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CapinaLemos – A Revolução dos Bichos

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Olá caros amigos do CapinaLemos!
Prontos para mais uma aventura? Espero que sim!

Então se preparem pois hoje falaremos de mais um clássico!

Como estamos num contexto de crise político administrativa, se tornou mais importante do que nunca entendermos todas as relações de dominação e, através delas, criar uma consciência política consolidada. Diante disso, hoje irei tratar de um livro que foi muito importante na minha formação como indivíduo: a Revolução dos Bichos de George Orwell. Uma obra que, como toda outra ficção inglesa, deixa marcas nos leitores, transformando o modo de pensar de quem o lê, e transportando-nos para um mundo paralelo.

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A decepção autoritarismo ditatorial (stalinismo) que desvirtuou os propósitos da Revolução Soviética atingiu vários intelectuais europeus que foram comunistas ou simpatizantes do comunismo em meados do século 20. Foi exatamente essa decepção que levou o inglês George Orwell a escrever as duas obras que o colocariam na história da literatura universal: “1984” e “A Revolução dos Bichos”.

Quando questionado sobre a razão de ter escrito esse segundo título, o autor diz que pensou em denunciar o mito soviético em uma história que fosse fácil de compreender por qualquer pessoa e fácil de ser traduzida para outras línguas, e de fato ele consegue organizar com maestria as suas principais ideias nesse clássico, de forma que fique clara e inteligível.

O ponto de partida são as reflexões de um velho porco (que representa Karl Marx), o qual constata que os animais, apesar de superiores aos homens, são explorados por eles. Propõe, então, uma revolução que modifique esse estado das coisas.

O porco morre, mas outros porcos decidem levar suas ideologias adiante, promovendo a revolução na fazenda onde vivem. Com o auxílio de outros animais, subjugam o dono da propriedade, que passam a administrar, teoricamente em benefício da coletividade animal. Porém, com o passar do tempo, os porcos vão se impondo aos outros bichos e assumem, na prática, o papel que era exercido pelos homens.

Na visão orwelliana do processo revolucionário, os porcos representam os bolchevistas e o desenvolvimento da trama vai mostrá-los assumindo o mesmo papel de domínio e exploração anteriormente exercido pelos homens, que se identificariam com a burguesia.

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É impossível discordar do autor no que se refere ao chamado socialismo real. Em todos os lugares do mundo onde ele foi implantado ao longo da história, um partido – e via de regra o líder desse partido – tomaram o lugar da classe social que deveria comandar o processo revolucionário, substituindo a “ditadura do proletariado” proposta por Marx por uma ditadura do partido. Foi assim na União Soviética e em seus satélites do Leste Europeu, na China, no Camboja, em Cuba e na Coréia do Norte.

Dada a difusão das idéias socialistas em toda a América do Sul, a leitura de “A Revolução dos Bichos” continua atual e oportuna, ajudando o leitor a refletir sobre utopias e realidade, bem como a questionar a retórica da construção de uma sociedade mais justa e igualitária, em nome da qual “os fins justificam os meios.”

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Eu conheci essa grandiosa obra em meio escolar. Já é um consenso entre os historiadores a importância de diferentes fontes para a construção do conhecimento histórico com os alunos. Entre elas está a literatura, daí a proposta de usar uma obra literária – “A Revolução dos Bichos” de George Orwell – para o debate de assuntos como o socialismo X capitalismo, ou mesmo sobre problemas como terra, trabalho e propriedade. E confesso que foi infinitamente mais simples e mais claro entender por meio desse livro relações políticas tão complexas. Sendo assim, essa semana, a minha indicação pra vocês, queridos leitores, é esse livro, de forma que, ele possa ser tão esclarecedor para vocês assim como foi pra mim.

Espero que tenham gostado dessa postagem e quem já leu ou pretende ler, mande sua opinião nos comentários para interagirmos mais entre nós e entre os demais leitores da coluna. Estamos a disposição no email [email protected], mandem suas dicas, opiniões e suas fotos das estantes de livros para postarmos aqui. Um grande abraço a todos e até a próxima. 

Eloisa Bonatti, pré-vestibulanda e fã do Capinaremos.

 

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