Casos do Interior do Mundo

Relatos de viagem

Oi gente, sou eu de novo! E faz menos de um ano desde a minha última postagem! Minha frequência está altíssima esses tempos! Hoje eu vim aqui trazer um outro estilo de texto os, como já disse no título, meus relatos de viagem! Uma breve apresentação: em 2015 eu dei uma breve viagem pelo mundo. Foi super show de bola, gostei pra caramba! Enquanto viajava, escrevia sobre as coisas que me marcavam, deixavam alguma impressão, ou simplesmente me pareciam merecer serem escritas sobre… Por muitos anos, elas juntaram poeira digital no meu celular, mas hoje, pela primeira vez e em cores (branco e preto também são cores), eu lhes trago alguns desses textos! Apreciem!!!

Da vez que eu pulei de um penhasco de 400 metros de altura:

Fiz bungy jump. É por isso que nasci. Por esses momentos. Por esses segundos passageiros que se tornam horas e você não consegue pensar em nada e o tempo para, mas tudo tá se movendo a velocidades absurdas e você tá caindo mais rápido do que devia, rápido demais pra poder sobreviver e então você sabe que é uma pessoa morta

e tudo vai acabar, tudo perde a importância e você tá caindo caindo caindo, seu cérebro está congelado, ficou parado um segundo atrás, quando você pulou, e seu corpo se torna todo instinto e o desespero bate à porta do coração e tudo ao seu redor é tão absurdamente pequeno e grande, passando tão rápido enquanto você cai cai cai pra morte certa e o desespero se instala e começa a te dominar completamente. Mas então o pulo acaba e você chegou ao fim e ainda está vivo e o tempo passa todo de uma vez e você venceu a morte, sobreviveu à queda tão longa, tão forte, desafiou a morte e resistiu, desafiou a morte e venceu e você sabe o que aconteceu, sabe onde está, sabe como tudo se passou, mas seu cérebro não aceita e continua esperando cair e cair e cair e cair, mas você não está mais caindo, você está subindo de novo, então caindo outra vez e caindo de novo e subindo e caindo e nada mais importa, porque você achou que ia morrer, tinha certeza que não havia possibilidades de sobreviver, aquele era seu fim. Mas não era o fim, não era a sua morte. Era o seu nascimento, era o seu começo e tudo se torna belo, tudo se torna incrível, você percebe que não estava respirando e seu primeiro fôlego traz uma golfada de vida que nunca sentiu antes e você começa a rir e comemorar, porque você renasceu, porque a morte te deu à luz, a última barreira entre seu corpo foi quebrada e agora sente que pode viver pra sempre, não existe nada impossível, nada inacreditável, existe apenas você e o mundo para ser segurado entre suas mãos à seu bel prazer e tudo é seu e… Então você voltou à plataforma, seus pés estão em algo sólido de volta e você quer mais, você precisa ir de novo, você precisa ser maior que a morte, você agora a conhece e adora e ama a chance de sorrir, beijar-lhe os lábios, apertar-lhe as mãos e sair de perto outra vez, para fazer a mesma coisa com a vida, pelo resto da sua vida, pelo resto da sua morte.

 

Da vez que fiz uma análise técnica e precisa de um estilo milenar de artes marciais:

Eu vi uma luta de muay thai! Foi mó foda! Primeiro veio um cara e POU! Daí veio outro e PAM! Daí eles começaram POU, PAM, PUM! Melhor luta do mundo.
Ok, brincadeira, vou explicar melhor. Primeiro que quando os dois bonitos chegaram (eu e minha irmã) já tinha uma galera indo embora. Eram dez lutas no dia, desde às 16h, chegamos às 19h, só faltavam mais duas. Pelo menos ainda não tinha ido a principal. E dá pra ter certeza disso porque foi uma festa pro preferido da noite entrar! Já já falo disso. Então, primeira informação importante: era de graça. O ringue ficava em cima de um palco em uma praça aberta na beira de um lago, que inclusive era uma vista bem legal – tinha varias luzes na outra margem, que refletiam na água escura e se misturavam com a imagem das estrelas no céu, se misturando entre uma e outra, realmente bem bonito. Mas o tanto de brilho, barulho, metal, reflexo e música que vinha da área do palco roubava bastante a atenção. Enfim, era só chegar, achar um lugar e assistir as lutas. Eu gostaria de colocar uma aspas (aspa?) aqui. Achar um lugar era quase impossivel. Tinha uma área com cadeiras perto do ringue pra sentar e assistir, mas só os espertos que chegaram cedo conseguiram essas. Mais ou menos ao redor também tinha uns lugares legais pra assistir, mas pra esses também não podia chegar muito tarde. E é bem capaz que tenhamos sido os últimos a chegar. Então, sem espaço bacana pra gente. Tinha até gente se pendurando nas plataformas em que ficavam as câmeras de tv, coisa digna da Ásia. Eventualmente achamos um canto mais ou menos não tão ruim, que tinha só um terço do ringue tapado. Como era de graça, eu tava bem feliz. Mas, claro, felicidade de pobre (e mão de vaca) dura pouco. Não foi dez minutos pra zé começar a se mexer, ajeitar aqui, erguer um pouco a cabeça dali… Entraram na nossa frente. Foda, viu. Mas daí a gente também se mexeu, acabou na frente de outro alguém e conseguiu voltar a ver. Daí o alguém atrás da gente se ajeitou e assim o segue o ciclo. Finalmente devidamente ajeitados e quase conseguindo ver o palco, dei o aval pra luta começar, quando o juiz viu que o importante estrangeiro retardado que chegou tarde e se meteu no cantinho tava feliz, ele acenou pra luta começar. Sabe como é, meu sorriso faz de mim um VIP. E então… Os lutadores se ajoelharam e começaram a fazer uns gestos e movimentos que me pareceu alguém tirando energia da terra, ou agradecendo o mundo, ou entrando em contato com os espíritos ancestrais ou… vocês pegaram a ideia. Alguma dessas coisas de artes marciais. Muito bonito pra duas pessoas que estão prestes a se pegar na porrada. Me lembrou casamento. E muito demorado, também (exatamente igual casamento). Foram uns sete minutos disso. E todo mundo fingindo que apreciava a beleza da cerimônia e era tocado pelo significado do momento, enquanto por dentro tava torcendo pra acabar essa frescura logo e começar a parte que interessa. Juro, eu já tava esperando alguém aparecer com as alianças e o juiz começar “pode beijar a noiva”. FINALMENTE, decidiram que tava na hora de lutar. Amém. Demoraram tanto que quase deu tempo de a transmição ao vivo da Globo começar antes de o evento acabar. Acho que quiseram compensar a demora durante a luta, porque não demorou dois minutos. Os dois se jogaram um contra o outro numa ferocidade, que deu gosto. Um dos lutadores já começou se jogando no outro, chegou na joelhada voadora mirada na cabeça com uma cotovelada invertida em 390° de cima pra baixo pelas costas, chega deu nó no olho de quem tava assistindo (eu). Só faltou pirocóptero na parada, o bagulho foi bruto. O que começou no ataque tava dominando completamente, empurrou o adversário de um lado pro outro no ringue, fez ele cambalear duas vezes, quebrou a defesa e acertou uns dois seguidos no rosto, lindo de se ver. Em uma das vezes que ele conseguiu fazer o adversários baixar a guarda, acertou uma bicuda violenta no estômago do cara, chega tremeu o corpo todo, dos dois, deu pra ver o cabelo indo pra frente com a inércia e o suor dos dois praticamente pulando do corpo, pegou tanto impulso que ficou só com a pontinha do dedão do pé encostada no chão, e foi nesse ínfimo instante que o que tava apanhando deu um chute baixo na perna que o outro tava usando de apoio, fez ele cair de bunda no chão e deu um chute TÃO violento na nuca do cara que eu jurei que o cérebro seria cuspido. Tremeu o corpo todo, pareceu que tava loco nas droga no meio do batidão da rave, esticou tudo, endureceu os braços e as pernas, fez careta, amoleceu de novo e não conseguiu mais levantar. Isso tudo levou uns cinco segundos. Foi uma virada linda. Não esperava uma dessas, de jeito nenhum. Realmente impressionante. A platéia foi a loucura, gritou, bateu o pé, bateu palma, gritou mais, jogou bebida pra cima, festa, aehoo! Pareceu carnaval. Beleza, acabou a luta, campeão declarado (dica: era o que conseguia ficar de pé), saiu todo mundo do ringue, começou a preparação pra luta principal da noite.
Um estrangeiro, um árabe, contra um tailândes. Tenho certeza que era árabe porque ele tava só de shortinho (as garotas vão ao delírio) e um puta turbantão na cabeça, que tapava fácil uns três voldemort (as garotas voltam ao normal). Achei que seria uma tremenda desvantagem, mas um pouco antes da luta começar de verdade, ele tirou. Lá estava o árabe, bem tranquilo no seu canto, falando com o treinador, super humilde, sem chamar a atenção (eu nem tinha percebido que ele tava no ringue), chega o telão nem mostrou ele entrando. Daí chegou o tailandês, o preferido, o lutador da casa, o sonho de toda sogra, inveja de todo homem, ídolo de toda criança, sex simbol, a caralhada toda. A galera foi à loucura, teve música de entrada, plateia bateu palma e ovacionou o cara, entrou gente do lado carregando coisa pra ele, soltaram fogo de artifício por uns dez minutos, ele fez dancinha com o árbitro e acenou pra multidão, que foi ainda mais à loucura, subiu nas cordas do ringue e mandou beijo pra mãe, fez ritual de agradecimento à terra, soltou pirocoptero, tacaram criança pra ele autografar a testa. O maior festival da noite foi a entrada do cara. De todo mundo que tava lá, cinco turistas foram ver a luta e o resto, turista e local, foi ver essa entrada. Fodam-se as outras lutas. Foda-se essa luta. Foda-se a noite, foda-se o amanhã, foda-se o mundo e o destino. O que importa é o agora, o que importa é essa entrada. Foi uma entrada tão espetacular que quando acabou, metade do público foi embora. Da luta, só vou dizer que o tailandês venceu. Não vale a pena desperdiçar palavras com o que aconteceu depois da entrada, que foi obviamente o clímax da noite.
Depois que tudo acabou e começamos a voltar pro hotel, descobri que crocodilo tem gosto de frango.

Bom, eu pretendia colocar mais uma ou duas, mas essa segunda é bem grande, então vou deixar só essas duas. Na próxima vez posto mais algumas. Não esqueçam de deixar um feedback (nem que seja só pra me chamar de burguês safado)!

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