CapinaLemos

CapinaLemos – A menina que tinha dons

“Melanie é uma menina muito especial. A Dra. Caldwell a chama de “nosso pequeno gênio”.

Todas as manhãs, Melanie espera em sua cela até que venham busca-la para a aula. Quando eles chegam, o Sargento Parks mantém sua arma apontada para ela enquanto dois de seus homens a amarram à cadeira de rodas. Ela acha que eles não gostam dela; ela brinca que não morde, mas eles não riem.


Melanie ama a escola. Ela ama aprender a soletrar e a somar e sobre o mundo fora da sala de aula e das celas das crianças. Ela conta à sua professora favorita todas as coisas que quer fazer quando crescer. Melanie não sabe por que isso deixa a Srta. Justineau triste”.

Essa descrição (traduzi do goodreads) foi meu primeiro contato com A Menina que Tinha Dons. Minha reação foi me encaminhar a uma livraria e comprar o livro imediatamente, porque eu simplesmente precisava saber o que rolava nesse livro; sim, isso é marketing de primeira linha, e eu corri o risco de sair extremamente decepcionada dessa história. Mas felizmente, isso não foi o que aconteceu. Resenha sem spoilers segue abaixo, mas pra quem gosta desse tipo de mistério inabalável antes de pegar um livro, recomendo ler só da descrição mesmo, porque foi uma experiência legal pra mim.

A menina que tinha dons nos leva a uma base militar em um universo distópico, onde encontramos um grupo de crianças que vive confinado a celas individuais, alguns professores, e soldados que se encarregam de leva-los às aulas todos os dias. As crianças são adoráveis e extremamente aplicadas aos estudos, mas por algum motivo inexplicado, precisam ser amordaçadas e afiveladas a suas cadeiras o tempo todo.

 

À medida que acompanhamos Melanie nessa trajetória à sala de aula (e, aos Domingos, a um chuveiro químico e uma refeição que consiste de uma tigela de larvas), descobrimos o motivo por trás do confinamento; somos introduzidos à história do que aconteceu com o mundo fora da base militar, e aos motivos pelos quais a Dra. Caldwell esporadicamente escolhe uma das crianças para ir a seu laboratório, e essa criança nunca mais volta…

Quando me recomendaram esse livro, me disseram que eu ia gostar da temática, porque eu sempre procuro ler thrillers de horror e coisas com zumbis! Isso descreve esse livro, e ao mesmo tempo não poderia estar mais longe da realidade. A menina que tinha dons apresenta uma abordagem bem refrescante em relação ao gênero; a perspectiva da Melanie é o fator principal dessa mudança. Encarar essa realidade pós-apocalíptica da perspectiva de uma criança extremamente otimista e adorável, que não sabe onde está se metendo, não é algo que vemos todo dia. A condição única de Melanie como personagem na narrativa aumenta o mistério e deixa muito mais excitante encaixar as peças desse quebra cabeça.


Na verdade, todos os personagens nesse livro são muito intensos e extremamente humanos. Lógico que isso quer dizer que encontramos um clichê aqui e ali, até porque clichês fazem parte da condição humana, eu acho. Mas em contraparte, a revelação da profundidade dos personagens à medida que a narrativa avança é o que torna esse livro emocionante, e não tanto o fator apocalíptico e a coisa toda dos zumbis, embora isso seja um pano de fundo perfeito pra esse desenvolvimento, e gere conclusões incríveis.

No mais, eu posso dizer que o livro foge daquela coisa de zumbi clássico que a gente já tá meio que enjoando de ver. Me lembrou bastante o The Last of Us (quem gosta desse gênero e não jogou, deveria) em alguns aspectos, mas em outros eu simplesmente não tenho base pra comparação. Não é todo dia que a gente encontra algo tão único a um gênero, e eu me sinto no dever de recomendar esse livro só por conta disso. Mas se vocês não quiserem ler, podem simplesmente assistir o filme que saiu em Setembro deste ano, embora eu recomende ler o livro primeiro porque o filme não foi muito feliz, não.

Isso aí, espero que gostem. Boa leitura! :*

(E mais um gif de Shaun of the Dead por ser o melhor filme de zumbi que existe)

 

Luciana Mariani.

 

 

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