Romanticamente Apocalíptico

Romanticamente Apocalíptico [36]

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Sim! Eu consegui derrubar minha cadeira! Vitória!

…E agora?

Eu ouvi a aglomeração de botas pesadas chegando mais perto. Eu realmente deveria ter pensado nisso melhor.

“Tentando escapar, hein? Uma boa surra deve corrigir esses impulsos!” Um par de botas pretas apareceu em minha visão periférica. Suspirei. Eu finalmente compreendi que os únicos outros sobreviventes levemente normais que tinha durado tanto tempo eram bandidos armados. Parecia que você precisava ser maluco ou maléfico para sobreviver aqui fora.

Peraí. E onde eu me encaixo nessa minha definição?

Cheirei esperançoso através dos meus filtros quando meu captor se aproximou. Foi um cheirinho de shampoo que eu detectei? Eu sentaria aqui como um bom refém se eles apenas partilhassem comigo as suas instalações de higiene. Eu abri minha boca para sugerir meu negócio, mas um grito repentino abafou minha proposta.

As botas pretas desapareceram da minha linha de visão, chutando enquanto iam embora. Houve mais gritos, e algo escuro e pegajoso borrifou em mim. Gritos de “OH DEUS O QUE É ESSA COISA … MATEM ELE! … ATIREM NELE! …. AHHHH!” foram vindo do corredor atrás de mim, seguido de uma saraivada de tiros e terminou com asfixia. Sons de algo mole sendo rasgado pairavam pelo ar. Meu estômago virou. Com certeza eu não receberia nem uma barra de sabão agora.

Uma chuva quente e vermelha me encharcou. Tentei escapar da zona de respingo, mas não deu certo. Bem, lá estava o meu banho. Por que os meus desejos sempre funcionam de maneiras tão depravadas? Os gritos se transformaram em silêncio, e a tempestade de sucos humanos foi acabando. Eu decidi não olhar para cima.
Talvez se eu ignorasse a coisa, ela iria me ignorar.

Com determinação frenética, eu continuei fugindo em direção à porta. Todas as vezes que fui amarrado a uma cadeira… Mais perto, mais perto…

Um tentáculo agarrou a minha cadeira, me levantou para avaliação e me colocou de pé novamente. Tanto esforço para nada!

“Eu tenho gosto de ácido de bateria! … Eu vou te dar um hálito extremamente desagradável! Eu não tomo um banho há anos!” Eu resmungava enquanto esperava ser engolido pelo meu último atacante.

Olhando para mim estava um único globo ocular. Ele olhou avidamente para fora da cara de um zumbi. Espere ai- aquilo era um zumbi mesmo? Ele estava pendurado em uma bolha amorfa de carne como uma marionete. Não, definitivamente não era um zumbi. Eu precisava do meu guia de campo de anomalias das terras devastadas de volta.
“PrOduZa o sEu pRoPrieTárIO! LeVe Me aO conHEciDo cOMo CaPITão.” Ele ordenou, gargarejando e brandindo o desenho que o Capitão tinha grampeado na minha traseira. Eu arregalei os olhos para o desenho bruto, meu cérebro lutando para encontrar uma explicação lógica para o que estava acontecendo.

“Câncer?” Gritei. “Isso é você?”

O esqueleto carnudo vibrou animadamente ao som da minha voz, pingando sangue por toda parte:

“O sINal … umA meNSagEm … eLe FalA … seU DNA dETém um meMorANdO paRa NóS…
ProCEssAmeNdO NoTa InfORMatIva TEMPoraL…
ChArleS SnIPpY, vocÊ nOs coNhEcerÁ cOMo BiOMatRiX 117. “

Olhei para a bolha hedionda e carnuda balançando o esqueleto. Ela sabia o meu nome. Por que ela sabe meu nome? Quando isso aconteceu? Não me recordo de dizer para qualquer monstruosidades carnudas o meu nome. Foi me espionando de alguma forma? Foi lendo minha mente? O que mais ela sabe sobre mim?

“VoCê e eU somOs mUIto beM familiARizaDOS. SaBEmos TOdas As coISas.”

Todas as coisas? Eu duvido, uma vez que acabamos de nos conhecer. Monstros mutantes estúpidos, sempre alegando que eles sabem todas as coisas só para me assustar e me fazer entregar tudo o que eu sei.
Bem, eu não vou cair em seus truques idiotas!

Tentáculos de carne cortaram facilmente as cordas que me mantinham na cadeira.

“LevANTe-se, ChARles.
LibERteI vOcê pARa Um PrÓsiTo MaIOR!
ESTamOS desTINaDOs a FIcar JunToS… ParA SemPRe… TuDo INDicA. “

“Não! Isso nunca vai acontecer! Não enquanto eu ainda estou vivo!”
Eu gritei para o esqueleto vermelho.
Aposto que ele só quer que eu o leve até mais seres humanos para comer. Eu me recuso a levar uma coisa monstruosa de carne para consumir os meus… excentricamente… loucos… amigos.

Espere aí … juntos? Por que é que cada monstro que eu encontro quer quer comer meu coração, sugar a minha alma, ou casar comigo?

“A sUA recUsA de COOpeRar … é inAceiTávEl. SuA coNFormiDAde é neCeSsáriA ParA aCElerAr a inTEgraÇão, casO cONtrÁrio, podeMOS peRDer eSTa JAneLa teMPorAl.
AgoRa, AceITe seu dEStiNo. AceiTE o nosSo reLAcionaMEnto. “
“FaÇa ISSo AGORA!
DiGA – eu pOr mEIo DesTe AceiTO EssA UNIão coM bioMAtriX 117 PAra serMOs ParCeiRoS TempoRaiS …
… SelE o AcoRDo!” O esqueleto pressionou.

Um pensamento repentino estrangeiro permeou minha mente sussurrando em minha própria voz: “Aceite agora”.

“NUNCA! SAIA DE MINHA CABEÇA!” Eu gritei em terror, girando, pulando para trás e jogando a cadeira no esqueleto, derrubando-o.
A coisa câncer estava claramente usando algum tipo de seus poderes de controle mental sobre mim. Isso não vai dar em nada.

“Charles! Esse é você … eu do futuro… aceite o acordo agora… para o bem do universo…” Minha voz ecoou em minha mente, agora consideravelmente mais alta, assumindo, inundando minha cabeça.
Eu sabia exatamente o que tinha que ser feito para acabar com este ataque mental. Corri de cabeça na parede mais próxima, levantando e batendo a cabeça contra a parede de novo e de novo, focando a dor do momento, aqui e agora. Eu tinha que ficar e resistir a essa influência externa maluca e sinistra.
Com cada batida a voz parecia mais longe e mais fraca até que caiu em completo silêncio.

O esqueleto carnudo terminou sua dança abraçado com minha cadeira.

“ParE! SEu SeR MultICEluLAr IdiOTa! O quE VocÊ FeZ?!” Ele gritou, e seu único olho caiu para fora de sua cabeça e rolou na minha direção.

“Fim do jogo.” eu me vangloriei, pisando no olho e esmagando-o sob os meus pés.

Tentáculos agarraram meu pescoço e começaram a me balançar para cima e para baixo.

“A HUMANIDADE PARA A VITÓRIA” Eu gritei, batendo um lado para outro, feliz que os pensamentos estrangeiros desapareceram completamente da minha cabeça.
Duas vitórias em um dia, eu estava com tudo!

Agradecimentos:

Alexius, pela sua brilhante criação;
Aos apoiadores do Capinaremos, que atingiram a meta para o retorno do RA;
Eu, pela tradução do texto deste capítulo.

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