Capinaremos FC

Capinaremos FC – A violência, a impunidade e o exemplo inglês

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Beeem amigos do Capinaremos estou de volta depois desse tempo todo para falar sobre algo que está sempre presente no futebol brasileiro: A violência.

Desde 2010 foram 113 mortes ligadas ao futebol no Brasil, 2013 foi o ano mais violento, com 30 mortes. E recentemente tivemos mais uma em dia de clássico paulista e o homem morto nem estava na confusão, foi alvo de uma bala perdida. As autoridades brasileiras, como sempre acontece nesses casos, se mexeu. A imprensa discutiu o fim da violência entre as torcidas.

O que ficou decidido? Em São Paulo só terá clássico torcida única. Um retrocesso sem tamanho. Não estão tentando acabar com a violência, aliás, nem sabem como fazer isso, então estão tentando, de uma forma burra, separar as pessoas como se elas fossem selvagens.

Segundo estudos de socialistas apenas entre 5 e 8% dos torcedores são violentos e por causa destes os outros 95% de torcedores ficaram impedidos de ir ao estádio em dias de clássico.

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Mas o que fazer?

Na Inglaterra, especialmente na década de 80 e 90. O auge do hooliganismo (como ficou conhecido os torcedores ingleses que eram violentos) aconteceu em 1985 no estádio do Heysel, na Bélgica, na fina da Taça dos Campeões Europeus entre Liverpool e a Juventus. Apenas neste dia foram 38 mortos e uma quantidade indeterminada de feridos.  Após este episódio os times ingleses ficaram proibidos de participar de qualquer competição européia por 5 anos.

A Inglaterra, por sua vez, para reprimir os hooligans, começou a adotar uma série de medidas no futebol, criando leis rígidas, reconhecimento dos  baderneiros e fiscalização nos dias de jogos.

A então primeira-ministra da Inglaterra, Margareth Thatcher, reagiu a sua maneira: Grades pontiagudas com cercas eletrificadas e com arame farpado no topo e forte repressão policial. Os arruaceiros (mas não só eles) ficavam literalmente enjaulados e, é claro, a situação foi se degradando até chegar no fatídico ano de 1989 na semifinal da Copa da Inglaterra em um jogo do Liverpool no estádio de Hillsborough: um dos mais modernos na época.

Os torcedores  foram forçando a entrada pelo portões e o estádio foi ficando apinhado de gente e, engaiolados, esses torcedores ficaram pressionados contra a grade. Resultado: 96 pessoas morreram esmagadas.

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E mais uma vez as autoridades britânicas viram que era necessário mudar.

Peter Murray Taylor, um magistrado britânico, ficou encarregado de preparar um relatório sobre essa tragédia e em seu relatório final, em janeiro 1990, ele propôs uma mudança radical nos estádios ingleses e o seu relatório conclui o seguinte: “O comportamento e a segurança da multidão estão diretamente relacionados à qualidade das acomodações e instalações”.

E desde então foram construídos 30 novos estádios e centenas foram reformados no Reino Unido.

Junto a essa medida de modernização dos estádios foi criada uma política que previne a violência. Os times ingleses foram obrigados a instalar um moderno sistema de monitoramento por câmeras para que as autoridades pudessem identificar os torcedores brigões, dessa maneira ao invés de entrarem em confronto com as torcidas é feito um trabalho de inteligência onde, discretamente, eles identificam e retiram os baderneiros dos estádios, punindo-os com a proibição de ir a jogos entre 3 e 10 anos e para que a regra seja cumprida ele é obrigado a ficar em uma delegacia durante o horário da partida. Nos jogos internacionais ele também é proibido de ir e é obrigado a entregar seu passaporte 5 dias antes do jogo. E quem desrespeitar essas regras é preso e processado. Simples e eficaz.

Para se ter uma ideia, nos últimos 16 anos, a Inglaterra prendeu cerca de 50 mil torcedores.

Outros países que seguiram o modelo inglês também obtiveram redução da violência nos estádios.

“A Inglaterra reforçou a tese de que, quando a casa está limpa e organizada, os visitantes tendem a mantê-la assim.” – Heinz Palme, diretor do Centro Internacional para a Segurança no Esporte.

Já no Brasil temos o Estatuto do Torcedor que prevê penas brandas como o afastamento dos estádios entre 3 meses e 1 ano para torcedores que se envolverem em brigas dentro do estádio ou em até 3 anos para torcidas organizadas. Mas, o que vemos de verdade, é a impunidade imperar, apesar de estar previsto no estatuto do torcedor essas punições nada acontece e o torcedor e torcida organizada que estiver presente em briga (e até morte) estará no estádio no próximo jogo.

Um caso recente de morte dentro do estádio foi o caso de Oruro, onde o Kevin, um boliviano, foi morto por um sinalizador disparado pela Gaviões da Fiel. Doze torcedores foram detidos na Bolívia, mas as autoridades brasileiras fizeram de tudo para que eles fossem soltos, foram.

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Após isso outros casos de agressões e brigas de torcida tiveram a Gaviões da Fiel envolvida, incluindo alguns integrantes presos na Bolívia. No caso mais recente a briga entre as torcidas do Corinthians e Palmeiras, onde novamente uma pessoa foi morta, um dos presos de Oruro estava presente. Mas nada aconteceu com eles. E no mesmo dia da morte desse homem, torcedores corinthianos foram acusados (e pegos em flagrante) de espancar 3 palmeirenses, foram levados para a delegacia onde passaram a noite e foram liberados na manhã seguinte. SEGUE O JOGO!

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