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Trip do Tripode – Trancado

Parece piada. E é, mas também é verdade. E, para melhorar a situação, fiz isso na minha primeira semana no emprego.

Um dos objetivos da maioria dos intercambistas aqui em Dublin é encontrar o primeiro emprego. E depois trabalhar o máximo que conseguir pra juntar uma grana e viajar pela Europa.

E, é claro, eu me encaixo nesse grupo.

Eu já tinha um emprego, mas também estava começando em outro. O que me dava uma grana extra, ajudava a pagar as contas, etc.

Minha irmã, no Brasil, me conta pelo Whatsapp que se trancou pra fora de casa. É claro que eu rio muito da cara dela. A vida me puniria.

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Eu terminei o meu primeiro serviço, como faxineiro, e fui direto para o segundo, também na faxina. Chegando lá, rotina normal.

O prédio estava vazio, como de costume, destranquei a porta, entre, e tranquei. Desativei o alarme e fui trabalhar. Meia hora depois de começar o serviço sinto falta da chave. Procuro, procuro e procuro. E não encontro. Noto, então, que após ter zoado minha irmã por se trancar pra fora de casa, eu me encontrava trancado para dentro do serviço. Karma, só pode.

Contei a situação pros  outros colunistas. Então eles sabem da veracidade dessa história, uma vez que, até essa parte que eu vos conto, eles acompanharam AO LIVE. Agora vem a parte que perdi o contato com eles. Fiquei como um navio sem rumo.

Deixei meu celular carregando e, no chão, ao lado dele, minha mochila com todas as minhas coisas. Fui na área externa, mas ainda cercada por muro, verificar se, por acaso, eu não teria jogado minha chave no lixo. Erro terrível.

Enquanto eu olhava no lixo a porta, que deixei aberta, bateu. E é daquelas que tranca quando fecha, sabe? Foi então que me encontrei trancado pra fora do serviço, mas cercado por muro e com as minhas coisas pra dentro e todas as luzes acesas.

Eu estava só de camiseta, a temperatura, certamente, não era mais do que 13 graus. A única alternativa era pular o muro. Pulei. Mas aí, então, o que fazer? Afinal minhas coisas continuavam todas trancadas para dentro do serviço. Chamar um chaveiro estava fora de cogitação. Eu não iria gastar.

Foi então que percebi algo salvador. Eu tinha o meu cartão de estudante no bolso e, com ele, eu conseguiria pegar um trem até em casa. Fui para a estação.

Lá encontrei uma moça. Perguntei para ela se eu poderia contar uma história inacreditável e contei essa história que vos conto agora. Ela ficou me olhando com cara de quem diz: MAS QUEM É ESSE IDIOTA E POR QUE TÁ ME FALANDO ISSO?

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Eu estava num misto de desespero com mais desespero, não sabia se ria ou chorava, eu precisava desabafar aquilo com alguém, pois nem eu mesmo estava acreditando.

No fim eu perguntei o nome dela, que já foi completamente apagado da minha memória, de onde ela era e onde ela trabalhava. Já que ela sabia tudo sobre mim, eu tinha o direito de saber algo também.

Ela não era irlandesa, era europeia, mas não lembro exatamente o país. Talvez França. Mas lembro exatamente do trabalho dela: Sou uma das CEO do Google na Irlanda.

Meu queixo caiu. Eu tinha acabado de falar, desesperadamente, sobre ter me trancado pra dentro e pra fora do meu emprego para uma CEO do Google na estação de trem. A noite, que já estava inacreditável, se tornou ainda mais. Ou podia ser SEO do Google. Não importa.

Cheguei em casa e fui direto dormir. Não tinha muito o que se fazer também.

No outro dia pela manhã fui direto lá buscar minhas coisas e explicar o que tinha acontecido. Cheguei lá e todos ficaram me olhando assim

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Peguei minhas coisas. Fui embora. Nunca toquei nesse assunto com o meu chefe. Hoje não trabalho mais lá.

Quer fazer intercâmbio? Me chama no meu Facebook ou entre no site da 4UStudy e fala que leu o texto do Tripode.

Valeu!

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