Romanticamente Apocalíptico

Romanticamente Apocalíptico [101]

RA101G

Através da luz esverdeada do pôr do sol eu vi de relance um gato de três olhos me estrangulando com grossos cipós. Ou seria uma lembrança?

Não, estava sentindo como se o gato estivesse escavando em minha mente, tentando encontrar uma “autorização” ou algo assim. O que o gato queria?

Absurdo. Não existem gatos verdes com três olhos. Eu nunca fui estrangulado com plantas. Não existem mais árvores, nem grama, nem flores.

Acho que a minha mente está apodrecendo. Nunca houve gatos no pôr do sol.

Só eu e esta cidade extinta.
Só eu e minha imaginação.

Quanto tempo se passou desde a última vez que vi outro ser humano?
Eu não consigo me lembrar.
Não me lembro de seus rostos.
Por que eu não consigo lembrar de seus rostos?

Tudo o que vejo é poeira e ondas de fogo.
Ondas intermináveis de fogo, destruindo seus corpos já quebrados e transformados em pó.

Meu esquadrão acabou em um horror inominável e desde então tenho vagado neste deserto radioativo, procurando…
O que eu estava procurando? Esperando…? Outros sobreviventes?

Eu estava prestes a entrar em colapso de tanta exaustão, prestes a desistir de tudo, mas aquele papel venho do nada voando direto na minha máscara.

Aquelas asas de borboleta causaram um alvoroço dentro de mim, bem lá na alma.

O que foi isso?
Um mapa, elaborado pela por uma criança?
Seria uma requisição de Deus, uma última missão?
Ousei sonhar que iria me levar a uma colônia de sobreviventes.
Aonde eu iria ser levado… Eu não sabia.

AGRADECIMENTOS:

Alexius, pela sua brilhante criação;
Aos apoiadores do Capinaremos, que atingiram a meta para o retorno do RA;
Eu, pela tradução do texto deste capítulo.

Comentários

Populares

Topo