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Imaginaremos #7: Atenda ao Chamado!

Sejam bem-vindos ao Imaginaremos, sua coluna semanal de RPG no Capinaremos!

Você vê sombras estranhas no parque? Barulhos estranhos no sótão chamam sua atenção? Você crê que há algo pavoroso estreitando na cozinha? Quem sabe você ande tendo sonhos ruins envolvendo aventuras estranhas e criaturas indecifráveis. Os Grandes Antigos já governaram os éons terrestres antes da ascensão do homem. Os traços de suas cidades ciclópicas ainda podem ser encontrados em ilhas remotas, enterradas em meio às areias do deserto e nos resíduos congelados dos extremos polares. Originalmente vieram a este mundo das estrelas. Eles dormem agora, alguns profundamente dentro da terra ou debaixo do mar. Quando as estrelas estiverem alinhadas, eles voltarão a andar pela terra. Não está morto o que jaz eternamente adormecido e em realidades estranhas, até mesmo a morte pode ser vencida. No Imaginaremos desta terça-feira, prepara-se para enlouquecer com O CHAMADO DE CTHULLU!

O Chamado de Cthulhu é um RPG de horror ficcional baseado no conto de mesmo nome escrito por H.P. Lovecraft e os então chamados Cthulhu Mythos, também inspirados no conto. O jogo, frequentemente abreviado como CoC, é publicado pela Chaosium e vendido aqui no Brasil pela Terra Incognita.

Mas do que se trata este enigmático jogo? E quem diabos é H.P Lovecraft?

Bem… Sente-se que lá vem história.

O Autor


Howard Phillips Lovecraft foi um escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos que são típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.

O princípio literário de Lovecraft era o que ele chamava de “Cosmicismo” ou “Terror Cósmico”, que se resume à ideia de que a vida é incompreensível ao ser humano, e de que o universo é infinitamente hostil aos interesses do homem. Isto posto, as suas obras expressam uma profunda indiferença às crenças e atividades humanas. H.P Lovecraft originou o ciclo de histórias que posteriormente passaram a ser categorizadas no denominado Cthulhu Mythos e também desenvolveu o fictício grimório Necronomicon, supostamente vinculado ao astrônomo e ocultista britânico do século XVI, John Dee. Ao decorrer de suas criações, Lovecraft produziu um panteão de entidades extremamente antihumanas com as quais, nas suas histórias, geralmente os seres humanos se podem comunicar através do Necronomicon.

Muitos dos trabalhos de Lovecraft foram diretamente inspirados por seus constantes pesadelos, o que contribuiu para a criação de uma obra marcada pelo subconsciente e pelo simbolismo. As suas maiores influências foram Edgar Allan Poe, por quem Lovecraft nutria profunda afeição, e Lord Dunsany, cujas narrativas de fantasia inspiraram as suas histórias em terras de sonho. Suas constantes referências, em seus textos, a horrores antigos e a monstros e divindades ancestrais acabaram por gerar algo análogo a uma mitologia, hoje vulgarmente chamada Cthulhu Mythos, contendo vários panteões de seres extradimensionais tão poderosos que eram ou podiam ser considerados deuses, e que reinaram sobre a Terra milhões de anos atrás. Entre outras coisas, alguns dos seres teriam sido os responsáveis pela criação da raça humana e teriam uma intervenção direta em toda a história do universo.

Lovecraft é um dos poucos autores cuja obra literária não tem meio-termo: volta-se única e exclusivamente para o horror, tendo como finalidade perturbar o leitor, depois de atraí-lo para a atmosfera, o ambiente, o clima daquilo que lê. Ele parte de uma situação muitas vezes aparentemente banal: De um asilo particular situado em Providence desapareceu um jovem pesquisador… É assim que começa o seu único romance, O caso de Charles Dexter Ward – para ir mostrando, aos poucos, o resultado da pesquisa que o citado Charles fizera tentando encontrar um seu antepassado que havia sido obscurecido propositadamente…


Quando o livro termina, ficamos sabendo o porquê do desaparecimento do pesquisador, além de descobrir que este seu antepassado, Joseph Curwen, também se dedicava a pesquisas, estas de magia negra, necromancia e ressurreição de seres inomináveis, entre os quais ele próprio.

Um dos ingredientes da fórmula lovecraftniana para seduzir o leitor é o uso da primeira pessoa: a maior parte de seus contos, entre eles as obras-primas primordiais O chamado de Cthulhu, Um sussurro nas trevas, A cor que caiu do céu, Sombras perdidas no tempo e Nas montanhas da loucura. Algumas vezes, todos os acontecimentos são vividos pelo narrador, como em Sombras perdidas no tempo; outras vezes, o narrador convive com algumas personagens e toma parte dos fatos (em geral, a pior delas).


O Jogo

Os jogadores interpretam pessoas comuns que, de repente, são lançadas em um reino de mistérios: detetives, criminalistas, estudiosos, artistas, veteranos de guerra, etc. Com frequência os acontecimentos começam inocentemente até que, gradualmente, os segredos ocultos e aterrorizantes vão sendo revelados.

Conforme os personagens aprendem mais dos verdadeiros horrores do mundo e da irrelevância da humanidade, sua sanidade (representado pelo atributo Sanity Points, abreviadamente SAN) inevitavelmente se esvai, com efeitos em jogo. O jogo inclui um mecanismo para determinar o quão mentalmente danificado um personagem está em determinado momento, pois encontrar seres horríveis geralmente provoca a perda de pontos de SAN. Além disso, para obter as ferramentas necessárias para derrotar os horrores – o conhecimento místico e mágico – os personagens devem estar dispostos a abrir mão de alguma parte de sua sanidade.


Chamado de Cthulhu tem a reputação de ser um jogo em que é bastante comum um personagem morrer em circunstâncias horríveis ou acabar em uma instituição para tratamento mental. Ao contrário da maioria dos jogos role-playing, o eventual triunfo dos jogadores não é esperado neste jogo. E você achando Dark Souls punitivo, né?

O jogo utiliza o mesmo sistema de regras básico de outros cenários da Chaosium. A diferença mais fundamental neste rpg é que enquanto permanecem funcionalmente saudáveis e sãos, os personagens crescem e se desenvolvem. No entanto, Chamado de Cthulhu (e outros sistemas d100) não faz uso do conceito de níveis de personagem, baseando-se completamente nas perícias (em porcentagens, usando dois dados de 10 faces), que se desenvolvem a medida que o personagem as utiliza com sucesso.

Baseando-se em uma observação feita pelo próprio autor, “A emoção mais antiga e forte da humanidade é o medo, e o mais profundo e forte tipo de medo é o medo do desconhecido”, o cenário apresenta uma versão sombria do nosso próprio mundo, de maneira similar a Franquia Mundo das Trevas. Apesar dos anos 20 serem o momento histórico mais usado nas crônicas, estas não estão presas a esse período. Durante os anos de sua publicação, o cenário já apresentou suplementos para a era contemporânea, assim como alternativas menos comuns, como a Roma Antiga e o Século 23.

Prêmios

Durante suas diversas edições, O Chamado de Cthulhu recebeu diversos prêmios graças a sua originalidade, dentre eles a entrada para o hall da fama, pelo Origins Award em 1995. Outros prêmios podem ser citados abaixo.

  • 1981, Game Designer’s Guild, Select Award
  • 1982, Origins Awards, Best Role Playing Game
  • 1985, Games Day Award, Best Role Playing Game
  • 1986, Games Day Award, Best Contemporary Role Playing Game
  • 1987, Games Day Award, Best Other Role Playing Game
  • 1993, Leeds Wargame Club, Best Role Playing Game
  • 1994, Gamer’s Choice Award, Hall of Fame
  • 1995, Origins Award, Hall of Fame
  • 2001, Origins Award, Best Graphic Presentation of a Book Product (Chamado de Cthulhu 20th anniversary edition)
  • 2003, GamingReport.com, o mais votado como Number One Gothic/Horror RPG

Alternativas para o cenário

Apesar de ser o mais conhecido, O Chamado de Cthulhu não é o único RPG a retratar os horrores cósmicos criados por Lovecraft.

Ótimas alternativas para o cenário são D20 Call of Cthulhu, desenvolvido pela Wizards of The Coast; Realms of Cthulhu movido à selvageria de Savage Worlds e Trails of Cthulhu (Rastros de Cthulhu), que alcançou sucesso em seu financiamento coletivo pela Retropunk Editora e será distribuído no Brasil pela loja da mesma. Abaixo, deixarei links para que vocês possam adquirir os livros dessa fantástica e insana linha.

http://www.terraincognitaeditora.com.br/?product=chamado-de-cthulhu – O Chamado de Cthulhu *Terra Incognita

http://retropunk.net/store/7-rastro-de-cthulhu – Rastro de Cthulhu *Retropunk

http://www.drivethrurpg.com/product/77953/Realms-of-Cthulhu – Reinos de Cthulhu *Reality Blurs (Somente em inglês)

Até o próximo Imaginaremos, boas rolagens e cuidado com o que espreita na escuridão…

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