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CapinaLemos – Agatha Christie

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Olá, amiguinhos do CapinaLemos! Nesta edição da coluna resolvi trazer não apenas um livro pra vocês, e sim oitenta e oito. São as obras da musa inglesa do mistério!


Acho que muita gente já deve ter ouvido falar nessa escritora, afinal ela teve uma carreira muito extensa, que se iniciou em 1920 com o lançamento do livro O Misterioso Caso de Styles. Sua última obra foi publicada em 1979 (Os Últimos Casos de Miss Marple), mas desde então sairam algumas peças teatrais, e vários escritores compilaram contos e até mesmo concluíram obras inacabadas da rainha do mistério.

 


Eu imagino a Agatha Christie como uma daquelas velhinhas bem prafrentex, e até que ela era realmente um pouco a frente do seu tempo, porque a maioria das escritoras mulheres da época escrevia sob pseudônimos masculinos. Os anos 20 trouxeram um pouco mais de liberdade a essas autoras, e foi por aí que a Agatha começou. Seis anos após ela começar a publicar, em 1926, ela caiu nas graças do público com O Assassinato de Roger Ackroyd, e deu o que falar, já que o livro joga contra as regras do romance policial. Por acaso, seria um spoiler gigante contar o motivo desse disparate, mas vale muito a pena conferir.

 

Aliás, foi em 1926 também que aconteceu um mistério na vida real da escritora: ela sumiu! O carro dela foi encontrado perto de um lago com vários pertences, mas nada da Agatha aparecer. Ela só foi encontrada pela polícia 11 dias depois, em um hotel várias milhas longe do local de seu desaparecimento.


A escritora alegou ter perdido a memória, mas apenas dos 11 dias que passou desaparecida. A polícia concluiu que ela teria descido do carro (talvez após um acidente) e pego um trem até o hotel, onde testemunhas afirmam que ela passou o período de quase duas semanas dançando, bebendo e vivendo a vida louca. Bizarramente, ela teria se registrado no estabelecimento usando o nome da amante do marido, Theresa Neele; muitos especulam que ela resolveu dar um susto no cara pois ele estava pensando em pedir o divórcio, o que naquela época ainda era bem escandaloso. Acabou que eles se divorciaram mesmo em 1928 e a Agatha arrumou um maridão arqueólogo. Ela ia com ele a várias expedições, e inclusive usou isso como inspiração para escrever o livro Morte na Mesopotâmia, entre outros.

Ficou meio que estabelecido que toda essa história foi algum tipo de surto psicótico, Agatha entrou em um estado de fuga e assumiu uma personalidade alternativa. No entando, nada foi comprovado ao certo e o desaparecimento de Agatha Christie ainda é considerado um grande mistério sem solução (mais informações aqui). Mas alguns ainda dizem que foi um golpe publicitário para aumentar a venda do novo livro. Se foi isso, funcionou! Agatha Christie virou uma celebridade conhecida em todo o Reino Unido e nas colônias à partir de então. Rendeu até um episódio de Doctor Who!


Agatha Christie aproveitou bem essa fama e lançou praticamente um livro por ano até a sua morte em 1976, e mesmo então ainda havia material para lançar outros três livros. Com isso, ela criou uma obra bem extensa e variada, totalizando 88 livros e diversas adaptações para teatro, cinema, jogos e televisão. Todos esses trabalhos falam muito sobre a natureza humana em conexão com o crime, ou seja, não tem muito aquela história de ficar procurando pegadas e bitucas de cigarro. O negócio da Agatha Christie é organizar os fatos e pensar!
Claro que com isso ela pôde criar vários personagens incríveis, mas os protagonistas mais populares ao longo dos anos foram os seguintes:

Hercule Poirot


O Hercule Poirot é uma caricatura do que os ingleses daquela época pensavam dos estrangeiros: um senhorzinho bem janota e vaidoso, baixinho, com cabeça de ovo e bigodes enormes. Muitas vezes, o detetive se usa desse ponto de vista pra se fazer de bobo e acaba deixando todo mundo de cara no chão. Seus lemas são ordem e método, sempre usar as pequenas células cinzentas, e tudo se revela em conversação; quando um mentiroso conta uma mentira, ele também entrega a verdade!
Poirot teve o início de sua carreira na polícia belga, e depois seguiu como detetive particular na Inglaterra, onde conhece seu amigo Hastings, que narra muitas das histórias em que ele aparece. Depois de um tempo ele tenta se aposentar para cultivar abobrinhas, mas parece que onde quer que ele vá, o crime vai atrás! O último livro em que ele aparece é Cai o Pano.

De 1989 a 2014, foi filmada uma série chamada Poirot Investigates, que conta algumas das melhores histórias que esse detetive protagoniza. O filme mais famoso das obras da Agatha Christie também é dele, o Assassinato no Expresso Oriente.

Miss Marple


Pensa numa velhinha bem clichê, daquelas que têm sempre o tricô na mão e usam aquelas roupas com cheiro de naftalina. Jane Marple é assim, mas por acaso ela é também uma das detetives mais brilhantes que você já viu! Ela morou a vida toda em uma aldeia inglesa, e passou todo seu tempo observando as pessoas à sua volta. Com isso, acabou virando uma expert na natureza humana, e sempre lembra de alguma história de sua aldeia para comparar com o que está acontecendo e acaba resolvendo o caso.

Miss Marple também ganhou uma série chamada Agatha Christie’s Marple, que começou em 2004, já tem 6 temporadas e retorna em Setembro para uma sétima.

Além desses, também vale a pena citar o Sr. Quin, cujo nome é uma brincadeira com o personagem Arlequim. Ele tem uma pegada meio sobrenatural, e aparece do nada em situações onde um crime não pode ser explicado e começa a ajudar quem está por lá a organizar as idéias para resolver. Infelizmente, ele não apareceu em muitos livros, mas façam um favor a si mesmos e confiram O Misterioso Sr. Quin!


Escolher meus livros favoritos da Agatha Christie é que nem uma mãe escolher de que filho mais gosta, então deixo aqui algumas recomendações que eu acho que representam bem o trabalho literário dela.

E Não Sobrou Nenhum


Dez pessoas são convidadas pelo misterioso U. N. Owen a passar alguns dias em uma ilha isolada. Ao chegarem lá, se instalam na mansão e são avisados que o anfitrião se atrasará. Uma Voz se faz ouvir e, como em um julgamento, todos os 10 personagens são acusados de homicídio.

Provavelmente o mais famoso livro da escritora, E Não Sobrou Nenhum foi publicado originalmente como O Caso dos Dez Negrinhos. Isso foi devido ao fato de que muito do que acontece na ilha se baseia em um poema infantil inglês cujo nome, ten little niggers, foi adaptado em uma versão mais recente para ten little soldier boys (dez soldadinhos). Esse livro é considerado um dos clássicos modernos do mistério, e é um dos enredos mais originais e surpreendentes que eu já li!

 Os Crimes A.B.C.


Um serial killer está à solta. e pelo título vocês já podem ver que seu método é o alfabeto. Essa pessoa totalmente irresponsável resolve escrever ao grande Hercule Poirot antes de cada crime, e cabe a ele resolver o mistério antes da próxima letra. Como pista, o assassino deixa um guia de trens ABC aberto perto de cada vítima.

Esse livro me marcou muito, com certeza (essa capa é igualzinha a que eu tinha no meu tempo de escola). Reli faz menos de um mês e, mesmo sabendo o que ia acontecer, fiquei na beira da cadeira e roí as unhas de nervoso! O legal desse livro é que tem ação o tempo todo, e tem o Hercule Poirot em uma de suas performances mais incríveis.

Cartas na Mesa


Um jantar, quatro investigadores, quatro assassinos que conseguiram escapar da justiça. O anfitrião é encontrado morto na sala fechada onde os quatro últimos jogavam cartas, ninguém viu nem ouviu nada. Cabe aos investigadores descobrirem qual deles cometeu o crime!

Esse livro é um clássico mistério a portas fechadas. A melhor parte dele é que ele reúne vários personagens reincidentes (os quatro investigadores), e quem já leu algum livro em que eles aparecem vai referer várias entendências.

Boa leitura! 🙂

Luci

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