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CapinaLemos: Maus – A História de um Sobrevivente

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Salve amigos do CapinaLemos!

Hoje vou falar de um livro muito diferente do comum! Classificado como uma Graphic Novel mas com uma história real e profunda. Hoje é dia de falar da Segunda Guerra Mundial. Se você se interessa pelo assunto entre no seu bunker e se prepare para a coluna de hoje.

Maus

 

Maus, de Art Spiegelman é uma história que transborda emoção do início ao fim. Mas antes, vamos as informações técnicas e breve resumo:

Título: Maus, A História de Um Sobrevivente

Título Original: Maus, A Survive’s Tale

Autor: Art Spiegelman

Arte: Art Spiegelman

Editora: Quadrinhos na Cia.

ISBN: 9788535906282

Ano da Edição: 2005

Páginas: 296

Tradutor: Antonio de Macedo Soares

 

“Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a palavra holocausto remetia a imagem de rituais religiosos antigos, onde plantas, homens e animais eram sacrificados e eram queimados em oferta às divindades da antiguidade. Do grego holos(“inteiros”) e kaustós(“queimar”), a palavra holocausto designa coisa/algo “queimado por inteiro”. Mas a partir da Segunda Guerra Mundial, a palavra passou a ter mais outro significado e hoje é utilizada para fazer referência ao extermínio de milhões nos campos de concentração nazistas. Subintitulado A História de Um Sobrevivente, Maus recria o horror vivido pelos pais do escritor e cartunista Art Spiegelman no Holocausto.”

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Não se engane pelo nome. Maus significa Ratos em alemão, e era como os judeus poloneses foram chamados no início da guerra. A partir deste gancho, Art usa do antropomorfismo para retratar as diferentes etnias dentro de sua história. Segue um breve resumo da técnica dentro da história do livro:

  • Ratos – Judeus: Podem ser vistos como vítimas fracas e indefesas e simbolizam a ideia nazista dos judeus serem insignificantes, assim como a incapacidade dos nazistas de acabar com essa raça por causa do seu grande número populacional.
  • Porcos – Poloneses: Os poloneses ficaram ofendidos, mas Spiegelman explica que os porcos têm boa reputação com os americanos por causa de programas de TV como: Miss Piggy e Pork Pig.
  • Gatos – Alemães: Inimigos e perseguidores naturais dos ratos.
  • Sapos – Franceses: Referência direta ao apelido francês e participação dos sapos na culinária francesa.
  • Cachorros – Estadunidenses: Compara a antipatia do cão ao gato aos estadunidenses e alemães, inimigos na II Guerra Mundial.
  • Renas – Suecos
  • Ursos – Russos
  • Peixes – Britânicos
  • Ciganos – Libélulas: Simbolizando o mistério.

 

Art conta a história de Vladek Spiegelman, seu pai. Vladek era um Judeu polonês que sobreviveu ao holocausto contando com sua inteligência e sorte aliadas. No livro acompanhamos desde uma parte da juventude de Vladek até o final da segunda guerra, detalhando tudo que lhe aconteceu na Polônia em um contexto geral e dentro dos campos de concentração em Auschwitz e seus campos anexos.

É surreal perceber a quantidade de absurdos e infortúnios que estas pessoas foram submetidas. Vladek é realmente um sobrevivente que lutou contra fome, frio, doenças, sono, espancamentos e traições durante todos os anos da guerra. Imagine seu país ser totalmente destruído, sua família desconfigurada, todos os seus bens tomados e você ser submetido a uma vida em condições sub-humanas? Além de toda a dor física, o psicológico dessas pessoas foi alterado de maneira irreparável.

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Durante a história vemos um Vladek já idoso contando tudo ao seu filho ao mesmo tempo que vive com suas manias que volta e meia irritam as pessoas ao seu redor. Mas ao fim da leitura podemos entender o motivo de alguns comportamentos e refletir o quanto deixamos de dar valor a coisas simples na nossa vida. Coisas que são ignoradas por serem de fácil acesso e que só quem viveu de privação sabe o seu real valor.

Maus traz uma história real que deixou feridas no mundo que talvez jamais serão totalmente curadas. Nem todos tiveram a “Sorte” de Vladek, de poder após todo o horror da guerra reconstruir suas vidas. Alguns não sobreviveram a ela, outros tiveram sequelas tão grandes que jamais viveram novamente.

Art foi corajoso ao expor muitas coisas do seu íntimo familiar e pessoal. Problemas, doenças, feridas incontáveis e incuráveis e histórias que só causam dor. O prêmio Pulitzer que ganhou em 1992 reforça o quanto o seu relato pessoal é profundo e sincero e como a vida pode renascer depois das coisas mais horríveis.

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É isso amigos. Para mim foi uma leitura muito impactante. Conheço um pouco do assunto devido ao meu avô (Ainda vivo e muito lúcido) ter combatido durante um ano na Itália e me relatar alguns dos horrores da guerra. Mas com certeza ninguém sofreu mais durante este período do que a Polônia. O país foi muito castigado e seu povo sofreu demais. Vladek é apenas um de muitos que passaram por tudo isso ou coisas piores. Nós realmente temos de ser gratos pela vida sem privações que temos e pelo simples fatos de nossos direitos não nos serem negados (Ao menos boa parte deles).

Espero que tenham gostado e aguardamos suas sugestões, reclamações e fotos das estantes de livros (Não sei por qual motivo simplesmente deixamos de receber), nos seguintes canais:

Email: [email protected]

Grupo no face: Casa dos Livros – CapinaLemos

Boa semana e até a próxima coluna!

Padilha

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