Capinaremos FC

Capinaremos FC – Campeão Brasileiro x Campeão da Libertadores

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Beeem amigos do Capinaremos me desculpem a falta da semana passada, mas hoje eu vim lhes contar uma história. Uma história verídica.

O atual campeão brasileiro iria enfrentar o atual campeão da libertadores. O jogo, além de ser na minha cidade, iria ser de graça, eu não iria perder isso por nada, mas faltava meia hora para a tal partida acontecer e os portões ainda estavam fechados e eu podia contar nos dedos da mão a quantidade de pessoa esperando que eles abrissem. Pensei que eu poderia estar enganado sobre o local do jogo, ou talvez enganado sobre a grandeza dessa partida, já que não era nenhum amistoso, era válido pelo campeonato brasileiro.

Mas me peguei me perguntando: De graça? Acho que devo estar enganado mesmo, um jogo desses nunca iria ser de graça. Enfim os portões se abriram, a gratuidade do evento se confirmou e entrei no estádio, nesse momento comecei a me perguntar se o horário era aquele que eu imaginava que fosse, já que faltava apenas 20 minutos para o início da partida e o público presente no estádio não passava de mim e alguns senhores com idade suficiente para me contar histórias da segunda guerra mundial falando “eu me lembro que nesse dia…”.

Os minutos foram se passando, algumas outras pessoas foram chegando, mas nada além de apenas algumas mesmo. Não tinha torcida organizada. Não tinha nada além de mim, os senhores e agora umas garotas e seus pais.

imagem meramente ilustrativa, fotógrafo desconhecido

imagem meramente ilustrativa, fotógrafo desconhecido

O pipoqueiro estourava o milho da pipoca, o barulho eu conseguia escutar mesmo estando na arquibancada. O narrador da rádio começava seu trabalho e também era possível escutá-lo narrando, que privilégio, ninguém precisaria do radinho colado na orelha.

Mas aquilo tudo me era muito estranho, como assim algumas poucas pessoas estavam ali, numa terça a noite para assistir a um jogo entre o campeão brasileiro e o campeão da libertadores válido pelo campeonato brasileiro?

De qualquer forma eu estava ali para prestigiar este evento. A bola rolou, o time campeão brasileiro se mostrava melhor, pressionava e logo abriu o placar: 1 x 0. Mesmo com o placar em vantagem não tirou a pressão, continuou indo pra cima e ampliou: 2 x 0.

Era possível ouvir alguns gritos da torcida neste momento, sendo que todos que estava presente ali estavam torcendo pelo campeão brasileiro e  a parte da torcida que gritava eram garotas da categoria de base de tal time.

O segundo tempo se mostrou tão bom quanto o primeiro, mas com o campeão da libertadores indo para cima e o brasileiro esperando o contra-ataque, tática que deu certo e o terceiro gol saiu. Resultado final Campeão Brasileiro 3 x  0 Campeão da Libertadores.

Essa história, que é real, parece mentira, pois obviamente um jogo desses nunca seria de graça e, mesmo com ingressos caros, lotaria o estádio. Mas, amigos, o que não contei para vocês é que essa partida foi de futebol feminino, os times envolvidos foram Rio Preto (campeão brasileiro em 2015) e a Ferroviária de Araraquara (campeão da libertadores de 2015). Tenho certeza que em Araraquara, que não é longe daqui, a partida também não foi divulgada.

Não havia TV transmitindo o jogo ao vivo. Havia apenas uma rádio universitária fazendo a transmissão.

Essas meninas que jogam futebol feminino aqui no Brasil são verdadeiras guerreiras que merecem o nosso apoio, merecem ser vistas e merecem ser aplaudidas.

O time das campeãs brasileiras nasceu em 1996 quando a Dorotéia e o seu marido Chicão Regueira queriam que suas filhas entrassem em uma escolinha de futebol, mas na cidade de São José do Rio Preto – SP não havia escolinha de futebol feminino, então eles montaram um clube, o Juventude. Nesses 20 anos o time sofreu diversas mudanças e hoje veste a camisa do Rio Preto Esporte Clube, manda os seus jogos no estádio do time e mudou o nome para Rio Preto. O time feminino, que não mantém uma ligação oficial com o clube masculino de mesmo nome, é apoiado pela prefeitura do município e tem, ainda, Dorotéia e Chicão no clube, ela é presidente do clube e ele técnico. E uma de suas filhas, Darlene, hoje joga na seleção brasileira e faz parte da seleção brasileira permanente, porém ano passado, no draft da seleção ela voltou a jogar pelo time que ela ajudou a criar.

A folha salarial das 24 atletas do Rio Preto é de 38 mil, se você fizer as contas verá que a média é de cerca de um salário de 1.500 para cada atleta.

uma comparação básica

uma comparação básica

A seleção brasileira permanente é um projeto da CBF que visa fortalecer a seleção feminina montando um time permanente de atletas que treinam o ano todo juntas, o objetivo principal é fortalecer a equipe para a disputa das Olimpíadas do Rio. Porém também visa fortalecer o campeonato nacional e os clubes que chegam a segunda fase do campeonato brasileiro (8 clubes) podem escolher 2 jogadoras cada para fazerem parte do elenco do clube na disputa do brasileirão. Os salários continuam sendo pagos pela CBF enquanto as atletas estiverem nos clubes. Apesar de ser bem visto por muitas pessoas do meio por fortalecer o campeonato brasileiro espalhando jogadoras da seleção pelos clubes, algumas não vêem com bons olhos essa medida da seleção permanente.

O futebol feminino brasileiro agoniza mas, graças a pessoas como Dorotéia e Chicão, ele ainda respira.

Você pode dar sua opinião ou me xingar muito no twitter: @Tripode

Vinicius Tripode: não joga nem pelada, mas adora dar pitaco no jogo dos outro

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