Romanticamente Apocalíptico

Romanticamente Apocalíptico [141]

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 A vida…

No bunker do Directorate consistia em uma lista de tarefas desafiadoras porém mundanas, como desentupir o vaso sanitário, desentupir os tubos de fornecimento de comida, desentupir os geradores e desentupir os tubos de ar.
Essa última me fez largar a minha vida antiga de “Dr Gromov” e começar minha vida de “Engie da Captania”.

A vida na Captania consistia em fugir de monstros horríveis, muita dor, várias graus de sofrimento e a tarefa mental desafiadora de argumentar com o Capitão.

A tarefa de hoje do Engie era “CAPINE A ESTAÇÃO FRIA PARA LONGE”. Eu tentei convencer o Capitão da falta de razão e sentido da missão, mas o Capitão estava sólido no objetivo de “VARRER O INVERNO” e até me contou uma história não muito convincente sobre como em um milhão de anos uma nova raça de bestas quadrúpedes emergirá e continuará com o ritual de capinar o inverno para longe, e tirarão sarro dos humanos que se submetiam ao clima frio, algo que poderia ser soprado pela magia do amor, amizade ou algo assim.

Eu não escutei muito das baboseiras do Capitão, me preocupando muito com o desaparecimento dos suprimentos de comida e só prestei uma atenção parcial quando ele cantou uma canção do mesmo tema. A música do Capitão prometia a primavera amanhã, falava sobre mudanças na moda, dava boas vindas às estações quentes e dizia tchau para o inverno. Eu também aparecia na música, mas aparentemente era apenas um bobão que não sabia nada sobre o desaparecimento do inverno.

Quando o Capitão chegou na parte da música “cidadãos radioativos que hibernam embaixo da neve e do gelo” eu fui indo embora devagar e fechei a porta atrás de mim.

“VOCÊ DEVE TRABALHAR MUITO!” A voz do Capitão gritou pela porta.
“FAÇA O SEU MELHOR HOJE!” Foi a última coisa que eu ouvi no corredor.

Eu dei uma olhada para a pá e decidi que deveria carrega-la comigo, ou até tentar fazer algo com ela. Ou talvez até tentar acabar com o inverno.

Um barulho estranho murmurou acima de mim, me chamando a atenção.
Eu levantei minha cabeça e vi um sinal muito maluco.
Um monte de umas coisas parecidas com abelhas, com listras pretas e vermelhas estavam subindo pelas janelas do prédio.
Eu congelei, petrificado, aterrorizado, tentei me fingir de morto.
As abelhas iam para fora e para dentro, num padrão que eu estava reconhecendo. Cheguei a conclusão que elas estavam formando palavras!
As abelhas estavam escrevendo “SuA PeRForManCE eStÁ SeNDo MonItoRAdA”.

Eu não tinha certeza se o Capitão tinha feito algo com as janelas, talvez jogado mel nelas, para atingir esse efeito aterrorizante ou se elas estavam envolvidas em uma consciência coletiva e tentavam entrar em contato conosco. A mensagem vibrava furiosamente.
Fórmulas de probabilidade corriam pela minha cabeça.
Massa de abelhas versus velho prédio arranha-céu.
O que as abelhas comem se todas as flores estão mortas?
Minhas mãos se prenderam na pá, em pânico.
O prédio tremeu e o número de abelhas cresceu.
Eu olhei para as abelhas e elas começaram a formar uma frase maior.
Foi nesse momento que eu decidi correr.
Enquanto minhas botas corriam pela rua, o prédio explodiu em um misto de vidro antigo e abelhas raivosas e radioativas.

Respirando de forma pesada, eu consegui fugir.
Surpreendentemente, não cai em nenhum buraco e nem nada caiu na minha cabeça.
Desobedecer ao Capitão geralmente leva a algo horrível.
Eu notei esse padrão na minha cabeça e isso ativou a tarefa “acabar com o inverno”, e lá fui eu, arrastando a pá pela neve.

AGRADECIMENTOS:

Alexius, pela sua brilhante criação;
Aos apoiadores do Capinaremos, que atingiram a meta para o retorno do RA;
Eu, pela tradução do texto deste capítulo.

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