de 1990, lançado no Brasil com o nome de A Decadência de uma Espécie, que eu não assisti e não vi críticas muito animadoras.

    Mas fãs da obra estão empolgados com uma nova versão que será lançada em 10 episódios no Hulu, plataforma de streaming que não tem previsão de lançamento no Brasil (mas de repente alguém disponibiliza na locadora do Paulo Coelho).

    Publicado em 1985, O Conto da Aia é incômodo, provocativo e repleto de questionamentos sobre direitos, liberdade, política e religião, que continuam incrivelmente atuais 30 anos depois de seu lançamento.

    Título: O Conto da Aia
    Autor: Margareth Atwood
    Tradução: Ana Deiró
    Páginas: 368
    Edição: 1ª
    Ano: 2006
    Editora: Rocco

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    Dear White People (Caras pessoas brancas) – O filme original e a polêmica da nova série da Netflix

    Foi preciso uma hora e 138 mil deslikes depois no YouTube para que a nova série da Netflix Dear White People (Caras Pessoas Brancas ou Queridas Pessoas Brancas), baseada em uma produção independente de 2014, ganhasse as redes sociais. Nem tanto pela sua temática ou pelo seu conteúdo. Só pelo título mesmo.

    Ameaças de boicote à Netflix, pessoas cancelando as contas e uma série de comentários preconceituosos para a pequena produção que é, na verdade, um debate extremamente lúcido e equilibrado.

    Conferimos o filme, te trazemos a review e um pouco de toda a polêmica que envolve a série

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