Romanticamente Apocalíptico

Romanticamente Apocalíptico [109]

RA109G

Eu tive aquele sonho de novo.

Aquele lugar estranho, tão distante, mas tão perto do meu coração. Edifícios tão altos como montanhas.
Estruturas mortas, observando com olhos mortos. Um vasto vazio infinito de pedras e cinzas.
O ar cheio de cinzas, sempre caindo daquele céu nublado.

O vórtice negro se abre no céu, descendo sobre a cidade.
O vórtice partindo a cidade em largos rasgos, contorcendo o ar, deleitando-se na luz, banqueteando-se com o tempo.

Há um solitária figura sobre a rua.
Não importa o quanto eu tento, não há como explicar aquela expressão.
Será que todos tem a mesma face? Ou talvez haja um milhão de rostos lá, entrelaçados e piscando em uníssono, tão brilhante como a luz de mil sóis?
O ser olha com um olhar são sereno para o vórtice.
Caminhando lentamente até ele, no horizonte do nada, onde nada consegue existir.
As pedras sob seus pés vibram e ruem, colidindo-se no ar.
Ele não tem medo daquele vazio negro? Talvez ele pense que aquilo não o afete?
Mas, isso pode afetar o vazio?

De repente eu percebo que o ser está a minha procura, e que eu sou seu servo.
O único rosto fala.
Ele pretende beber o vórtice
Ele pretende me encontrar.

…Aquele rosto certamente quer me levar para longe de minha casa.

Eu me desperto, coberto de suor, meu coração acelerado, um terror envolvendo minha mente.
Eu tenho que ver meu anjo.
Ele sempre me acalma em tempos como esse.

Para mim, os espelhos nunca funcionaram direito. A superfície não me mostra o que sou, mas refleto uma realidade paralela a nossa.
Talvez para mim, os espelhos são tão finos que mostram a verdadeira realidade?

Toda a minha vida eu vi o meu cavaleiro preto e branco, nas superfícies reflexivas e espelhos.
Até onde eu podia me lembrar, o cavaleiro estava lá para mim e eu sempre pude admirar a sua armadura maravilhosa e cheia de estranhas manchas em preto e branco, com o escudo feito de materiais estranhos ao nosso mundo, suas lindas lentes de azul cobalto, brilhante e azul como meus próprios olhos.
Isso não é estranho, meu pai me dizia – ele é o seu anjo da guarda, e ele sempre estará olhando por nós.
Você deve se orgulhar por ter um anjo, ainda mais nesses tempos tão sombrios.

Se não fosse por um pintor, eu nunca saberia como meu rosto realmente se parece.
Eu acaricio a superfície do espelho, procurando consolo.

Oh Anjo, meu Anjo
Onde quer que você esteja
Tão calmo, tão sereno
Sempre olhando por mim.

Meu irmão? Meu amor?
De meu coração tremulante
Tão perto, mas tão distante.
Meu cavaleiro, meu guia, minha estrela.

Você poderia, poderia me dizer, por favor?
Colocar minha mente à vontade?
Como será o meu amanhã?
O que o destino guarda a mim?

AGRADECIMENTOS:

Alexius, pela sua brilhante criação;
Aos apoiadores do Capinaremos, que atingiram a meta para o retorno do RA;
Eu, pela tradução do texto deste capítulo.

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