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CapinaLemos – Memórias Póstumas de Brás Cubas

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Olarrr amigos do CapinaLemos!
Hoje a gente vem aqui com muito orgulho postar um texto de uma de nossas leitoras!
É muita felicidade saber que estamos criando um grupo de leitores colaborativo e que vamos poder expor a paixão dessas pessoas maravilhosas!

Fiquem com a Resenha da Ana Spinardi…

Se você morresse hoje, sua vida teria sido boa até aqui? Você chegaria do outro lado satisfeito com sua relação familiar, os amores vividos, amizades construídas, conquistas e realizações?
Eu, pessoalmente, morreria frustrada pelas coisas que não fiz. Tenho 31 anos, uma família maravilhosa, o melhor marido do mundo e amigos incríveis, mas há tantas viagens que ainda não fiz, tantos livros que não li, tantos filmes que não assisti, tantas músicas que não ouvi, tanta vida pra viver.
Talvez vocês estejam achando esse post um tanto quanto melancólico. Um tempo atrás reli os livros exigidos na Fuvest e comecei com Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis.
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Eu já tinha lido esse livro há uns 10 anos e lembrava o enredo, mas achei melhor revisitá-lo. E daí que veio a melancolia.
Não vou me atrever a comentar a importância estética e literária da obra, uma vez que pessoas muito mais gabaritadas que eu já o fizeram. Vou me restringir à um resumo e minhas impressões. Aviso que este post tem spoilers, até mesmo em função de ser um obra amplamente comentada no ensino médio, cursinhos e pedida em vestibulares. Fora que não tem spoiler maior que o próprio título: o mocinho morre no começo! Rsrs
Memórias Póstumas trata basicamente de uma vida de não realizações. Brás Cubas era um diabo quando menino e segundo ele próprio, “o menino é pai do homem”, ou seja, a vida adulta está intrinsecamente ligada à criação que recebeu na infância.

Quando jovem, se apaixonou por uma prostituta e depois de 15 meses e muito dinheiro gasto com ela, é enviado à Europa por seu pai. Bacharelou-se em Coimbra, mesmo sendo um aluno superficial e medíocre, ao ponto de sentir-se enganado por receber o diploma de uma ciência que não dominava. De volta ao Brasil, abre mão de um possível romance simplesmente porque a moça, Eugênia, é manca. Seu pai sugere um casamento arranjado e um cargo de deputado, ambos não realizados porque outro candidato, Lobo Neves, lhe ganha o coração de Virgília.

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Após a morte do pai, passa a viver da herança deixada por este, ocasionalmente escreve artigos vazios para jornais, tem um caso durante anos com sua antiga pretendida, Virgília, quase torna-se secretário de governo do marido traído, mas este recusa a nomeação. Pensa em casar-se por volta dos 50 anos, porém a noiva, Eulália, escolhida por sua irmã, morre prematuramente; tenta, sem sucesso, ser Ministro de Estado; cria um jornal, que fecha 6 meses depois, pensa em criar um emplasto que curaria todos os males do mundo e por fim, falece de uma pneumonia antes que consiga levar a ideia do emplasto adiante.
Em resumo, teve uma vida fútil, vazia e considera seu maior feito o fato de não ter tido filhos, pois assim não transmitiu a nenhuma criatura o legado da miséria humana.
Vi uma análises bem curtinha, cerca de 6 minutos, mas com bastante informação no canal Oficina do Estudante (Veja Aqui). A rádio USP FM também tem um programa em que analisam as obras exigidas pela Fuvest e o áudio relativo ao Memórias Póstumas está aqui

 

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Muita gente tem preconceito ou bloqueio em relação ao Machado de Assis e acredito que isso decorre do fato de nos imporem sua leitura na escola num momento que ainda não temos maturidade suficiente para apreendê-lo. Pelo menos foi esse o motivo de eu ter criado uma resistência enorme. Depois de tentar ler Dom Casmurro umas 5 ou 6 vezes por volta dos 13 ou 14 anos, acabei desistindo.
Em 2014 o Instituto Brasil Leitor divulgou a intenção de adaptar a obra à linguagem atual a fim de tornar a leitura mais fluida e atrair novos leitores, mas a iniciativa foi tão criticada que acredito que abortaram a missão (pelo menos não encontrei nada a respeito da publicação). O que é uma pena, porque num país em 44% da população simplesmente não lê e os que lêem, lêem “apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes” (Leia Aqui), deveríamos apoiar ideias que busquem introduzir mais pessoas nesse maravilhoso mundo literário.

Esse tipo de adaptação aliás, é feito há muito tempo, lembro de ter lido uma versão resumida e adaptada de Os Miseráveis quando tinha uns 12 anos e naquele momento eu amei! Depois de anos li a versão integral, mas provavelmente não teria me apaixonado tanto se lá aos 12 tivessem me forçado a ler o texto integral.
Enfim, seja em que versão for, recomendo muito que todos dêem uma chance ao Machadão, vale muito a pena! O livro é divertido, inteligente e ainda atual. Ou será que todos não conhecemos pelo menos um Brás por aí?
E termino esse post com a pergunta do início: se você morresse hoje, sua vida teria sido boa até aqui?

 

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Título: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Joaquim Maria Machado de Assis
Páginas: 242
Edição: sem informação
Ano: 1999
Editora: L&PM
Literatura Brasileira, Ficção, Romance, Realismo

Isso ai meus queridos, hoje o post foi da nossa leitora Ana que ta sempre junto conosco no grupo do Face. Quer ver sua resenha aqui? Manda para [email protected]

Um grade abraço e até a próxima!

 

 

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