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Rumo ao Oscar 2017: La La Land – Cantando Estações – 2.º filme do diretor de Whiplash é musical dos anos 50 na veia

Poucos filmes fazem a gente sair do cinema de alma lavada. Aquela sensação de que você assistiu uma produção impecável, ótimas atuações, um roteiro inteligente, mas, acima de tudo, que mexe com você. Musicais tem esse tipo de poder. Talvez não com todo mundo. Durante muito tempo torcia o nariz para filmes que enveredavam para as cantorias e números de dança no meio do nada, mas depois de assistir o maior clássico do gênero, Cantando na Chuva, tudo fez sentido. Hoje, sempre que posso, alfineto alguém para deixar o preconceito de lado e se render a um bom musical. La La Land não é um bom musical. La La Land é, talvez, o melhor musical que assisti depois de Cantando na Chuva, e isso talvez seja o que vai pesar a seu favor no Oscar deste ano.

A história gira em torno de um pianista de jazz (Ryan Gosling, que realmente toca piano no filme) e uma atriz (Emma Stone, indicada ao Oscar por Birdman) em busca do sucesso em Hollywood, seus encontros, desencontros, romances e dramas, enquanto tentam seguir seus sonhos.

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A direção e roteiro é de Damien Chazelle e, se você não reconhece o nome, grave a partir de agora. Esse é o segundo longa do diretor. O primeiro, de 2015, é Whiplash, produção que concorreu ao Oscar de Melhor Filme e levou melhor ator coadjuvante para JK Simmons, além de um balaio de babação da crítica e público. O tema de La La Land acaba sendo bem próximo de Whiplash e tem como plano de fundo uma paixão clara do diretor: o jazz. Não é à toa que seus atores se empenham a aprender os instrumentos e tocam maravilhosamente bem. Chazelle parece se retratar no personagem de Gosling quando diz que o jazz está morrendo e ele precisa resgatar. Ao final do filme você vai apreciar ainda mais o estilo…


A produção é impecável e não perde tempo em mostrar a que veio. Logo nos primeiros minutos o número de abertura, em plano-sequência, coloca elenco e dançarinos em uma rodovia, executando um número complexo e empolgante que te coloca no bem-humorado clima do início da produção. Figurinos excepcionais, fotografia dramática e inspirada muito nas produções dos anos 50 e uma química fenomenal entre os atores.
Ryan Gosling e Emma Stone são o centro magnético da produção. Nada tira o foco deles. Suas atuações são humanas e expressivas, seus números de dança são impecáveis e, mesmo que eles não sejam os melhores cantores, suas vozes tem um impacto de humanidade nos personagens. A dupla está impecável e carrega o filme com uma precisão de mestres.
Mas falar tecnicamente do filme não faz jus ao poder sentimental que ele carrega. Nós crescemos com esses personagens, nos deslumbramos com eles, sofremos com eles e sentimos o impacto e a tristeza de suas decisões. E depois de toda intensidade do filme, os últimos dez minutos da produção são de um poder emocional que poucos diretores conseguem imprimir.
Uma dose forte e agridoce que mostra que La La Land é um herdeiro dos clássicos musicais dos anos 50, mas que não tem medo de se assumir como um filme atual e brilhante.

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