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CapinaLemos – O leilão do Lote 49

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Olá caros colegas Capinaleitores! Resolvi trazer pra vocês algo polêmico nesta edição da coluna – o escritor Thomas Pynchon. Ele é autor de diversos livros, alguns deles considerados por muito “ilegíveis”, tais como O arco-iris da gravidade, V. e o próprio O Leilão do Lote 49.


Pynchon se lançou com V., e alcançou estrelato logo de cara. Recebeu vários prêmios internacionais e é algo tipo o DiCaprio do Nobel de Literatura, com a diferença que ele ainda não ganhou até hoje, com 79 anos de idade. Ah sim, e o cara é doido de pedra. Isso fica bem óbvio ao analisarmos as obras – pra vocês terem uma noção, existe até um wikiHow explicando como ler Pynchon.

Encontramos diversos traços de paranóia e teoria da conspiração, o que faz sentido, pois há muitos anos o autor isola completamente da sociedade, nunca deu entrevistas e as poucas fotos dele são da época de juventude, até mesmo antes do lançamento de V.

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Isso vai tão fundo que certa feita Pynchon participou de um episódio de Os Simpsons, e foi retratado assim, oh:

 

O que torna os livros de Pynchon intrigantes e complexos é difícil de definir. Além de interligar diversos assuntos de uma maneira bizarra e meio dark, Pynchon cria um universo multifacetado e uma trama cheia de tangentes, que prende o leitor, mesmo quando não estamos entendendo nada, o que acontece com frequência. É fácil se perder ao ler, tanto no sentido literal quanto figurativo, porque é psicodelia total em alguns pontos. Por isso, às vezes dá vontade de ler sem parar pra ver se a gente chega nas respostas, porém uma característica desse escritor é deixar muita coisa em aberto, para que o leitor use a cabeça e a imaginação. Quem só gosta de ler livros que têm um final bem acabadinho onde todas as pontas soltas são resolvidas talvez não vá curtir Pynchon. Se mesmo assim você decidir que vai seguir em frente, muito cuidado, porque você vai se apaixonar e não vai conseguir largar até acabar.

Outra característica marcante das obras desse autor é fazer muito uso de eventos históricos. Pynchon é mestre em pegar algo que aconteceu de verdade e criar uma história alternativa tão plausível que no final você fica se perguntando se não foi realmente isso que aconteceu. No caso de O leilão do Lote 49, o evento histórico em questão é a origem dos correios. Eu não quero dar spoiler do livro, por isso não vou entrar em detalhes, mas imagina que loko seria se houvesse um correio alternativo para entregar correspondências secretas desde muito tempo atrás, uma rede de carteiros que vive escondida da sociedade – e às vezes, entrega muito mais do que simples mensagens.

 

A narrativa começa lá pelos anos 60, quando uma mulher chamada Édipa Maas é designada como inventariante do testamento de um ex-namorado super rico e meio maluco. Ela segue para a Califórnia e acaba dando de cara com um complô internacional. Acompanhamos a trajetória dessa moça enquanto ela encontra advogados ex-atores mirins, uma banda pseudo-cover dos Beatles, velhos tarados, colecionadores de selos, cientistas malucos, e vários outros personagens em uma trama que prende do início ao fim.

Enfim, eu gostei muito desse livro, e na minha opinião é um bom ponto de partida para o mundo psicodélico de Pynchon. Entre todas as obras dele que eu li, foi o que mais me prendeu e a que eu menos quis jogar pela janela. Nunca mais consegui pensar nos Correios da mesma forma! É isso aí, espero que vocês curtam tanto quanto eu. Beijos de luz e até a próxima 🙂

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