Redleaf – O Verde, o Vermelho, o Azul e o Dourado – #Parte02

RED

Eai seus fi de uma linda senhora, ou duas senhora, ou dois senhor!!! Dando continuidade a nossa história ta aê… os eventos que sucedem, porque aconteceram depois, aos fatos já ocorridos. Descobrimos que o Alkan é o Redleaf, que ele é chorão e o pessoal acha que ele é foda… acho que nem tanto. Agradeço quem teve o disparate de ler e me dar sugestões. Continuem assim, eu amo vcs. Não esqueça de me dar o COMIDA MACONHA no final da leitura!! 

Parte 002

 

Os cavaleiros acomodavam-se na sala de refeições enquanto aguardavam os mestres chegar para começar o jantar. As refeições só eram realizadas quando todos os sete mestres tivessem tomado seu lugar. E por mais peculiar que fosse, os únicos a não tomar assento tinham sido Caldrion e Alkan. Adaph e Allrien já tinham tomado seu lugar.

– Alkan e Caldrion ainda não chegaram, aposto que o velho o trancou na sala de estudos e o obrigou a decorar o regulamento inteiro.

– Um dia ele será o primeiro Mestre Adaph. Caldrion o escolheu por esse motivo.

– Lógico que não. O velho só quer puni-lo por todo o tempo em que ele causou problemas.

– Você tem cada ideia. Alk é o melhor espadachim que esse castelo viu em anos, é inteligente e culto como ancião de letras Thof, é tão forte quanto Pott, e mais rápido que você. Posso passar a noite inteira falando e não vou terminar de enumerar as qualidades de nosso amigo.

– Bem. Não tem pode ser um bêbado como você o próximo mestre.

– Boa piada. As vezes eu acho que você esquece a minha patente. Olha eles chegaram, finalmente, estou caindo de fome.

Alkan e Mestre Caldrion estavam com o rosto duro, aparentemente tinham algo terrível para falar. Caldrion sentou-se rapidamente, já batendo caneco de prata na mesa. Quando o silêncio tomou conta do ambiente, ele bufou violentamente e começou a falar.

– Nossa demora em abrir as refeições noturnas é totalmente justificada. A meia hora atrás recebemos a visita de um capitão do exército real. Ao que se sabe, quarenta crianças desapareceram agora a noite aqui na cidade do Rei. – o burburinho de conversas tomou conta da sala, Alkan bateu violentamente o caneco de prata na mesa, recuperando o silêncio. – Obrigado. Uma dessas crianças é a própria princesa Rezhide. – Os rostos no salão ficaram sem cor. – O capitão veio averiguar se nenhuma criança havia sumido aqui. Como não temos crianças a muito tempo, não vou me dar o trabalho de averiguar. Quatro pessoas foram encontradas mortas onde crianças desapareceram. Então devemos tomar cuidado, ninguém some com quarenta crianças assim tão rápido, os guardas estão pela cidade, vou dobrar a guarda aqui essa noite e qualquer movimentação estranha nos arredores do castelo, comuniquem imediatamente. Ofereci nosso serviços, mas creio que o Rei não o aceitará. Façamos nossas refeições em silêncio em respeito aos pais e mães que foram separados de seus filhos.

Assim que Caldrion terminou de falar, Alkan saiu de sua mesa e foi em direção aos amigos.

– Péssima noite amigos.

– Mas que merda infernal, não. Coisa pelo qual qualquer nortista está acostumado. Talvez agora alguém realmente de importância. – a voz de Adaph estava visivelmente magoada.

– Já falamos sobre isso diversas vezes Addy. – o rosto de Alkan transbordava tristeza. – Mas dessa vez estamos falando de uma princesa.

– Bem pra mim você nunca falou nada Addy. – falou Allrien.

– Ele só me contou como as coisas funcionam no Norte.

– As lendas nortistas, já ouvi diversas delas.

– Você não sabe de nada Allrien. E eu só falei pra você,  por que você ficou enchendo.

– Então você vai contar pra mim também.

– Difícil é você me obrigar a fazer isso.

– Parem os dois. Estão acontecendo coisas horríveis na cidade, não é hora para frugalidades. – estranhamente perturbado por uma sensação, Alkan olhou para todos os lados.

– O que foi Alk?

– Não sei. Só agora me dei conta que o Pott não está aqui.

– Eu o deixei na taverna, Adaph saiu um pouco antes de mim. Ele disse que ia fugir da troca de guarda. Como se ele ficasse de guarda alguma vez.

Da mesa dos mestres Caldrion lançava olhares para os três amigos, e quando Alkan o notou, ele fez um sinal. Ambos levantaram e saíram do salão de refeições. Allrien e Adaph estavam terminando o vinho quando Mestre Rhuang se aproximou deles.

– Capitão Allrien, assuma a entrada do castelo essa noite. Aproveite e leve seu amigo aí junto. Não sabemos se vamos precisar de mais braços essa noite. – Disse já virando as costas.

– Sim… senhor…. – Mestre Rhuang tinha  trinta ciclos de vida, mas naquela noite ele parecia trinta ciclos mais velho. – Você notou Adaph?

– Eu estou um pouco com sono pra notar qualquer coisa.

– Mestre Rhuang não está usando o manto.

– O que tem de mais nisso. Aquilo é só um pano.

– Ele nunca deixou de usar, nesses oito anos que estou aqui, nunca o vi sem o manto.

– E daí? Me libera dessa  guarda enfadonha.

– Vai buscar sua espada, vamos passar a noite acordados.

Quando chegaram ao portão mais cinco cavaleiros aguardavam instruções para na noite.

– Vocês três vão para o muro e revezem na torre do sino. Vocês dois fiquem dando as voltas pelo pátio e tentem não dormir. Eu e Adaph vamos ficar aqui no portão, venham de uma em uma hora ver se estamos vivos. – Os guardas saíram tilintando as armaduras – Agora que eles já saíram, comece as histórias.

– Ainda não esqueceu isso?

– Ande, é uma ordem do seu capitão e amigo. Por anos você falou sobre investigar os desaparecimentos no Norte. E eu nunca questionei, porque sabia que tinha algo pessoal nisso. Mas você já contou para o Alk, agora pode falar pra mim. E pode esclarecer o que está acontecendo aqui.

– Não, não pode. Acho que o que ocorreu aqui, não é a mesma coisa.

– Fala de uma vez.

– Os desaparecimentos ocorrem desde antes da guerra contra os idecks e surgimento da Ordem. O Norte sempre perdeu suas crianças para os ninguém-sabe.

– Isso é uma lenda, eu já ouvi diversas vezes.

– Minha família é mais antiga que os Briegel. E é assim que contamos a história. Vai deixar eu terminar?

– Sim. Prossiga, mas pule as partes que eu já sei.

– A história conta que Briegel venceu os idecks e trouxe as crianças de volta. Mas eu achei algumas provas que isso não é verdade. A três anos na comemoração da Vitória, fui visitar meu tio Hether. Ele mora num castro onde guardam documentos antigos do condado. Minha família cuida dos registros legais do condado a muitos anos. Foi aí que eu comecei desconfiar de toda história. Na sala haviam alguns documentos da época da guerra, onde eu não encontrei referências sobre desaparecimentos e buscas. Então vasculhei os registros de descendência. Várias famílias, tiveram a perda de um filho, ou eles não deixaram descendência. Uma delas foram os Briegel, Azad Briegel que contam na história que foi resgatado e assumiu o lugar do pai na Ordem, nasceu um ano depois da guerra. Já o mais velho Thull foi dado como morto no ano da guerra.

– Essas são suas teorias? Com base em questionar documentos antigos?

– Eu… Eu tinha quatorze ciclos quando vi meu irmão ser arrastado pelo pé para floresta e desaparecer.

– O QUÊ?

– Meu irmão mais novo. Por isso me alistei na Ordem, por ele. Estávamos brincando com nos limites do condado, com mais alguns meninos, quando ele se afastou da gente por algum motivo que não consigo me lembrar. Quando começou a escurecer resolvi chamá-lo para irmos embora. Foi aí que eu ouvi os gritos. Ele chamou o meu nome e eu corri. Todos que estavam comigo correram na direção oposta. Quando eu cheguei onde ele estava só lembro de vê-lo sendo arrastado por um vulto e aí desmaiei. Nunca mais tivemos notícias dele, no Norte sempre somem crianças. Mas desde que ele foi levado não lembro de nenhum desaparecimento até o do mês passado em Kab.

– Bem agora eu entendo. Mas esses desaparecimentos ocorriam muito?

– Nos registros da época da guerra contra os idecks foi o maior número. Pelo o que pude pesquisar na semana em que fiquei no meu tio, houve intervalos de cinco, às vezes dez anos depois da guerra. Mas nesses registros as crianças já aparecem como desaparecidas. E o número é bem menor, uma as vezes duas. E sempre nos limites da floresta. Raufeng também pega um pouco da floresta, mas não tenho como averiguar os documentos de lá.

– Porque você nunca me contou isso?

– Por que como você mesmo disse, isso são histórias. Só contei a Alkan porque ele insistiu por semanas.

Eles estavam tão entretidos na conversa que nem notaram a enorme sombra que se aproxima do portão. Quando estava a três metros da grade de ferro eles finalmente ouviram os passos da figura.

– Alto lá. Identifique-se.

– Não está me reconhecendo Adaph Lotrak?

– Deixa entrar, é o Pott. – Allrien já estava com a mão no portão. Pott também pôs as duas mãos no portão, fazendo-o ranger.

– Espera! – Tarde demais, Pott já tinha empurrado o portão com tanta força que jogou Allrien contra a coluna do muro.

– Estás louco Pott, quer me matar?

– Vocês são apenas corpos que andam.

Adaph instintivamente puxou a espada, e correu na direção de Pott. Lançou um golpe pela esquerda, mas Pott foi mais rápido e agarrou o seu braço. Pott girou o corpo lançando Adaph em cima de Allrien que estava quase conseguindo se levantar.

– O que deu em você? É o Pott, você ia atacá-lo com uma espada?

– Não tinha certeza se era o Pott.

– A muito tempo eu não matava algo usando essa roupa ridícula. – A voz de Pott estava mais gutural que o costume.

– Pott você é um de nós. Você esta bêbado, pare antes que se machuque. ALLRIEN PORQUÊ VOCÊ NÃO ESTÁ COM SUA ESPADA?

– Eu nunca usei ela além do treinamento, achei que nunca ia precisar.

Eles já estavam de pé, quando Pott começou a caminhar lentamente na direção onde estavam.

– Um de nós. Pott Cathes é um de nós.

– Isso mesmo você é um de nós, agora se acalme. Mesmo bêbado esse desgraçado não perde a força. – Allrien achava tudo muito divertido.

– Não um de vocês, Pott Cathes é um de nós.

– Não vai ter jeito a gente vai ter que dar uma machucadinha nele. Você vai nas pernas e eu vou no tronco. Vamos ter que derrubá-lo. Vou dar com o lado da espada para não fatiar esse porco velho.

– Me perdoa amigo.- disse rindo Allrien. – Mas isso vai ser divertido amanhã.

Mais uma vez se lançaram sobre Pott, mas novamente ele foi mais rápido. Allrien que vinha por baixo levou uma joelhada no rosto que o largou desacordado. Já Adaph teve a espada novamente bloqueada, e com a outra mão Pott agarrou seu pescoço e o ergueu do chão.

– Parrreeee Pott, voceeee eessstá me sufocando.

– Você não mudou nada Adaph Lotrak. Parece o mesmo garoto assustado, que fez o irmão ser levado embora.

Adaph já sentia a consciência indo embora. Só teve o tempo de ver uma figura chegar rápido pelas costas de Pott e atravessá-lo com algo que se mostrou uma espada quando ponta quase alcançou o rosto de Adaph.

Naquele momento os olhos de Pott brilharam num violeta sinistro. E Adaph desmaiou.

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