Redleaf – O Verde, o Vermelho, o Azul e o Dourado #Parte001

RED

Oi! Eu sou o Tainá! E hoje estréia a história que construiremos juntos! Dessa forma sua interação é muito importante para nós…e blábláblá… Se você se inspirar e resolver desenhar algo dessa história, mesmo que seja uns bonecos de pauzinho, me manda tchê, que eu posto aqui na continuidade!! E se você quer participar dessa história deixe suas sugestões aqui nos comentários, e vamos lá seus filhotes de uma capivara saudável!

P.S. Não se preocupe com o que não entender agora, se eu quiser eu explico depois 😀

 

PARTE 001

Aquele era a 10° reunião do conselho da Ordem dos Quatro sob o comando de Caldrion. No auditório onde deveriam estar amontoados milhares de cavaleiros, setenta homens vestidos nas cores vermelha e dourado, com uma sallk bordada no peito na cor branca, destoavam a grandiosidade do lugar sentados escutando Caldrion, o primeiro mestre falar. Junto a ele mais sete Mestres, portando capas de um azul escuro sobre a roupa tradicional, se sentavam no púlpito do auditório feito de mármore das ilhas Se’ah.

O auditório era abobadado e iluminado devido a cor branca do mármore e as aberturas na base do teto, e a voz do Mestre ribombava nas paredes, não só a voz, mas todo o corpo de Caldrion ribombava enquanto ele falava.

No auge de seus quarenta e cinco ciclos de vida, ele era alto, forte, com o cabelo bem aparado e uma enxuta barba ao molde da Cidade do Rei. Seus companheiros de tribuna pareciam um misto de desalinho e contradição. Quatro deles haviam passado dos sessenta ciclos de vida e pareciam não ter mais força nem para falar, sendo eles Mestre Calig, Mestre Torpp, Mestre Alion, Mestre Razh. Mestre Razh estava dormindo e acordando com os altos berros de Caldrion. Mestre Hormel tinha a idade de Caldrion, mas sendo o homem de letras que era, não tinha a mesma aparência física, era magro calvo e corcunda. Na cadeira do Segundo Mestre sentava Rhuang, irmão do Rei, seus cabelos loiros até o pescoço, seu rosto sisudo, porém belo, seus olhos azuis e seu porte atlético anunciavam a importância desse cargo. Na cadeira do sétimo mestre sentava Alkan, um órfão criado no castelo da ordem desde que era bebê e o mais novo cavaleiro a se tornar Mestre, com apenas 21 anos.

– Como próximo assunto, vamos tratar dos novos recrutas que foram enviados de Thuac e…

– Perdão pela intromissão, Mestre Caldrion, mas creio que seja a hora de falarmos sobre os desaparecimentos em Kab.

Esse a interromper o Mestre é Adaph. Adaph é nortista, e como todo nortista e um tanto quanto inconseqüente. Adaph é conhecido por sua rapidez nas palavras e nas pernas. Sua estatura mediana, num corpo relativamente forte o destacam entre os barrigudos e preguiçosos cavaleiros da Ordem. Com os cabelos compridos a moda nortista e os olhos da cor de um céu em dia de chuva, olhos que geralmente estão cerrados devido a sua falta de humor.

– Não temos domínio sobre esse assunto Adaph… e devo lembrá-lo que não pode falar no conselho. Por mais que nunca aprenda isso, vou estar aqui para fazê-lo entender.

Adaph manteve a cara de sempre. Quando alguém o desagradava ele fazia questão de mostrar. E ele sempre se estragava com Mestre Caldrion. No fundo todos sabiam que ele tinha razão, os desaparecimentos eram mais importantes que a recuperação de meia dúzia de bêbados, vadios e outros produtos da escória de Thuac.

Alguém as costas de Adaph sussurra no seu ouvido. – Você já devia saber seu lugar Adaph, se ficar brigando com Caldrion, ele vai pôr você para treinar os barbahc.

– Merda Allrien! Para de usar essas palavras idekc comigo. Você sabe que eu não gosto e na maioria das vezes não entendo.

– Tudo bem. Mas pode fazer o favor de gritar, ou vão mandar a gente sair. E vê se para de dar ouvidos a tudo que ouve da boca dos bêbados na taberna.

Tarde de mais. Caldrion já estava olhando para os dois amigos, com seu peculiar rosto sem paciência, falando:

– Capitão Allrien, apesar de sua patente, também não tem permissão para falar.

Allrien assentiu com a cabeça. Ele tinha mais juízo que o amigo, mas era igualmente desprezado por Caldrion, devido sua fama de bebâdo. Por mais asseado que parecesse ele sentia como se todos olhassem com asco. Usava o cabelo bem baixo e a barba aparada, tinha os olhos de um homem das Ilhas, escuros como pedra seak. Era mais alto que Adaph e mais magro.

Os olhares de reprovação para os dois vinham de todos os lados onde as patentes permitiam. No púlpito os Mestres ignoravam o que acontecia na reunião.

Ao fim da reunião Allrien e Adaph saíram juntos em direção ao seu habitual ponto de encontro. A taverna de Othel. O lugar mais sujo da Cidade do Rei, porém, o mais aconchegante. Todos os desocupados da cidade estavam lá, e era uma cidade cheia de desocupados.

– Allrien! Addy! – gritou com seu grave vozeirão Pott. – Achei que não vinham mais. Chegaram ao fim da reunião ou Adaph conseguiu irritar o Caldrion de novo?

– Mestre Caldrion. – avisou Allrien.

– Uma concha de sapos cascudos do rio Taffel pra isso. – resmungou Pott. – Você sabe que eu não ligo para esses títulos. A anos ninguém nessa pocilga de cidade liga. Desde o fim da guerr…

– Vai começar as histórias do velho Pott. Você devia estar na reunião, velho.

– Exato Addy! São só histórias que sobraram da nossa maravilhosa Ordem dos Quatro. Eu lembro das armaduras rangendo no fio da espada. Se eu me esforçar sinto até o gosto do sangue. A grande rebelião dos Briegel. Vocês eram crianças e eu ainda tinha força pra levantar o machado. Nossa ordem lutou ao lado das quatro províncias e…

– E… Vencemos os nortistas, aí ficou acertado que a Ordem nunca tomaria partido em rebeliões, lutas e justiça. Nunca mais. – Falaram juntos Allrien e Adaph.

– Não preciso contar pra vocês no que deu. Viramos um bando de desocupados. Não devíamos morar naquele castelo, devíamos morar aqui na taverna do Othel.

Enquanto falavam e riam, nem notaram a figura de capa escura que se pôs as costas dos três cavaleiros.

– Vocês deviam tomar cuidado com o que dizem por aí.

– Mestre Alkan! – Gritaram em uníssono.

Alkan os olhou com um profundo olhar de quem vai repreender. Mas os quatro caíram na risada antes que ele pudesse fazer alguma piada.

– Alk, o que está fazendo aqui? Pensei que quando você tomasse a capa de Mestre ia levar uma vida respeitável. – Berrou Othel atrás do balcão.

– Desculpe Othel. Eu também pensei que conseguiria, mas o gosto do chakh é a única coisa que tira da boca o sabor ruim de participar do conselho.

– Você fala como experiente, mas nem abriu a boca hoje quando eu falei dos desaparecimentos. Quando você foi nomeado, imaginei-me já numa expedição até a floresta de Rohk. – Alk sentia a mágoa na voz de Adaph.

-Addy, você vai ter que esperar. Convencer o conselho, a pressionar o rei para investigar não é algo que eu vá conseguir no primeiro ano como Mestre.

– Quantas crianças mais vamos perder e ignorar Alk? – a voz de Adaph era um tanto chorosa.

– Já disse o que penso de você ouvir a conversa de bêbados e dar importância. – Falou Allrien contrariado.

Adaph olhou para Alkan com o rosto endurecido.

– Prometi dar um jeito nisso. Por mais que Caldrion tente mostrar que a Ordem é importante, sabemos que ninguém se importa com a gente. Qualquer atitude que os lembre que estamos aqui pode ser mal interpretada.

– Que seja. – disse Pott – Eu estou aqui pra beber e não pra chorar. Animem-se e vamos comemorar o nosso amigo que finalmente veio sujar essa capa com vômito.

– Não. Na verdade eu vim fazer pedido. Adaph, eu queria que você treinasse os novos recrutas.

– AHHH! Isso deve ser ideia do Caldrion. Quer me punir por falar na reunião do conselho. Não vou aceitar iss…

– Bem na verdade, a ideia foi minha. Você veio de Thuac, conhece os costumes e modos. Creio que eles se sentirão em casa tratados por você.

– Eu não quero. Mas farei por você Alk.

– Obrigado. Além de ensiná-los, tenho certeza que eles ensinarão algo a você. Vejo vocês no jantar. Allrien, chegue um pouco mais sóbrio, eu imploro.

Ao falar isso Alkan virou as costas e saiu, deixando os amigos com dúvidas a respeito do que ele realmente queria dizer com tudo aquilo. Enquanto ele saía os amigos o olhavam, Alk parecia flutuar sobre as botas agora, não era mais aquele garoto que eles conheceram. Ele tinha mudado ao ponto de fazê-los esquecerem como ele era divertido. Seus cabelos negros estavam mais compridos e agora ele não raspava mais a barba. Estava um pouco mais magro, mas não muito. E as palavras que tinha dito soavam com tristeza e cansaço.

– Ele está tramando algo. – falou Allrien.

– Você tem muita imaginação Allrien. – Disse Adaph sem tirar os olhos da porta que se fechava. – Os tempos de traquinagem de Alk terminaram, agora ele só terá problemas e fadiga.

– Ele só terá que cuidar de batatas e desordeiros como vocês dois. Creio que isso não será problema pra ele. – as palavras soavam verdadeiras, mas Pott não acreditava nelas.

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Alkan seguia em direção ao palácio da Ordem, com o rosto coberto pela touca da capa. Era quase noite, então seu rosto riscado por lágrimas não estava visível aos que por ele passavam. Na cabeça passava somente um pensamento, que demorara de mais para tomar a decisão do que estava prestes a fazer. Enquanto era um aprendiz não podia fazer o que cria estar destinado, mas agora como Mestre ele tinha o dever de resolver a questão. Quando passou pelo pórtico do palácio foi saudado por um guarda desalinhado, que portava uma espada curva onde brotava um princípio de ferrugem. Ver aquilo o deixou mais triste.

Aquela não era a Ordem que ele lia nos livros desde seus cinco ciclos, a ordem que o Ancião de letras, Lotha Bradov, o velho que o criou desde que foi abandonado nas portas do Palácio da Ordem, o ensinou a amar. Passou pelo pátio e alcançou o Salão central onde havia estátuas dos maiores cavaleiros que a Ordem já tinha visto e ao centro num pedestal de mármore verde, uma espada média de punho dourado reluzia. Quatro pedras verdes encravadas na guarda-mão, uma para cada antigo reino. Aquela espada era o símbolo do passado que convenceu Alkan a tomar a túnica vermelha e dourada. Ela era o símbolo do passado distante, onde a Ordem era o escudo dos homens contra tudo.

Ao atravessar o salão de estátuas Alkan alcançou o jardim, onde no centro estava plantada a Sallk, a arvore símbolo. “Por milênios ela viverá e mesmo morta ninguém a esquecerá” – o lema retumbava na cabeça como o martelo de um ferreiro. Nessa época do ano a arvore estava toda branca, com suas folhas em pleno viço. Mas no alto do verão as folhas ganham um tom vermelho e caem pra começar um novo ciclo. Foi num dia como esse que ele chegou ao castelo e da boca do próprio mestre Caldrion recebeu o nome Alkan Redleaf. Alkan ajoelhou-se perante o sallk em habitual sinal de respeito. Sua boca simulava uma prece, porém, era por dentro que sua oração acontecia. Enquanto ele orava, mais lágrimas riscaram seu rosto. Ouviu passos firmes em sua direção, e uma sombra se pôs em suas costas.

– Redleaf. Perdoe-me a intromissão. Preciso falar com você.

– Mestre Caldrion. – disse levantando com o rosto baixo enquanto secava as lágrimas discretamente.

-Redleaf, devia ser mais discreto com suas demonstrações de fraqueza agora que usa esse manto. Ninguém nesse castelo vai respeitar um Mestre que fica chorando pelos cantos.

-Me desculpe Mestr…

– Pare de se desculpar, venha comigo, temo não ter ensinado tudo que precisa aprender.

-Mestre eu sou responsável pelas tarefas na cozinha, faltam duas horas para o jantar.

-As batatas, batatas podem esperar. Suas lições não. Acha que o escolhi pra ser mestre porque gosto de você? Escolhi porque não podia deixar um jovem com potencial no meio de idiotas como Adaph e Allrien.

-Eles são bons homens Mestre.

-Nós descobriremos isso juntos.

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Numa casa qualquer na Cidade do Rei, um pai e um filho, travavam uma batalha costumeira.

– Você devia estar dormindo, já é tarde pra um garotinho.

– Não sou mais criança pai.

– Então não vai querer uma história.

– Bem, eu aceitaria ouvir sobre a Batalha de Thork.

– Você ainda não cansou dessa história?

– Não. Nunca.

– Já que insiste. Serei rápido. Feche os olhos e imagine o dragão Razel rasgando os céus, pois foi num tempo que ele e outros seres esquecidos existiam que isso aconteceu. Numa noite fria e com névoa penetrante, os ideks saíram de suas florestas e invadiram o norte. Naquela época éramos 4 reinos. Zibianj, Thuac, Moltrian e Ralfeng. Os ideks atacaram o reino de Thuac e levaram muitas crianças sem deixar vestígios do paradeiro. Os grandes lordes preocupados com seus amigos nortistas se uniram em ajuda a Thuac formando a Ordem dos Quatro. Liderada pelo lorde Alech Briegel o primeiro Grande Mestre, eles entraram na floresta se Thork em busca das crianças e para enfrentar os ideks. Portando a Estrela, a espada de punho dourado que nunca perde o fio, Lorde Briegel destruiu os ideks e recuperou as criancas nortistas. Nesse dia ele disse a célebre frase…

– Tem de aprender a não contar mentiras. – Falou um vulto as costas do homem.

– O que você disse filho?

– Filho? Eu já fui um filho uma vez. – Falou a sombra que absorvia o quarto.

– O que é você?

– Eu sou a verdade.

– Solte o meu filho.

– Eu não o escolhi. Foi você que me chamou. Garoto diga adeus ao papai. Não é meu jeito de fazer as coisas, mas vou abrir uma exceção.

– Pai…Paaaaaaaaiiiiiiiiiiiii!

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